InglaterraPremier League

Começando devagar na Premier League

Sim, é verdade que o Liverpool não teria tomado 4 a 0 se não tivesse jogadores expulsos em White Hart Lane. Assim como é verdade, porém, que os Vermelhos chegaram a Londres à bordo de um plano de jogo em que bater sem dó era pelo menos parte importante da estratégia. Deu no que deu. E, para além de discutir a já prevista recuperação do Tottenham (que havia perdido para os dois favoritos ao título), é importante analisar para que lado vai essa campanha dos Reds.

O Liverpool acabou a temporada passada em alta. No período Dalglish, salvo engano, só United e Chelsea fizeram mais pontos do que os Reds. Em cima disto, a equipe de reforçou, e bem: os ótimos Stewart Downing e José Enrique, o bom Charlie Adam e os promissores Henderson e Coates, além de Craig Bellamy – e, bem, Doni. Se você reforça um time que era bom, que tinha elenco e que estava em alta, o que se espera é que esse time melhore, certo?

Não é, porém, o que tem acontecido. Os Reds começaram o ano tropeçando, empatando em casa com o Sunderland – que nos jogos seguintes perdeu em casa para o arquirival Newcastle e empatou com o Swansea. Na sequência, vitórias sobre o arrebentado Arsenal e sobre o Bolton – que neste final de semana perdeu em casa do Norwich. O tropeço diante do Stoke deveria ter acendido alguna luz que agora tem que brilhar mais forte.

Vamos, portanto, decompor a frase com que definimos o time: 1- um time que era bom; 2- que tinha elenco; e 3- que estava em alta. Difícil dizer que um time que brigou pelo título inglês não era bom, certo? Sim, não foi no ano passado, nem no anterior, mas o time era bom. Perdeu, é verdade, um de seus dois craques – sim, até o ano passado Fernando Torres era craque. Mas se reforçou, ainda no ano passado, com dois potenciais ótimos jogadores. Ou será que não?

Começando por Luis Suarez, é importante lembrar, antes de qualquer coisa, que o uruguaio não tem férias há muito tempo. Também, entretanto, é bom observar que, antes de se mudar para Liverpool, o atacante jogava no Ajax, que é uma porcaria há muitos anos, e nem assim se destacava absurdamente do resto do time. Pelo que já jogou nos Reds, entretanto, e pelo que mostra na Celeste, o mais provável é que Suárez se revele uma ótima contratação.

O mesmo, porém, não pode ser dito de Andy Carrol. O custo de 36 milhões transforma o que poderia ser uma boa contratação em um quase evidente flop. O atacante que se destacou no Newcastle pode funcionar muito bem em um esquema com um só atacante, principalmente em um time como o Newcastle. Não tem, entretanto, habilidade para brilhar em um time com maiores ambições. Pelo menos não como a estrela do time. Principalmente aos 21 anos de idade.

Suárez não tem 21, mas 23, ou seja, pode estar aí uma chave para entender as dificuldades da equipe. Sem Steven Gerrard, o Liverpool depende demais de jogadores que precisam de tempo para se firmar. E de outros, como Lucas e Adam, que podem ser excelentes em um time que já funcione, mas que não vão levar a equipe consigo. Falando, portanto, do elenco dos Reds, percebemos que ele tem profundidade, mas talvez não tenha as figuras que fazem a diferença no time titular. Ou seja: a equipe de apoio de Gerrard melhorou muito, mas a estrela continua sendo solitária.

Por fim, como explicar que um time que terminou a temporada em alta de repente sofra tamanha queda de desempenho? E aí está a explicação mais simples para os problemas: o time era bom, mas precisava de reforços. Dos seis que chegaram, entretanto,  quatro vêm sendo titulares. A não ser que a qualidade dos que chegam seja significativamente maior do que a dos que lá estavam, não há time que não sofra com o desentrosamento. E os  jogadores que chegaram são, como já dissemos, muito bons, mas não veio nenhum Gerrard, nenhum Aguero.

Talvez a previsão desta coluna de que os Reds pudessem chegar em segundo tenha sid empolgada. O time, porém, é melhor do que o Arsenal, tem mais potencial do que o Chelsea e mais camisa que os Spurs. Se tiver paciência, ainda que demore um pouco a se achar, pode muito bem ameaçar os ponteiros. Ainda que não esteja pronto para superá-los.

CURTAS

– Algumas coisas que não eram contagiosas parecem que estão começando a ser no futebol.

– A falta de caráter de John Terry, por exemplo, infectou Ashley Cole, que, no jogo deste domingo, deu uma entrada criminosa em Javier Hernandez.

– Também digna de nota na partida foi a atuação de Fernando Torres: a melhor desde que chegou aos Blues, mas avacalhada com um dos gols mais perdidos de toda a história.

– E o Arsenal perdeu. Para o Blackburn, time favorito a ser rebaixado. E levou nada menos do que quatro gols.

– Segundo consta, foi inaugurada no campo de jogo gunner uma nova avenida, a André Santos, pelo lado esquerdo.

– No Championship, o Southampton venceu o Birmingham City com autoridade, 4 a 1, e lidera com seis vitórias em sete jogos.

– O vice-líder Middlesbrough também não deixa por menos: ganhou do Crystal Palace em Londres, e, invicto, está apenas um ponto atrás.

– E quem vem se recuperando é o Hull, que, depois perder três quatro primeiras, ganhou as três últimas e já tem o mesmo número de pontos do Cardiff, atual sexto colocado.

– Do lado de baixo da tabela, por outro lado, o Nottingham Forest de Steve McClaren perdeu a terceira seguida, tem apenas uma vitória e dois empates em sete jogos e está na zona de rebaixamento.

– Na League One quem lidera, também invicto, é o Charlton..

– Com o mesmo número de pontos mas um jogo a mais, o Sheffield United é o segundo.

– Por fim, na League Two o Wimbledon voltou a vencer, e se mantém no meio da tabela.

– O líder é o Morecambe.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo