Inglaterra

Com melhora defensiva e (finalmente) resultados, Brighton pode sonhar com o pulo para o top 10 da Premier League

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Desde que contratou Graham Potter, o Brighton tem sido um exemplo de que não é necessário grandes investimentos ou material humano para jogar um bom futebol. Mas como longas sequências sem vitórias pela Premier League também não foram raridades, ele também poderia ser tomado como um alerta de que qualidade estética não é bastante. Nas últimas cinco rodadas, os dois fatores mais importantes do futebol convergiram a seu favor: apenas o Manchester City somou mais pontos do que os 11 das Gaivotas.

E não é que o calendário foi fácil. Seria compreensível o Brighton sentir certo desespero quando o ano começou. Arrancar o empate contra o Wolverhampton após estar perdendo por 3 a 1 foi importante pro moral, mas era a oitava rodada sem vencer. Havia ganhado um único jogo, contra o Aston Villa, em seus últimos 15 pela liga inglesa. A zona do rebaixamento aparecia no retrovisor, e a rodadas seguintes trariam duelos contra Manchester City, Leeds, Tottenham e Liverpool, além de Fulham e Burnley.

Perdeu do City, como todo mundo tem perdido ultimamente, por apenas 1 a 0. Curiosamente, os únicos empates vieram nos jogos teoricamente mais fáceis dessa sequência. Ganhou do Leeds no Ellan Road, o que não um feito tão impressionante contra o 14º pior mandante da tabela, mas ainda um resultado importante. Jogou melhor que o Tottenham e jogou melhor que o Liverpool, e a novidade é que acompanhou o desempenho com duas vitórias que certamente não estavam na conta.

Não havia sido vazado nos quatro primeiros jogos, maior sequência da história do Brighton na primeira divisão inglesa, antes de levar o gol de empate do Burnley. Aparentando mais cansaço após uma série exigente, precisou se segurar para manter a invencibilidade Turf Moor, contando com boas defesas do seu goleiro Robert Sánchez, uma das mudanças que catapultou o time a melhores resultados.

Sempre de olho em jovens, o Brighton trouxe Sánchez do Levante, aos 15 anos, e o inseriu na sua política de empréstimos. Ele passou pelo Forest Green Rovers, da quarta divisão, e pelo Rochdale, da terceira. Ficou no elenco para esta temporada como reserva de Mat Ryan, titular desde o acesso. Potter decidiu fazer uma mudança em meados de dezembro e tem visto bons dividendos. Sánchez passa mais segurança nas saídas de bola e fez defesas importantes contra Tottenham e Liverpool. Também foi essencial para assegurar o ponto contra o Burnley.

A confiança em suas habilidades tornou-se tão grande que Ryan foi liberado por empréstimo para terminar a temporada no Arsenal. “Robert é um monstro em termos físicos. Ele não é apenas forte, mas também muito potente. Ele tem tudo para ser um goleiro de primeira linha. Ele fez defesas e ajudou também quando o Burnley nos desafiou dentro da área”, disse o treinador do Brighton.

A melhor defensiva foi mais ampla. Segundo dados de Expectativa de Gols – aquela estatística avançada que considera a qualidade dos chutes para calcular quantos gols o ataque deveria ter marcado – levantados pelo The Athletic, o Leeds teve o seu pior jogo ofensivo da temporada contra o Brighton (0,3 no XG). O Liverpool (0,99) e o Fulham (0,49) tiveram o seu terceiro pior, e o Tottenham (0,38), o seu quarto jogo mais pobre do seu ataque na campanha. Por outro lado, defensivamente, todas essas partidas estão entre as dez melhores do Brighton nesta Premier League.

Ou seja, o time tem limitado os seus adversários a finalizações de menor qualidade e, mesmo quando elas foram perigosas, teve um goleiro em boa forma e que nem precisou trabalhar tanto. Sánchez realizou 15 defesas nessas cinco partidas, sendo seis contra o Burnley. O sistema defensivo das Gaivotas permitiu apenas um chute no gol contra o atual campeão inglês, conhecido por ter um ataque fulminante, embora o Liverpool esteja longe da sua melhor forma.

Potter tem conseguido repetir mais as suas escalações. Apenas 11 jogadores somaram mais de 1.000 minutos pela Premier League. Nas duas edições anteriores, foram 16. Em que pese ainda estarmos na metade da campanha, apenas três jogadores superaram os 800 até agora, e um deles é Ryan. Os outros dois são o lateral direito promissor Tariq Lamptey e o veterano Adam Lallana. Ambos tiveram problemas físicos.

O núcleo agora bem definido do Brighton começa com Sánchez e chega ao três zagueiros: Adam Webster, Ben White, que o clube fez questão de manter apesar da insistência do Leeds, que contou com seus préstimos para subir à Premier League na última temporada, e o capitão Lewis Dunk. Dan Burn é uma espécie de 12º jogador. Às vezes joga pela ala esquerda, às vezes como zagueiro mesmo, com White adiantado ao meio. O versátil Joël Veltman fecha pelo lado direito.

Quando White fica na zaga, Potter tem preferido um meio-campo com Pascal Gross, Yves Bissouma e Alexis Mac Allister, o único entre os titulares mais recentes que ainda não bateu 1.000 minutos. O jovem argentino de 22 anos que passou recentemente pelo Boca Juniors por empréstimo começou jogando seis das últimas oito rodadas da Premier League, mais do que havia conseguido nos 12 meses anteriores – entre o fim da temporada 2020/21 e o começo da atual.

Com qualidade técnica e chute de fora da área, Mac Allister é um importante polo de criatividade a um time que ainda sofre para fazer gols. Todas as grandes vitórias recentes foram por 1 a 0, e o Brighton tem o sexto pior ataque da liga, empatado com o Newcastle. Mas quem assistiu às partidas mais recentes percebeu que Leandro Trossard e Neal Maupay causam problemas constantes às defesas adversárias, mesmo que nem sempre isso se traduza em gols e assistências.

Maupay é uma variável importante. Foi artilheiro do time na temporada passada, com 10 gols, e segue o jogador mais prolífico com… sete. Não são números exorbitantes, mas os 11 pontos em 15 possíveis foram conquistados apesar de ele ter marcado apenas uma vez, contra o Leeds. Mantendo essa base e conseguindo tirar mais gols do seu principal atacante, o Brighton tende a subir até um pouco mais de rendimento.

Essa é a questão que definirá o restante do campeonato para o Brighton: o quanto essa boa forma recente é sustentável? E mais uma: há espaço para melhorar? Fazer mais gols seria o caminho mais rápido para dar um salto, mas não é tão fácil assim – presume-se que um time de futebol está ciente da importância de fazer gols.

Mas com essa sequência de resultados, a sua melhor em cinco rodadas desde a chegada de Potter, a zona do rebaixamento está dez pontos distante – com um jogo a mais que o Fulham –, o que permite ao Brighton pensar em seu próximo objetivo: inserir-se entre os dez primeiros da Premier League. Difícil? Com certeza. Impossível? Nem tanto. O seu futebol sempre esteve mais próximo da parte de cima da tabela do que da parte de baixo. Agora os resultados também estão.

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Foto de Bruno Bonsanti

Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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