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Choque de realidade no Leicester: do título à briga contra o rebaixamento

O ano de 2016 foi um sonho para o Leicester. Conquistar o título da Premier League de forma tão imponente como aconteceu é algo que entrou na história com um capítulo inesquecível. O sonho de lutar de igual para igual com os grandes e vencer é um prato delicioso. Mas a realidade bateu à porta. Depois do sonho, os últimos seis meses do ano, a primeira metade da temporada, tem sido bem mais difícil, ao menos na liga inglesa. Na temporada passada, o time era um dos favoritos ao rebaixamento e foi campeão; desta vez, estava longe dos favoritos a cair, mas esta tem sido a sua batalha: evitar a queda.

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O Leicester ocupa a 16ª posição na tabela da Premier League, três pontos acima do Sunderland, 18º e primeiro time na zona do rebaixamento. A glória da taça ficou para trás. O time teve uma boa participação na fase de grupos da Champions League, mas o mata-mata é só em fevereiro. Até lá, tem muita bola para rolar no Campeonato Inglês. E o risco do rebaixamento é real.

“Eu esqueci 2016 agora”, afirmou Claudio Ranieri, favorito ao prêmio de melhor técnico do ano no prêmio da Fifa, em janeiro. “Dia 31 de dezembro, West Ham. Minha mente está apenas nisso. West Ham é a minha vida agora, tudo mais é passado. Apenas o futuro é importante agora e eu espero que meus jogadores pensem o mesmo”.

Antes, a sala de imprensa do Leicester estava lotada para acompanhar a loucura da campanha dos Foxes. Agora, só alguns jornalistas acompanham, mas da imprensa local e das emissoras que transmitem a Premier League na Inglaterra. “Nós fizemos os primeiros seis meses inacreditáveis do jeito certo”, afirmou Ranieri. “Mas os outros seis meses? Bem, eles foram inacreditáveis do outro jeito”.

“Quando tudo vai bem, tudo é o bom o suficiente”, ele afirmou. “Mas eu quero ver o homem forte. Nesta situação, é importante gerir. Quando tudo está certo, há um tipo de psicologia. Quando tudo está errado, meu trabalho é apoiar os jogadores – e me assegurar que eles reajam e mostrem que são fortes”, confirmou.

“Para nós, é importante virar o turno com 20 pontos. Nós temos 17 pontos, mas temos que virar o turno com 20 pontos. Contra o West Ham, nós temos que vencer. Nós temos que vencer”, declarou o técnico. Depois de 18 jogos na temporada passada, o Leicester era líder com 38 pontos, apesar da derrota por 1 a 0 naquele Boxing Day para o Liverpool.

Na arrancada do Leicester na temporada passada, Ranieri falava em conseguir os pontos para garantir a permanência na primeira divisão, mesmo sendo líder. Um discurso pé no chão para um time que, em tese, brigava por isso mesmo. O título foi além das expectativas. Nesta temporada, porém, o choque de realidade pede a mesma cautela da temporada passada, já que o mesmo número de pontos será difícil.

O Leicester terá uma sequência pesada, como os times ingleses em geral. No dia 31, sábado, enfrenta o West Ham. Na segunda-feira, dia 2, enfrenta o Middlesbrough. No sábado seguinte, dia 7, joga com o Everton.

Ranieri precisa de muitas pizzas e fazer o time retomar um pouco do desempenho da temporada passada. Só para não passar por sustos que transformem o fim da temporada em um pesadelo. Justamente quando não se esperava que o time teria que brigar contra o descenso.

Foto de Felipe Lobo

Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!). Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009, onde ficou até 2023.

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