Começar de novo. De novo

Não creio que haja qualquer um na Inglaterra nesse momento que posa enxergar qualquer coisa de positivo na campanha da equipe nacional na Copa do Mundo. Depois de uma eliminatória tranquila, como há muito não se via, o English Team teve uma Copa ridícula, como também há muito não se via. E, de uma hora para outra, a era Capello, que parecia ter mudado algo na história desta equipe, termina de forma ainda mais melancólica que a de seus predecessores.
É lógico que não se pode dizer que o trabalho do italiano foi pior que o de Steve McLaren, que nem ao menos chegou à Euro. O problema é que, daquela vez, dava para colocar a culpa no técnico e trocar. É evidente que Fabio Capello tem culpa na eliminação, como me parece evidente que, no cômputo geral, seu trabalho não foi bom. Além dos erros do italiano, entretanto, há uma série de problemas que não irão embora com ele. E que precisam ser enfrentados.
Em primeiro lugar a FA vai ter que decidir se segue com Capello. Há duas semanas não poderia haver quem achasse que não. O italiano parecia ter achado a maneira de lidar com os dois maiores problemas da equipe: o ego/a atitude de suas estrelas; e a impossibilidade de fazer jogar juntos Lampard e Gerrard. Infelizmente, porém, o que se viu na África do Sul foi que os poderes mágicos do italiano foram suficientes para parar a Croácia na eliminatória, mas se esgotaram ali.
Seria razoável, ainda assim, dar tempo ao italiano para que ele tente mais uma vez, desta vez conhecendo melhor o que tem a disposição e conhecendo o comportamente de cada um em uma competição importante? Provavelmente, não fosse o salário que ganha o italiano. Capello é ótimo técnico e seu currículo prova isso. Para fazer o que ele fez até aqui, porém, melhor seria apostar em um treinador britãnico, e mais barato. Como seria importante pensar em renovar. Em finalmente reconhecer que esta “melhor geração inglesa desde 1966” tem um problema sério de atitude, que nunca vaiu mudar, e começar a pensar na próxima geração.
No final das contas, John Terry é a cara dessa nova geração. O zagueiro já deixou claro para o mundo que tipo de caráter possui. Além de ser uma figura execrável, tática e tecnicamente está longe de estar entre os melhores do mundo. Mesmo assim, não há quem ouse tirá-lo do time. Assim como não há quem mexa com Frank Lampard, seu compadre. O efeito que isso tem sobre os mais jovens só pode ser devastador.
O outro problema é fazer jogar Lampard e Gerrard. Não é só uma questão tática, é uma questão de referência. O resto do time não sabe de quem deve esperar o comando, a liderança. Gerrard até tenta, mas o jogador do Chelsea simplesmente sumiu nesta Copa do Mundo – a não ser no gol anulado.
Não resta dúvida de que são grandes jogadores, mas seu modelo de “jogador celebridade” precisa ser expulso e desinfetado da seleção inglesa. A inglaterra precisa voltar a pensar em jogar futebol, e não em que entrevista dará depois do jogo. E isso não é possível se estes medalhões não forem aposentados.
Que se faça uma mudança radical no começo, e que depois, quando houver algo parecido com uma equipe, alguns possam ser trazidos de volta. O ambiente da equipe, porém, já terá mudado.
Fica só o Rooney. O resto, vamos encher de garotos. O grupo da eliminatória da Euro é fácil, essa é a hora de fazer experiências. Ou de chegar a 2012 procurando desculpas para a derrota, que será certa, e igual às anteriores.



