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De que adianta ganhar milhões se o campo de jogo é um pasto?

A pré-temporada é uma ótima oportunidade para os clubes faturarem. E o Extremo Oriente sempre entra na rota de mercados com fãs ávidos para verem de perto os grandes astros do futebol. Nada mais natural que os dirigentes aproveitem as oportunidades e explorem o período para lucrar com as marcas das equipes. No entanto, as últimas semanas deixaram mais do que claro que os europeus precisam saber muito bem onde estão pisando.

O absurdo aconteceu em Hong Kong, palco do Barclays Asia Trophy. O torneio rendeu cerca de € 1,5 milhão a Manchester City, Tottenham e Sunderland apenas pela participação. Em compensação, o estado deplorável do gramado do estádio, prejudicado pelas fortes chuvas, resultou em duas vítimas: Jan Vertonghen e Matija Nastasic se lesionaram justamente por conta das condições do campo.

Técnico do Sunderland, Paolo Di Canio chamou o local de “gramado assassino”. E, de fato, perder jogadores importantes por lesão na pré-temporada é assassinar o planejamento. Os contratos feitos com as empresas asiáticas precisam ser respeitados, mas os clubes também precisam estar atentos e assinar cláusulas que preservem seus atletas. No fim das contas, o prejuízo esportivo acabou sendo maior que o lucro financeiro.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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