Inglaterra

Com futuro incerto, Rooney fica fora da seleção inglesa e é difícil imaginar que volte

Wayne Rooney é um daqueles prodígios. Surgiu aos 16 anos na Premier League jogando pelo Everton. Pouco depois, aos 17 anos, ele foi convocado pela primeira vez para a seleção inglesa. Ele se tornou o jogador mais jovem a marcar um gol pela seleção naquele mesmo ano, 6 de setembro de 2003, aos 17 anos e 317 dias. Àquela altura, ele já era visto como um jogador acima da média. Por isso, não foi uma surpresa que ele tenha chegado a ser o maior artilheiro da seleção inglesa anos depois.

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Agora, aos 31 anos, Rooney vive provavelmente a sua pior temporada na carreira. Reserva na maior parte do tempo no Manchester United, jogou pouco e está fora da convocação da seleção inglesa para os próximos jogos. Uma ausência que indica que Rooney pode ter encerrado a sua trajetória com a camisa da Inglaterra. São 119 jogos pela seleção Three Lions, com 53 gols. Ele é o recordista em gols pela seleção inglesa.

“Nós temos muitos jogadores jogando excepcionalmente bem na área do campo onde Wayne joga. Eu disse na última vez [em março] que ele estava sem jogos. Ele teve alguns jogos, mas temos jogadores que foram muito, muito bem conosco em Adam Lallana e Dele Alli. Eu não posso falar de outro modo. Outros jogadores estão em fase realmente boa e merecem manter seus lugares”, afirmou Gareth Southgate, treinador da Inglaterra.

Só que Southgate recusou colocar um fim à carreira de Rooney na seleção. E deu um bom exemplo. “Eu mostrei, ao convocar Jermain Defoe aos 34 anos, que se os jogadores estiverem jogando bem e o momento for o certo, então nós iremos convocá-lo. Você nunca descarta um jogador da qualidade de Wayne e eu tenho certeza que, na próxima temporada, ele estará jogando novamente. Ele terminou a temporada um pouco melhor e eu tenho certeza que ele levará isso para o próximo ano”, disse ainda o treinador.

Quem fica com Rooney?

Rooney entrou no final do jogo com o Ajax, quando o placar já apontava 2 a 0. Recebeu a braçadeira de capitão de Antonio Valencia, que era o capitão em campo até ali. Foi Rooney quem levantou o troféu da Liga Europa. Ao que parece, uma homenagem do técnico José Mourinho ao jogador, ídolo do Manchester United. Tudo indica que ele deve deixar o clube na próxima temporada, apesar da sua longa história de 13 anos em Old Trafford.

“Tenho muitas ofertas na mesa, tanto na Inglaterra quanto no exterior, e isso é algo que eu terei que decidir”, afirmou Rooney. “Eu tenho algumas decisões a tomar nas próximas semanas, então eu irei conversar com a minha família e então eu irei decidir. Eu acho que eu tenho que tomar uma decisão em termos de futebol, e isso é o que eu farei, eu farei isso nas próximas semanas com a minha família enquanto eu estou de férias e logo que eu souber o que acontecerá, vocês também saberão”, explicou ainda o capitão do Manchester United.

Rooney jogou 2.415 minutos nesta temporada, somando todas as competições. Comparando com a temporada anterior, a queda é grande. Em 2015/16, ele jogou 3.548 minutos. “Ouçam, primeiro de tudo, eu sempre fui um jogador de grupo”, disse o jogador, ao responder sobre um jogador do seu nível se acostumar a ficar fora o time titular. “Neste ano, eu não abaixei a cabeça nenhuma vez. Eu entendi o que é melhor para o time e eu tentei ajudar quando o técnico me colocou em campo”.

“É claro que eu quero jogar. Eu quero estar em campo, é claro. Se eu fosse mais nove, eu estaria muito mais frustrado. Eu acho que entendo o que é certo e o que é necessário para o clube, e respeito isso. Obviamente eu estou feliz por fazer parte disso e, de alguma forma, ajudar o clube a ganhar títulos e foi assim neste último ano. Esta é a decisão que eu tenho que tomar agora, se continuo fazer isso ou se sigo para jogar mais vezes”, explicou Rooney.

“Eu ainda acredito que eu posso jogar todos os jogos. Se você me perguntar se eu estou jogando melhor agora do que há 10 anos, então obviamente não, mas eu ainda sinto que eu tenho outras qualidades que podem ajudar o time”, disse ainda o camisa 10 do Manchester United.

Rooney, aos 31 anos, reiterou algo que ele já tinha dito antes: só joga por Manchester United e Everton na Inglaterra. “Eu joguei por dois clubes da Premier League e eles são os únicos dois clubes da Premier League pelos quais eu jogaria”, reforçou Rooney. O técnico do Everton, Ronaldo Koeman, já falou sobre a possibilidade de volta do jogador a Goodison Park e deixou as portas abertas.

É difícil pensar em Rooney voltando à seleção inglesa. Com a saída do United parecendo provável, a volta ao Everton parece uma boa opção ao jogador. Ainda mais com a possível saída de Romelu Lukaku, muito desejado por outros clubes. Inclusive ele veste a camisa que poderia ser de Rooney: a 10. Fora da Inglaterra, é difícil imaginar onde Rooney poderia ter mercado. Talvez apenas em times médios dos grandes países europeus ou então um mercado alternativo, como a MLS.

Por tudo isso, é difícil imaginar a volta de Rooney à seleção inglesa. São muitos bons jogadores à sua frente neste momento. Além dos citados Lallana e Dele Alli, como atacante ele também está atrás de muitos outros. Harry Kane e Jamie Vardy, para começar, mas também Marcus Rashford e até o veterano Jermain Defoe parecem estar na frente do jogador na preferência de Southgate. Não é impossível que ele volte. Neste momento, porém, parece difícil imaginar esse cenário.

Técnico projeta confrontos com Escócia e França

São 25 jogadores convocados para os jogos contra a Escócia, pelas Eliminatórias da Copa, e a França, em amistoso. Os jogos serão nos dias 10 e 13 de junho, respectivamente. O jogo contra a Escócia é um clássico britânico que sempre movimenta muito os torcedores. É a rivalidade mais antiga do mundo. Ainda mais valendo pelas Eliminatórias da Copa.

“O jogo contra a Escócia é um dos grandes jogos do futebol. Nós estamos em um lugar no grupo em que uma vitória nos coloca em uma posição muito forte e isso é o que queremos atingir”, disse Gareth Southagate.

“A França é um grande desafio para nós. Nossa ambição com nossos jogos amistosos é jogar com os melhores times possíveis. Nós fizemos isso ao enfrentar Espanha e Alemanha. Eles são times contra os quais queremos nos testar e são grandes oportunidades de aprender e melhorar. Um jogo no Stade de France é uma ocasião brilhante para os jogadores”, disse ainda o técnico da seleção inglesa.

Veja a lista de 25 convocados pelo técnico da Inglaterra:

Goleiros: Jack Butland (Stoke), Fraser Forster (Southampton) e Joe Hart (Torino-ITA), Tom Heaton (Burnley);

Defensores: Ryan Bertrand (Southampton), Gary Cahill (Chelsea), Nathaniel Clyne (Liverpool), Aaron Cresswell (West Ham), Ben Gibson (Middlesbrough), Phil Jones (Man Utd), Chris Smalling (Man Utd), John Stones (Man City), Kieran Trippier (Tottenham), Kyle Walker (Tottenham);

Meio-campistas: Dele Alli (Tottenham), Eric Dier (Tottenham), Adam Lallana (Liverpool), Jesse Lingard (Man Utd), Jake Livermore (West Bromwich), Alex Oxlade-Chamberlain (Arsenal), Raheem Sterling (Man City);

Atacantes: Jermain Defoe (Sunderland), Harry Kane (Tottenham), Marcus Rashford (Man Utd), Jamie Vardy (Leicester).

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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