Cartuchos queimados
/https%3A%2F%2Fmedia.trivela.com.br%2Fmain%2F2023%2F04%2FTrivela-Imagem-Padrao.jpg)
Três clássicos em casa, apenas um ponto. O retrospecto do Chelsea de Felipão nesse início de Premier League começa a preocupar. Ainda que o time seja líder do campeonato (pelo menos até o Liverpool jogar contra o West Ham nesta segunda), já começa a ficar clara a falta de consistência dos Blues em jogo importantes. Nada que ponha o cargo do técnico em risco imediato, mas não é recomendável gastar os créditos ainda na primeira metade da temporada. Eles podem ser necessários na reta final.
O próprio Scolari admitiu depois da derrota para o Arsenal neste domingo: pior que perder em casa é o fato de o time não estar jogando bem. E essa é a constatação mais incômoda. Se o Chelsea estivesse apresentando um bom futebol e as derrotas para Liverpool e Arsenal em casa tivessem sido obras do acaso, tudo bem. Mas os Blues têm crônicas dificuldades para tomar a iniciativa, sobretudo contra adversários mais fortes e encontros de mais responsabilidade.
Era o caso do dérbi londrino contra o Arsenal. Ainda que os Gunners tenham ficado para trás na classificação, esse jogo ainda é considerado um confronto direto pelo título. Considerando ainda que o Manchester United havia vencido seu dérbi local contra o Manchester City, era fundamental para o Chelsea derrotar o time de Ashburton Grove para mostrar força e evitar uma aproximação dos Red Devils na classificação.
Felipão montou o Chelsea do modo convencional: com dois laterais ofensivos, um volante fixo protegendo uma linha de quatro meias. Com o tal volante, Obi Mikel, tinha uma atuação muito boa, o time se sentia seguro para avançar. No primeiro tempo, o Chelsea dominou com jogadas pelas laterais que incomodavam o Arsenal. Não chegou a ser uma supremacia grande, mas o suficiente para fazer o 1 a 0 do intervalo ser justo.
No segundo tempo, os Blues continuavam bem até Van Persie empatar em uma jogada irregular (o holandês estava impedido). No lance seguinte, novo gol de Van Persie. Em três minutos, a vantagem do Chelsea ruía. É verdade que o árbitro contribuiu para isso, mas os azuis jogavam em casa e têm elenco para buscar nova igualdade.
Isso acabou não acontecendo. E de um modo que evidenciou ainda mais os problemas de Felipão. O técnico tirou Obi Mikel para ter um meio-campo mais ofensivo, mas perdeu a estabilidade na marcação e o time perdeu o duelo no setor. Para piorar, Deco e Lampard estiveram em tarde apagada. Malouda e o garoto Stoch entraram e o Chelsea se desarrumou ainda mais.
Enquanto isso, o Arsenal não jogava particularmente bem. Nasri e Fàbregas estiveram pouco inspirados. Adebayor fez sua parte, mas não foi brilhante. Denílson jogou bem dentro do possível, pois estava fora de posição. Mesmo com tudo isso, os Gunners venceram em Stamford Bridge.
Nesse aspecto, é sintomático que a queda diante do Arsenal veio dias depois de o Chelsea completar sua segunda partida seguida sem vitória na Liga dos Campeões: derrota por 3 a 1 para a Roma e empate por 1 a 1 contra o Bordeaux. Dois jogos fora de casa, mas contra adversários, no mínimo, acessíveis.
Os Blues não têm consistência e vibração. Parece um time apático que aceita com rapidez as dificuldades que a partida apresenta. Justamente o oposto das equipes que Felipão historicamente monta. Se continuar assim, o trabalho do brasileiro será contestado. E ele nem terá alguns grandes resultados para apresentar como resposta.
A molecada ganhou
Quando Gallas deu entrevista revelando graves problemas no elenco do Arsenal, ficou evidente que havia uma disputa velada entre a velha guarda e os jovens do time. Uma rixa que se simbolizava no próprio Gallas e no holandês Van Persie. Nessa briga, Arsène Wenger parece ter tomado um lado. E, como seria de se esperar pelo seu modo de ver o futebol, preferiu quem dá beleza e fluidez ao jogo dos Gunners.
O principal sinal disso foi a escolha do novo capitão. Gallas ficou sem força depois de expor o elenco ao público. Seus substitutos imediatos seriam Kolo Touré (vice-capitão) e Almunia (segundo vice-capitão). Mas o técnico preferiu deixar de lado o protocolo e ignorou essa hierarquia: designou Fàbregas para o cargo. Nesse momento, Wenger deixou evidente que estava do lado da molecada.
Na primeira partida com esse cenário, o Arsenal esteve longe de jogar bem. Foi desconcentrado e sofreu para ganhar por 1 a 0 do Dynamo de Kiev pela Liga dos Campeões. Gallas retornou nesta partida e teve uma atuação tenebrosa, com falhas injustificáveis – e azares incríveis, nos quais ele não teve culpa.
O segundo jogo com Fàbregas de capitão foi contra o Chelsea. O espanhol não jogou bem, mas Van Persie se mostrou particularmente motivado e inspirado. A ponto de fazer os dois gols dos Gunners na importante vitória.
Óbvio que a mudança de capitão não vai alterar todo o andamento do Arsenal na temporada. Só serve como uma mostra de que lado Wenger prefere ficar. O que obrigou Gallas a recolher suas armas e a entender que ele não manda tanto quanto achava.