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Demitam Redknapp

(Bilhete do Caio para os leitores: Caros, escrevo esta coluna de hoje e depois, pelo menos por algumas semanas, o Leandro Stein assume a coluna de Inglaterra. Acho que a maioria sabe que tenho funções na Trivela que vão muito além do que eu escrevo aqui, e elas estão fazendo com que esta coluna perca a regularidade, o que não pode acontecer. Não tenham dúvida de que o Stein é muito melhor do que eu, e não é falsa modéstia, ou seja, só não admito que a troca é definitiva por apego à coluna. Pode ser que eu volte em breve, pode ser que não, mas a qualidade da análise vai, no mínimo, permanecer igual. Um abraço a todos.)

Quando começou a semifinal londrina da FA Cup neste domingo, escrevi no twitter: “Redknapp DE NOVO com uma formação suicida, quatro meias e um volante. se ganhar, ele acertou e eu errei”. Pois é, eu acertei. E Redknapp pode se esconder atrás do erro da arbitragem, mas, de novo, errou. Entrou em campo, contra um rival tradicional e ultimamente muito mais acostumado a decisões, com uma formação que não protegia sua reconhecidamente frágil defesa. O resultado foi um estrondoso 5 a 1, que pode acabar não só com a esperança de um título decente mas também com a pouca moral que o elenco ainda tinha.

Sandro ficou no banco. Vinha jogando muito? Não, não vinha. Mas futebol é fácil de entender: quem não rouba a bola do adversário não a tem para jogar. Não adianta, portanto, ter dois meias habilidosos e um winger se eles não poderão jogar.

Redknapp escolheu a formação que punha em campo seus melhores jogadores. Está aí, portanto, um problema do atual elenco. Modric, o menino de ouro dos Spurs, é mais festejado do que é efetivo. Para mantê-lo, o time não só gastou com salários como deixou de colocar um bom dinheiro no caixa. Dinheiro para contratar no mínimo um zagueiro decente e experiente, e para ter reservas adequados para seus wingers, volantes e atacante. Não adianta Defoe ser o reserva de Adebayor, Defoe é bom, é até muito bom, mas não pode jogar em um esquema com um só atacante, que é como Redknapp gosta de jogar.

“Um time que quer ser grande tem que manter seus craques”, argumentarão. Não, um time que quer ser grande tem que primeiro se sobressair entre os médios. Tem que ter consistência. Tem que ganhar títulos. Nesta toada, é uma imbecilidade desprezar a Liga Europa. Sevilla e Porto, por exemplo, antes de fazerem bons papéis na Champions, ou enquanto faziam, ganharam a segunda competição do continente. Para que se classificar para a Champions se nem na Liga Europa a equipe consegue triunfar?

Para ser grande, primeiro é preciso ser consciente de seu tamanho. O Tottenham tem dinheiro, mas não tanto quanto os times que se classificam para a Europa todo ano – ou quanto os ricos Liverpool e Man City. Pode, e tem elenco para, se destacar do pelotão do meio, brigar pela FA Cup todo ano e ganhar a Liga Europa. Quando se acostumar a deixar para trás os médios, pode se estruturar para manter seus craques. No atual momento, precisa de elenco.

Modric é bom, pode até ser craque, mas não decide. Não vale o que querem pagar. Van der Vaart é muito, mas muito melhor do que ele – embora seja quebrado. O croata que ser vendido. E Redknapp tem que ser demitido. Está evidente que é um asno sortudo, depende dos bons jogadores da equipe jogarem sozinhos.

É isso ou mais dez anos sonhando com a glória maior enquanto nem as menores vêm.

CURTAS

Enquanto isso na Premier League, o United quis dar uma de que a briga pelo título não estava encerrada quando perdeu do Wigan, mas a vitória diante do Aston Villa não deixou o gostinho por muito tempo.

Não é que seja impossível, ainda há um dérbi no meio, mas os Red Devils simplesmente não têm perdido pontos quando não podem perder, e contam com um elenco de coadjuvantes que aparece quando necessário.

No City, por outro lado, quem salva o time, quando salva, são os que “nunca mais jogarão pelo time”: Balotelli há algumas rodadas, Tevez agora.

Se há um técnico com mais motivos para pedir demissão que Redknapp sem dúvida é Roberto Mancini.

No Championship, a incrível recuperação do Reading se transformou em liderança, e em grande estilo: com vitória sobre o ex-líder Southampton na casa do adversário.

A briga agora tem Reading com 85, Southampton com 82 e West Ham com 79, a três rodadas do final.

O Reading tem pela frente Nottingham Forest (19o, em casa), Crystal Palace (16o, casa) e Birmingham (4o, fora), seis pontos prováveis.

O Southampton pega Peterborough (18o, fora), Middlesbrough (7o, fora) e Coventry (22o, casa), também seis pontos prováveis.

Por fim, o West Ham joga com Bristol City (21o, fora), Leicester (9o, fora) e Hull (10o, casa). Difícil apostar quantos pontos. Mas acho que as posições se mantém até o final.

Completariam os playoffs hoje Birmingham, (71 pontos), Blackpool (68) e Cardiff (68). Na cola, o Middlesbrough tem 66.

Na parte de baixo da tabela, o Forest empatou na última rodada, mas, com sete pontos de vantagem sobre o 22o, parece livre de qualquer ameaça de rebaixamento. No papel, porém, ainda são necessários três pontos.

Na League One, tudo igual: Charlton lidera, Sheffield United tem a outra vaga direta, agora com quatro pontos de vantagem sobre o Wednesday. (Atualização: como me lembraram Leonardo Bertozzi e o leitor Márlon Leal, o Charlton já subiu).

Por fim, na League Two o Wimbledon continua sem vencer, mas não cai mais!
 

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Equipe Trivela

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