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Chelsea jogou como quis e deu aula defensiva contra o United

Praticamente todos os torcedores preferem ver seu time com um futebol ofensivo, de encher os olhos, de placares largos. Nem sempre isso é possível. Às vezes, nem é o objetivo de seu técnico, e não há problema algum nisso. José Mourinho teve a partida na mão, e o Manchester United não foi capaz de quebrar a estratégia do português. O 1 a 0 tranquilo para os Blues, garantido por Hazard, foi a prova de que partir para cima e propor o jogo não é a única resposta para qual a melhor maneira de se buscar um resultado.

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Desde o início, o Chelsea “deu” a posse de bola para o United, deixou que o adversário propusesse a partida. E não sejamos injustos, o time de Van Gaal teve um bom desempenho. Com o desfalque de Blind, Carrick, Jones e Rojo, era de se esperar que o nível dos últimos jogos não fosse mantido, sobretudo pela ausência do lateral esquerdo holandês e do meia inglês. Entretanto, pelo menos na hora de conduzir e criar, Herrera, Mata e Rooney deram conta de fazer um bom trabalho. O problema era mesmo quando chegava próximo ao terço final do campo. A compactação entre as linhas dos Blues era incrível. Poucos metros a separavam, e a sensação era de que era impossível o United penetrar na defesa.

Mesmo dono da bola na maior parte do tempo, o time de Manchester basicamente não criou chances reais de gol. A melhor delas saiu dos pés de Rooney, antes dos primeiros dez minutos. O chute do camisa 10 passou tão perto de entrar e balançou a rede de tal forma que enganou muita gente. Mas aquilo foi o mais próximo de um gol a que os Red Devils chegaram.

Na contrapartida do domínio da bola e das subidas do United, o Chelsea expôs em seus primeiros contragolpes o quão desorganizada estava a defesa do adversário. O time de José Mourinho observava e observava a troca de passes enquanto se fechava em seu campo e, quando avançava, chegava rapidamente ao gol de De Gea, sem muita resistência dos defensores. Em um desses lances, a inteligência de Oscar e o poder de decisão de Hazard definiram o duelo. O brasileiro soltou-se da marcação, atraiu Smalling e tocou de calcanhar para o belga, que subia pela esquerda. O camisa 10 então esperou a definição de De Gea e bateu entre as pernas do espanhol para fazer 1 a 0.

Entre o gol, que aconteceu aos 37 do primeiro tempo, e a metade da segunda etapa, o Chelsea aumentou ainda mais a impressão de que fazia a partida que queria, atraindo o United para sua armadilha, mas sem se arriscar nem um pouco. Os Red Devils passaram praticamente todo o jogo com linha defensiva muito avançada e vulnerável a contra-ataques. Com a facilidade de subir ao último terço em quase todos os lances em que se propunha a fazer isso, a equipe de Mourinho conduziu com tranquilidade os minutos restantes do jogo.

Van Gaal tentou salvar o jogo, colocando Di María e Januzaj no lugar de Young e Mata. Alguma mudança precisava ser feita, já que mais de uma hora de bola rolando havia se passado, e nada de Courtois ser verdadeiramente ameaçado. A entrada da dupla dinamizou um pouco mais o setor ofensivo do time, mas também não fez lá grande coisa pelo objetivo de buscar o empate.

No fim, a impressão é de que, na medida do possível, o jogo foi bom para os dois lados. Para o Manchester, por mostrar que o esquema encontrado por Van Gaal mantém a regularidade mesmo com a troca de peças. Para o Chelsea, por motivos muito mais evidentes: o pragmatismo e a solidez defensiva mais uma vez renderam o resultado necessário.

Você pode não ser fã de um time defensivo. Pode lamentar que uma equipe com atletas como Oscar, Hazard, Drogba e Fàbregas termine o jogo com 30% de posse de bola e poucos ataques. Mas a preferência pessoal não pode anular o fato de que este é um método de jogo tão válido quanto um suicida. Como Van Gaal falou após a partida, o importante é o resultado, e nisso ninguém teve mais sucesso que o precavido Chelsea de Mourinho. O terceiro título de Premier League para o português está a caminho. Ele pode não fazer o jogo que o torcedor gostaria de ver, mas faz aquele de que seu time precisa.

Foto de Leo Escudeiro

Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

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