Corinthians 1×0 Al Ahly: o que cada um viu

Poucos assuntos são tão chatos de tocar como o Corinthians. Os temas ligados ao clube estão tão acirrados que qualquer coisa cria reações extremistas de quem está dos dois lados. E esse fenômeno ajuda a criar um outro factoide mala, a história dos “antis” (como se fosse o primeiro time em boa fase que atraísse secadores).
Então, é possível fazer duas avaliações bem claras de como foi Corinthians 1×0 Al Ahly: a dos alvinegros e a dos não-alvinegros. Óbvio, nenhuma das duas faz sentido. Então, vamos ver, dentro disso tudo e pegando os fatos, o que está mais próximo do que foi visto nesta manhã de quarta em Toyota.
TORCIDA
O que o corintiano viu
Espetáculo fantástico, 30 mil dos 31 mil pagantes eram alvinegros. Uma invasão do Japão. Nenhuma torcida faria isso, isso é amar de verdade um clube de futebol. Só os antis não reconhecem.
O que o não-corintiano viu
Só duas mil pessoas a mais que o Santos no ano passado, menos que São Paulo e Internacional nas semifinais de 2005 e 06. A tal invasão é marketing.
O que aconteceu
As arquibancadas não tinham apenas corintianos e ahlawys. Por isso, a conta “31.000 (pagantes) – 300 (ahlawys) = mais de 30 mil (alvinegros)” não é correta. Alguns milhares de japoneses e curiosos foram ao jogo simplesmente porque gostam de futebol. De qualquer forma, relatos de quem estava no estádio falam em algo entre 20 e 25 mil corintianos.
É um dado significativo, mesmo na comparação com as últimas participações brasileiras nas semifinais. O Santos enfrentava uma equipe japonesa (e que, portanto, tinha torcedores locais no estádio) e São Paulo e Internacional jogaram em Tóquio, uma cidade muito mais populosa e com estádio muito maior. Portanto, mais torcedores locais ajudando a encher as arquibancadas, o que reforça o mérito da mobilização alvinegra.
De qualquer forma, é natural que o Corinthians tenha levado mais torcedores que São Paulo, Santos e Internacional. Não por ser supostamente mais apaixonada, mas porque é uma torcida mais numerosa, com grande presença na colônia brasileira no Japão (a maioria dos dekasseguis é paulista e do norte do Paraná) e que viu no Mundial uma continuação da comemoração da tão esperada Libertadores. Além disso, o Brasil vive um momento economicamente melhor que no meio da década passada e mais gente se aventura a atravessar o planeta.
QUALIDADE DO AL AHLY
O que o corintiano viu
Time encardido, experiente nesse tipo de competição. Toca bem a bola.
O que o não-corintiano viu
Time horrível, sem capacidade técnica alguma. É uma vergonha o Corinthians ter sofrido tanto para ganhar desse time.
O que aconteceu
O Al Ahly é experiente e tem alguns jogadores de alguma técnica (Aboutrika é o principal exemplo), mas já esteve mais forte em Mundiais. Essa geração teve seu auge no final da década passada. Além disso, o time sofre com a suspensão do Campeonato Egípcio, que tirou ritmo de jogo da equipe.
O JOGO EM SI
O que o corintiano viu
Sofrido, como toda vitória do Corinthians. Mas, tirando a agonia do segundo tempo, a defesa esteve firme, e o Al Ahly não teve nenhuma real chance de gol. Mas, se fosse diferente, não teria a mesma graça.
O que o não-corintiano viu
Corinthians sofreu uma pressão incrível no segundo tempo e deu muita sorte de não tomar o empate – ou mesmo a virada – no segundo tempo. Atuação ridícula.
O que aconteceu
O Corinthians sofreu porque tem dificuldade em matar os jogos. Isso já foi muito recorrente na campanha do título brasileiro de 2011 e na Libertadores de 2012 (excetuando a final contra o Boca). Então, não foi uma provação divina, só uma característica dessa equipe. Tanto que é verdade que, mesmo com domínio da posse de bola no segundo tempo, o Al Ahly só criou uma oportunidade realmente perigosa.
De qualquer forma, não dá para menosprezar os problemas alvinegros no segundo tempo. O Al Ahly realmente dominou o meio-campo e o Corinthians não conseguiu impor seu jogo como queria. Ficar atrás não foi uma opção, mas uma consequência da dificuldade em fazer algo diferente.
REAÇÃO DA IMPRENSA INGLESA
O que o corintiano viu
FDP! Arrogantes! Vão ver o que é bom no domingo! Isso se passarem pelo Monterrey, porque esse Chelsea… sei não…
O que o não-corintiano viu
Hahahaha. Botaram o Corinthians em seu devido lugar. Viram o timinho que é. Por isso não dão importância a esse jogo. Sabem que não é um time verdadeiramente internacional do outro lado.
O que aconteceu
Segundo o repórter João Castelo Branco, da ESPN, a BBC disse que, baseado no jogo de hoje, o Corinthians mostrou que não deve dar trabalho ao Chelsea. O que é um erro de procedimento jornalístico. O Chelsea tem realmente jogadores melhores e é favorito, mas basear uma análise do Corinthians em cima de um jogo é o mesmo erro que tanto criticamos quando jornalista brasileiro comete antes de uma partida da Libertadores contra uma equipe que não seja Boca Juniors e River Plate.
PERSPECTIVAS PARA A FINAL
O que o corintiano viu
Passou o nervosismo da estreia, agora é aproveitar que o favoritismo está do outro lado e se soltar mais. O sofrimento serviu de alerta, o time vai ficar mais ligado e acabar com essa banca do Chelsea!
O que o não-corintiano viu
Se jogar desse jeito, vai tomar uma piaba maior que a de Barcelona x Santos no ano passado.
O que aconteceu
O Corinthians precisa melhorar muito, mas houve momentos em que os nervos claramente atrapalhavam e o normal é que o time não jogue duas partidas seguidas tão ruins. Isso não torna o clube brasileiro mais ou menos favorito. O Chelsea ainda tem mais obrigação do título pelo simples fato de que é uma equipe técnica e economicamente superior.



