Clássicos do “interior” na Premier League

A tabela do Campeonato Inglês deste ano é caprichosa. Na mesma rodada, no fim de março, aconteceram o clássico entre Manchester United e Liverpool e o importante duelo entre Chelsea e Arsenal. Em fevereiro, o dérbi de Manchester foi realizado no mesmo dia de Chelsea x Liverpool. E, neste fim de semana, também houve dois clássicos, embora com muito menos destaque. Aston Villa e Birmingham se enfrentaram pela 115ª vez na história, enquanto Newcastle e Sunderland fizeram uma partida que vinha sendo muito aguardada.
É óbvio que esses dois clássicos não tiveram a importância para o campeonato de duelos como o Manchester United x Arsenal da semana passada. Mas, para os times envolvidos, as partidas significavam muito. Esse tipo de jogo revela um aspecto no qual o Campeonato Inglês é imbatível: a paixão da torcida dos times de menor porte.
Sim, porque, para o torcedor do Newcastle, a vitória por 2 a 0 sobre o Sunderland no domingo praticamente valeu a temporada e deixa os torcedores eufóricos com as perspectivas para o trabalho de Kevin Keegan para 2008/9. E olha que os Magpies nem jogaram bem – com exceção de Michael Owen, autor de dois gols e que vem mostrando grande futebol nas últimas semanas.
A vitória põe o Newcastle no auge de uma curva que parece a de um paciente que sofre de transtorno bipolar: depois de uma depressão profunda nas nove primeiras partidas sob o comando de Kevin Keegan (0 vitórias, 3 empates, 6 derrotas), agora o time acumula quatro vitórias e um empate nos últimos cinco jogos.
Já com o Sunderland acontece o oposto: faz uma temporada regular, sem grandes altos e baixos, bem dentro daquilo que se espera de um time recém-promovido. Apesar da insípida derrota no clássico, ninguém deverá reclamar muito dos comandados de Roy Keane. Afinal, safar-se da degola já está de bom tamanho – para esta primeira temporada.
No outro clássico, o contraste entre os rivais é ainda maior e se reflete perfeitamente no placar de 5 a 1. De um lado está um Aston Villa em ótima fase, que vive um de seus melhores momentos em sua melhor temporada dos últimos 11 anos. O time marcou 15 gols nos últimos três jogos, conseguiu a maior vitória sobre o rival nos últimos 10 anos e ainda encostou no Everton – a três pontos de distância, voltou a ter condições de sonhar com a Copa Uefa.
O Birmingham, por sua vez, está em baixa. Com problemas internos e há meses num confuso processo de venda que não termina nunca, o time não conseguiu se acertar e voltou à zona de rebaixamento com a derrota no clássico (a quarta seguida contra o Villa). Ainda há chances de salvação, mas os fracassos no dérbi mostram quão insípida é a situação dos Blues. Neste clássico, a vitória é do Aston Villa, em todos os aspectos.
A briga pela Copa Uefa
Há um mês, o Everton estava disputando palmo a palmo com o Liverpool uma vaga na próxima Liga dos Campeões. Algumas semanas difíceis depois, o time de David Moyes se encontra seriamente ameaçado de não conseguir ir nem para a Copa Uefa. A três rodadas do final, os Toffees têm Aston Villa e Manchester City em seus calcanhares – isso sem falar no Portsmouth, que deve ganhar a vaga pela FA Cup.
O jogo-chave para definir quem vai para a Copa Uefa acontecerá na próxima rodada, quando Everton e Aston Villa se enfrentam. Uma vitória do time de Birmingham deixaria as duas equipes empatadas, com uma diferença pequena no saldo de gols. Nas duas últimas rodadas, o Villa tem uma tabela fácil, contra Wigan e West Ham (que praticamente só jogam para cumprir tabela). Já os Toffees terão adversários mais perigosos: o Arsenal, que não tem grande motivação mas é um time forte, e o Newcastle, que vem em grande fase.
Se os dois bobearem, ainda pode sobrar para o Manchester City. Se o Villa bater o Everton, o time se Sven Goran Eriksson ficaria a apenas três pontos dos dois – desde que ganhe do desesperado Fulham. Depois, vêm partidas contra Liverpool e Middlesbrough, que, a essa altura, só jogarão para cumprir tabela. Está difícil, mas ainda dá para a equipe manter a motivação.



