Com projeto consolidado, Manchester City registra lucro pela primeira vez com xeque Mansour
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Comprado em 2008 pelo xeque Mansour bin Zayed Al Nahyan, o Manchester City vinha sendo desde então uma máquina de despesas. Mudar a equipe de patamar não era um projeto barato, e desde a chegada do novo dono mais de US$ 1 bilhão foram gastos em contratações. Mas a ideia sempre foi um dia transformar os Citizens em um clube sustentável, e o primeiro sinal de que isso é apenas questão de tempo apareceu. Nesta sexta-feira, o City divulgou o relatório financeiro do último ano fiscal, registrando lucro pela primeira vez desde a chegada de Al Nahyan.
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O informe financeiro de 2014/15 apresentou lucro de US$ 16,5 milhões, valor pequeno, claro, mas bastante significativo para um time que antes operava apenas em perda. O lucro apresentado no relatório poderia ter sido ainda maior se a equipe não tivesse desrespeitado as regras do Fair Play Financeiro e sido obrigado a pagar uma multa de US$ 24,7 milhões à Uefa.
O clube buscou cortar gastos, e isso conta na equação, mas um fator importante para explicar o primeiro lucro desde a chegada do xeque a Manchester é a receita anual cada vez maior do City. Em 2014/15, o valor foi de US$ 542,3 milhões, um recorde para a equipe. De maneira mais detalhada, a receita comercial cresceu 4%, a de direitos de transmissão subiu 2%, enquanto a renda com ingressos e arrecadação em dias de jogo caiu 9%. Este último número, no entanto, tende a ver uma reversão na queda, já que o clube trabalha com estratégias para atrair mais torcedores e ter melhor média de público. A confiança é tanta que o Estádio Etihad foi ampliado, com mais seis mil assentos na arquibancada sul.
Apesar da boa notícia do primeiro lucro registrado sob a administração de Al Nahyan, será difícil para o Manchester City conseguir lucro também ao fim de 2015/16, e a reforma de seu estádio é um dos motivos. Além disso, o clube finalizou recentemente a construção da City Football Academy, um complexo esportivo para suas categorias de base que custou mais de US$ 300 milhões, e, na última janela de transferências, gastou mais de US$ 150 milhões nas contratações de De Bruyne e Sterling.
Embora manter o lucro seja difícil para esta temporada, o panorama parece favorável para o City daqui para a frente. Desta vez, o time não desrespeitou as regras do Fair Play Financeiro, e vale lembrar também que o novo acordo pelos direitos de transmissão da Premier League no Reino Unido, 70% maior que o anterior, começa a valer no ano que vem. Este tipo de receita deverá aumentar bastante, além da provável melhora no faturamento com ingressos no Etihad.
Assim como o Chelsea conseguiu se tornar sustentável nove anos após a compra por Roman Abramovich, o Manchester City, com um projeto já consolidado, encaminha-se para isso também. Que consiga fazer isso enquanto tem condições de oferecer alguns dos maiores salários do futebol mundial apenas confirma o estabelecimento da equipe como uma potência europeia. Pode até faltar uma conquista continental, mas, assim como no caso dos Blues, isso pode ser apenas questão de tempo. A estabilidade financeira que pavimenta o caminho para o sucesso está aí.