De cabeça para baixo

Norwich, Leeds e Milwall têm, os três, histórias de relativo sucesso no futebol inglês, especialmente os dois primeiros. Não deveria ser de se estranhar, entretanto, que os três estivessem entre os 7 primeiros colocados do Championship, a Segundona inglesa. Bem, não seria de estranhar se os três na temporada passada não tivessem jogadoa Terceirona, a League One. E se os três fossem as únicas surpresas no topo da tabela.
O Milwall é o quarto. Entre os três primeiros, o único que não surpreende é o Cardiff, quarto colocado no ano passado, e que há algum tempo vem ameaçando subir. O primeiro colocado, entretanto, e depois de cinco partidas, é o Queens Park Rangers, equipe londrina da qual só se falava quando o assunto era Flavio Briatore, dono do time ao lado de Bernie Ecclestone. E o terceiro é o Ipswich Town, de Roy Keane, que, na temporada passada demorou mais ou menos 100 jogos para obter sua primeira vitória.
É bem verdade que a temporada acaba de começar, com apenas cinco partidas, e que é provável que com mais algumas semanas a ordem natural das coisas de restabeleça. O negócio é que, além de as primeiras posições estarem ocupadas por “estranhos”, os caras de quem se esperava mais não só não estão na ponta como estão em dificuldades.
O problemas mais evidente, claro, é o do Portsmouth, que, ao lado do Leicester City, quinto colocado no ano passado, tem nas mãos a lanterna sem ter ainda vencido. Um pouco mais acima, em 20o e com apenas uma vitórias, vem o Middlesbrough, que parece ter esquecido que um dia pensou em ficar para sempre na Premier League. Logo acima, com os mesmos quatro pontos em cinco jogos, vem o recém rebaixado Hull City.
Se entre os lanternas a crise pode ser uma questão de azar, chama a atenção entre os ponteiros o fato de que venceram rivais que, em tese, não venceriam. O QPR, por exemplo, na segunda rodada venceu o Sheff Utd (7o no ano passado) em Sheffield, e nesta semana fez nada menos que 3 a 0 no Boro em casa. Sua dupla de ataque é formada por dois caras dos quais, tenho que admitir, nunca tinha ouvido falar: o islandês Heioar Helguson, dois gols marcados até aqui, e o inglês Jamie Mackie, que tem três.
A estrela do time, porém, até aqui, é um velho conhecido do Football Manager, Adel Taarabt. O jovem franco-marroquino foi contratado pelo Tottenham em 2007, e havia alguma expectativa quanto ao seu desenvolvimento como jogador. Depois de ser emprestado ao QPR na temporada passada, no entanto, acabou vendido ao clube no começo dessa.
Em Ipswich, a estrela está no banco. Roy Keane começou a carreira mal no Sunderland, e não deixou muitos admiradores na cidade quando foi embora depois de gastar um bom dinheiro sem ganhar nada. Seu início na ex-equipe de Alf Ramsey e Bobby Robson também não foi grande coisa, e, embora o time tenha se afastado da zona da morte com alguma antecedência, só terminou o campeonato em 15o.
A atual temporada começou de maneira bastante diversa, com uma vitória diante do Boro na casa do adversário. Vitória na casa do Cristal Palace e empates com os recém-rebaixados Burnley e Portsmouth se seguiram. O elenco, assim como o do QPR, não tem grandes destaques.
Ao contrário do que vinha acontecendo há alguns anos, o Championship deste ano não tem um favorito disparado. Talvez o Cardiff City, agora com Craig Bellamy, possa assumir essa posição. Ainda assim, mesmo para quem no ano passado participou da briga do outro lado da tabela, neste ano a história pode ser outra.



