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Cuadrado molda ainda melhor o elenco mais completo da Premier League

Uma grande temporada com a Fiorentina e uma excelente Copa do Mundo com a seleção da Colômbia. O suficiente para que Juan Guillermo Cuadrado se tornasse um dos jogadores mais cobiçados do mercado. Barcelona e Manchester United pareciam ser os prováveis destinos na janela de verão, mas ninguém bateu o martelo. A brecha que o Chelsea precisava para fazer um excelente negócio com a Viola: por € 30 milhões mais o empréstimo de Mohamed Salah (ainda a ser confirmado) aos italianos, os Blues confirmam a chegada do meio-campista.

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Diante do estilo de jogo proposto por José Mourinho, Cuadrado é uma excelente pedida para o Chelsea, ao menos em uma primeira análise. Um meia de bastante velocidade e habilidade para explorar a ponta direita, além de boa precisão nos cruzamentos. Mas que também possui os seus predicados defensivos, com a solidez na marcação de quem jogou por muito tempo como ala ou lateral. Um complemento ao que Eden Hazard já faz pelo lado esquerdo, assim como uma alternativa para varias melhor as opções nas pontas. E que torna ainda mais perigoso os rápidos contra-ataques dos londrinos.

Atualmente, o dono da meia direita no 4-2-3-1 do Chelsea é Willian. E o brasileiro vem de boas atuações, principalmente no jogo de volta contra o Liverpool pela Copa da Liga Inglesa. Cuadrado, porém, é uma opção que garante mais profundidade e mais ofensividade ao time, sem perder o combate na defesa. Enquanto isso, Willian é o jogador mais polivalente que Mourinho tem em mãos para o meio de campo. Pode ser escalado em diferentes posições, com talento para armar e partir em velocidade. Uma maneira dos Blues promoverem a rotação na pesada reta final da temporada, se revezando entre Premier League e a Champions.

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Cuadrado ocupa, especialmente, o espaço deixado por André Schürrle no elenco. O alemão era uma excelente alternativa principalmente para o segundo tempo, quando causava problemas nas cansadas defesas adversárias. Entretanto, não vinha sendo muito efetivo neste ano e perdeu moral com Mourinho. Foram apenas cinco gols nas 27 partidas que disputou na temporada. Muito pouco para um jogador de características ofensivas tão acentuadas. E o negócio, no fim das contas, saiu como uma pechincha para os londrinos: segundo a BBC, entre o recebido pelo alemão e o gasto com o colombiano, Roman Abramovich desembolsou € 1,7 milhões – pouco pela representatividade da transferência.

Cuadrado deve contribuir mais coletivamente, também à facilidade que possui para criar oportunidades aos companheiros. Mais do que isso, pode ser um desafogo para o time em partidas amarradas, graças a sua capacidade nos dribles. As fintas na ponta direita foram um dos trunfos da Colômbia na grande campanha que fez no Mundial de 2014. E o meio-campista ainda serve de coringa: nesta temporada, por exemplo, atuou nas duas pontas, na ala direita e como meia central – sua posição mais frequente na Viola. Não vinha brilhando tanto com as subidas em diagonal e as jogadas de linha de fundo, embora permanecesse como a principal arma ofensiva dos florentinos: foram quatro gols e quatro assistências na Serie A.

O Chelsea pode não contar com tantas estrelas quanto o Manchester United ou tantos medalhões quanto o City. No entanto, os Blues têm, com algumas sobras, o elenco mais completo da Premier League. O ótimo trabalho de Mourinho no mercado de transferências é feito há duas temporadas, encaixando as peças em seu jogo. Cuadrado pode até não vingar em Stamford Bridge. Sua contração, porém, parece ser cirúrgica neste momento.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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