Inglaterra

Com festival de laterais direitos e Alexander-Arnold, convocação da Inglaterra faz mais sentido para formação com três zagueiros

Southgate justificou a convocação de quatro laterais direitos pela polivalência, o que indica um esquema com três zagueiros na Euro

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Gareth Southgate tinha um dilema incomum: excesso de laterais direitos. Embora não seja a posição mais abundante do mundo, a Inglaterra conta com quatro bons nomes no momento, de diferentes características e estágios de carreira. A principal expectativa antes do anúncio da lista final de convocados à Eurocopa era sobre quem ficaria fora. Ninguém ficou. Southgate decidiu levar todos os quatro, incluindo Trent Alexander-Arnold, o favorito a ser cortado segundo as informações da última segunda-feira.

A loucura não é tão grande quanto parece porque, como o próprio treinador da Inglaterra explicou na entrevista coletiva, Arnold, Reece James, Kieran Trippier e Kyle Walker podem atuar em mais de uma posição. No entanto, a convocação de todos eles é um indicativo de que Southgate deve manter a formação com três zagueiros como a prioritária para a Eurocopa. As alternativas que ele cita não fazem tanto sentido no 4-3-3 ou 4-2-3-1 que ele usou bastante nos últimos dois anos.

“Sim, temos quatro jogadores que às vezes jogam de lateral direito pelos seus clubes, mas Kieran está jogando como ala direito também. Reece James tem jogado no lado direito de três (zagueiros) ou como ala direito. Trent joga como lateral direito, e Kyle Walker, como vocês sabem, foi zagueiro pela direita para nós e também jogou como lateral esquerdo durante uma partida pela Dinamarca”, explicou.

“Reece James também jogou no meio-campo contra o Aston Villa. Basicamente, todos eles estão no time porque são bons jogadores e, se eu pudesse ter escolhido cinco ou seis laterais direitos, eu provavelmente o teria feito”, completou, brincando. Claro.

O time com três zagueiros, geralmente com dois meias centrais e três jogadores de ataque, chegou às semifinais da última Copa do Mundo. Southgate buscou variações na edição inaugural da Liga das Nações e nas Eliminatórias para a Eurocopa, entre o 4-3-3, com volantes como Declan Rice e Eric Dier que podem compor a zaga, e o 4-2-3-1, com dois meias mais de contenção. Voltou a ter um trio mais claro na segunda Liga das Nações antes de começar as Eliminatórias da Copa do Mundo com linha de quatro. Também manteve Rice no meio-campo nessas partidas, o que significa que raras vezes abriu mão completamente da estrutura anterior. Era uma opção à qual poderia recorrer imediatamente dependendo do que a partida pedia.

A convocação, porém, sinaliza um 3-4-3 ou 3-5-2 mais fixo, digamos assim. Walker foi o zagueiro pela direita do trio em cinco dos sete jogos do Mundial, e James também fechou aquele lado pelo Chelsea de Thomas Tuchel protegido por outros dois jogadores. Eric Dier, o que está mais acostumado a fazer essa transição entre terceiro zagueiro e volante, não foi convocado. A polivalência dos outros dois é mais ofensiva, o que permite uma variação inversa. Por exemplo, Arnold pode entrar pelo meio-campo, com Walker ou James abrindo a linha de quatro. Trippier chegou a atuar também pela esquerda, como lateral ou ala.

E se Soutghate projeta usar alguns dos laterais direitos na zaga, é difícil projetar que o acompanhe com apenas um jogador natural da posição. John Stones precisa jogar, pela temporada fantástica que fez pelo Manchester City, e Harry Maguire, embora retornando de lesão, é uma liderança importante, além de essencial na bola parada. Outro convocado é Conor Coady, que convenceu Southgate atuando em um esquema com três zagueiros no Wolverhampton. O quarto do setor é Tyrone Mings.

Alexander-Arnold teve suas melhores temporadas entre a Copa do Mundo e o começo da anterior, quando, ao lado de todo o time do Liverpool, caiu bruscamente de rendimento. Foi de nome certo na Eurocopa a praticamente descartado até se recuperar e contribuir com a arrancada que garantiu vaga aos Reds na Champions League. James passou a ser convocado em outubro do ano passado e teve uma temporada de afirmação no Chelsea, a ponto de ser titular na final da Champions League. Trippier desempenhou um papel no título espanhol do Atlético de Madrid e é letal nas bolas paradas, principal arma ofensiva da Inglaterra. Walker tem histórico como esse terceiro zagueiro pelo lado direito e também vem de boa campanha, embora não tenha sido tão utilizado na sequência de vitórias que encaminhou o título do Manchester City na Premier League.

Na outra lateral, Southgate confirmou o renascido Luke Shaw e o campeão europeu Ben Chillwell, com a opção de deslocar Trippier para lá ou usar o jovem Bukayo Saka, oficialmente convocado como um dos atacantes. Apesar de não atuar pelo Liverpool desde fevereiro, Jordan Henderson foi convocado como um dos meias. Southgate comentou que tanto ele quanto Maguire ainda precisam de tratamento para se recuperar dos problemas físicos recentes, mas entraram pela expansão do limite de jogadores para 26 e porque são “personalidades fantásticas”.

A presença do capitão do Liverpool tirou a vaga de James Ward-Prowse, principal nome do Southampton. Os outros jogadores da posição foram Declan Rice, Kavlin Phillips e o garoto Jude Bellingham, de 17 anos, que teve vários momentos de destaque pelo Borussia Dortmund. Mount também pode jogar como um dos meias centrais caso Southgate queira ser um pouco mais ousadinho, mas deve ocupar um terreno mais à frente. Já foi até ponta esquerda recentemente e, em ótima fase, precisa começar jogando.

Dominic Calvert-Lewin será o reserva de Harry Kane, e Jack Grealish foi premiado pelo que tem feito com a camisa do Aston Villa na Premier League. Sua primeira convocação chegou em setembro. Embora tenha feito apenas cinco jogos e perdido a data Fifa de março por lesão, foi mantido entre os jogadores de ataque, que também incluem Marcus Rashford, Raheem Sterling, Phil Foden e Jadon Sancho.

Confira a convocação da Inglaterra:

Goleiros: Dean Henderson (Manchester United), Jordan Pickford (Everton), Sam Johnstone (West Brom)

Defensores: John Stones (Manchester City), Luke Shaw (Manchester United), Harry Maguire (Manchester United), Trent Alexander-Arnold (Liverpool), Kyle Walker (Manchester City), Tyrone Mings (Aston Villa), Reece James (Chelsea), Conor Coady (Wolverhampton), Ben Chilwell (Chelsea), Kieran Trippier (Atlético de Madrid-ESP)

Meias: Mason Mount (Chelsea), Declan Rice (West Ham), Jordan Henderson (Liverpool), Jude Bellingham (Borussia Dortmund-ALE), Kalvin Phillips (Leeds)

Atacantes: Harry Kane (Tottenham), Marcus Rashford (Manchester United), Raheem Sterling (Manchester City), Dominic Calvert-Lewin (Everton), Phil Foden (Manchester City), Jack Grealish (Aston Villa), Jadon Sancho (Borussia Dortmund-ALE), Bukayo Saka (Arsenal)

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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