Inglaterra

Clubes não cumprem metas de diversidade na Inglaterra, e federação adota medida obrigatória

Terceiro ano do Código de Diversidade de Liderança no Futebol foi decepcionante, segundo o diretor executivo da FA; clubes como Liverpool, Manchester City e Manchester United não cumpriram o acordo

O terceiro ano do Código de Diversidade de Liderança no Futebol (FLDC), acordo estabelecido voluntariamente entre a Federação Inglesa de Futebol (FA) e 56 clubes da Premier League, Liga Inglesa de Futebol, Superliga Feminina e Campeonato Feminino, não alcançou nenhuma das metas anuais estipuladas. 

Segundo Mark Bullingham, diretor executivo da FA, disse que o progresso foi “mais lento do que o esperado”. O mandatário admitiu estar muito decepcionado com os resultados e anunciou que, a partir de 2024, todos os clubes das quatro principais divisões do futebol masculino e dos dois primeiros do futebol feminino serão obrigados a publicar dados sobre a composição do seu corpo de trabalho.

Algumas das equipes conseguiram mostrar um bom desempenho, casos do Fulham, Walsall e West Bromwich Albion. No entanto, foram os únicos clubes que conseguiram atingir todas as metas. Grandes clubes como Liverpool, Manchester City, Manchester United e Newcastle só cumpriram, no máximo, uma das cotas de inclusão e diversidade.

Por outro lado, as entidades ligadas à federação local, à Liga Inglesa de Futebol e à Premier League cumpriram todos os objetivos acordados no FLDC pelo segundo ano consecutivo. 

Neste cenário de números inexpressivos coletivamente, o diretor disse que serão necessárias mudanças radicais. 

– O código foi o início para o futebol profissional adotar uma abordagem mais aberta e responsável para diversificar a sua força de trabalho e todos concordamos que, para aumentar a taxa de progresso, precisamos voltar a evoluir novamente. 

Um dos cofundadores da FLDC, Paul Elliott, elogiou a postura dos órgãos dirigentes do Reino Unido por colocarem a necessidade de mudança na pauta de diversidade como prioridade. 

– Estamos mudando a cultura. Há anos o futebol funciona apenas em seu livro de segredos. A transparência é fundamental e dou crédito ao futebol por aceitar isso. A comunicação obrigatória de dados da força de trabalho é o próximo passo natural no que sempre seria um processo de longo prazo. O futebol está evoluindo e precisa de mais sensibilidade para desenvolver. 

Como funciona o Código de Diversidade de Liderança no Futebol? 

O Código de Diversidade de Liderança no Futebol (FLDC), lançado em 2020, estabelece metas em quatro áreas de recrutamento e contratação no futebol: cargos de liderança, gerenciamento de operações das equipes, treinamento no futebol masculino e treinamento no futebol feminino.  

Os números dos 12 meses anteriores mostraram que os clubes não conseguiram alcançar o sucesso em nenhuma categoria de inclusão étnica. Mas existem outros grupos previstos neste código, como o de gênero.

As metas de recrutamento passam por vários níveis, desde o executivo e abrangem, inclusive, as comissões técnicas e áreas derivadas (departamento médico e etc). É exigido que 15% dos novos contratados para cargos de liderança sejam negros, asiáticos ou miscigenados, e outros 30% sejam de mulheres. Para os cargos de treinamento em equipes masculinas, por exemplo, o objetivo era ter cerca de 25% de negros, asiáticos e pessoas de outros grupos étnicos. A porcentagem chegou a 16% apenas. 

Foto de Livia Camillo

Livia Camillo

Formada em jornalismo pelo Centro Universitário FIAM-FAAM, escreve sobre futebol há cinco anos e também fala sobre games e cultura pop por aí. Antes, passou por Terra, UOL, Riot Games Brasil e por agências de assessoria de imprensa e criação de conteúdo online.
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