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City nem precisou jogar seu melhor para passear em Wembley e ser campeão da Copa da Liga

O Manchester City desta temporada ficará marcado na história do futebol inglês, isto é fato. A campanha arrasadora na Premier League se encaminha à memória e a confirmação da conquista é questão de tempo. O desafio ao time de Pep Guardiola neste momento é o que consegue fazer além. Não terá 100% de aproveitamento nas competições que disputou, após a surpresa causada pelo Wigan na Copa da Inglaterra. Apesar disso, os Citizens garantem a primeira taça de 2017/18, com seu quinto título na Copa da Liga Inglesa. A decisão em Wembley nem teve tanta graça: o apático Arsenal se tornou presa fácil aos celestes, com a vitória por 3 a 0 construída de maneira inapelável. É a primeira faixa no peito e o primeiro pôster do esquadrão.

Tanto Guardiola quanto Arsène Wenger entraram em campo com o melhor à disposição. As únicas exceções nas equipes apareciam no gol, com Claudio Bravo e David Ospina assumindo a meta, como ocorre nas copas nacionais. O City vinha com uma formação técnica, a se destacar as opções de David Silva, Kevin de Bruyne e Ilkay Gündogan. Já o Arsenal se formou no 3-4-3, com trinca ofensiva composta por Pierre-Emerick Aubameyang, Mesut Özil e Jack Wilshere. Não funcionaria muito para os Gunners, com uma falta de vontade contagiosa.

Apesar do controle do jogo desde os primeiros minutos, o Manchester City precisou contar com Claudio Bravo. O goleiro fez uma grande defesa aos sete, nos pés de Aubameyang, evitando o primeiro gol do Arsenal. Assim, coube aos celestes insistirem. E nem precisaram esperar tanto assim para ficar em vantagem. Aos 18 minutos, abriram o placar. Bravo cobrou um tiro de meta, Shkodran Mustafi vacilou na marcação e Sergio Agüero partiu livre. Na saída de Ospina, o argentino deu um sutil toque por cobertura, vencendo o goleiro. Pintura.

O domínio seguia com o City, que nem precisava ser tão vertical para encurralar o Arsenal. A movimentação de Leroy Sané e Agüero eram importantes, mas as chances de gol não eram tão numerosas. Enquanto isso, os Gunners apostavam nos contra-ataques, sem ameaçar a zaga adversária. A linha defensiva dos celestes, aliás, tinha grande atuação, especialmente Vincent Kompany – que será tema de outro texto neste domingo. E se a situação não era favorável aos londrinos, o time ainda ficou sem Nacho Monreal antes do intervalo, o que levou Wenger a mudar a disposição tática com a entrada de Sead Kolasinac.

O segundo tempo também não começou bem ao Manchester City. Guardiola perdeu Fernandinho, sofrendo uma lesão muscular na coxa. Sem um jogador que supra totalmente a função do brasileiro em campo, o treinador resolveu alterar a disposição da equipe, com a entrada de Bernardo Silva e o recuo de De Bruyne (que começou mais aberto pelo lado direito) ao meio. Há uma clara preocupação às próximas semanas. Mas ao menos ela não trouxe problemas neste domingo.

O Arsenal só teve oportunidade de empatar em uma malfadada saída de Bravo, que se recuperou a tempo. E o City não daria mais chances aos 13, quando anotou o segundo gol. De Bruyne cobrou escanteio rasteiro para a entrada da área, Gündogan bateu de primeira e Kompany desviou no meio do caminho, coroando a sua noite. Já aos 20, David Silva fechou a conta. Em boa trama coletiva, Danilo avançou e serviu o espanhol, que girou sobre a marcação, antes de chutar cruzado. A torcida começava a gritar olé e os Citizens preferiram não contrariá-la, trocando passes e colocando o Arsenal na roda, mas de novo sem acelerar. Deu tempo para Gabriel Jesus voltar a campo após quase dois meses parado. Não fez muito além de se estranhar com Wilshere. Naquele momento, porém, os mancunianos já pensavam em comemorar.

O Arsenal viveu o retrato de uma temporada que segue desanimadora, apesar das contratações de peso. Com a luta pelo Top Four cada vez mais distante, a tábua de salvação será a Liga Europa. Já o Manchester City nem precisou exibir seu melhor para se consagrar. Fatura um título de pouca relevância, mas que pode dar amplitude quando, no futuro, olharem o domínio do time de Pep Guardiola. O objetivo agora é buscar os recordes na Premier League e dar um passo além na Liga dos Campeões. Nas próximas horas, no entanto, os jogadores merecem uma colher de chá e o descanso para festejar.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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