Inglaterra

Davids joga, comanda e também resgata torcedores

Por tudo o que já fez em campo, Edgar Davids já merecia a idolatria da torcida do Barnet, clube pelo qual continua atuando e do qual também acumula o cargo treinador desde dezembro. No entanto, o holandês demonstrou que, acima da fama, estão seus valores humanos e ganhou ainda mais moral junto aos torcedores.

No último final de semana, quando voltava para Londres após partida contra o Accrington Stanley, Davids viu um ônibus de torcedores das Bees quebrado na estrada. E o veterano não pensou duas vezes na hora de abrigar o grupo, que enfrentava viagem de 360 quilômetros. Deixou seus jogadores na rodoviária mais próxima e voltou ao local com o ônibus do time para fazer o resgate.

“Eu vi o ônibus parado na estrada, com alguns torcedores passando frio do lado de fora. Era o mínimo que eu poderia fazer pelo meu clube, voltar com o ônibus para dar carona a eles e não deixá-los no frio. Pouco depois que cheguei, começou a chover. Fiquei feliz por isso. Nenhum homem ficou para trás”, disse Davids, em entrevista ao Telegraph.

Um dos torcedores mostrou-se bastante agradecido à atitude do técnico: “O ônibus era quente e aconchegante. Ele nos deu os mesmos benefícios que os jogadores estavam tendo. Eles foram amigáveis, falaram com os torcedores, posaram para fotos e nos desejaram o melhor. Você pode acompanhar a Premier League o tanto quanto quiser, mas um dia como este só acontece no Barnet”.

O próximo resgate que Davids terá que fazer para alegrar a torcida, entretanto, deve ser mais delicado. O Barnet ocupa a antepenúltima posição na League Two, a quarta divisão inglesa, e só está fora da zona de rebaixamento por conta do saldo de gols. Aos 40 anos, o meio-campista participou de 22 das 38 partidas do time na competição. Para que as Bees se salvem, será preciso bem mais que simplesmente estacionar o ônibus na frente do gol do time.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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