Futebol inglês

Cartão de visitas de respeito

Luiz Felipe Scolari sabe que conquistar a Liga dos Campeões não será seu único objetivo à frente do Chelsea. Roman Abramovich faz questão de ver seu time vencendo também na Premier League e jogando bonito – algo que ainda não ocorreu, pelo menos com alguma regularidade, desde que ele adquiriu o clube em 2003. A julgar pela estréia oficial do treinador brasileiro, no último domingo, o bilionário russo tem motivos para ficar esperançoso.

Diante de sua torcida, os ‘Blues’ fizeram 4 a 0 em um Portsmouth que havia realizado campanha acima das expectativas na temporada passada. Bastou um ótimo primeiro tempo, com três gols, para selar a empatia entre Scolari e o público de Stamford Bridge.

A formação titular do Chelsea tinha dois dos reforços contratados para esta temporada – Bosingwa e Deco – e ambos tiveram atuações destacadas.

Bosingwa foi uma ameaça constante na lateral-direita, aproveitando o corredor aberto por um meio-campo compactado na faixa central. Sobre as dúvidas a respeito de sua capacidade defensiva, será necessário esperar as próximas partidas, já que o Portsmouth pouco exigiu.

A primeira impressão de Deco foi ainda melhor. O segundo gol, marcado por Anelka, saiu dos pés do meia luso-brasileiro, que ainda fechou a goleada no segundo tempo – com uma valiosa colaboração do goleiro David James. Além de participar dos gols, o ex-barcelonista foi mais uma opção de toque refinado e mostrou capacidade para variar o ritmo das trocas de passes na criação ofensiva.

A participação de Anelka também merece destaque. Depois de perder o pênalti decisivo na Liga dos Campeões, sem parecer se importar muito, o francês parece mais comprometido. Fez uma boa pré-temporada e, contra o Portsmouth, até desempenhou funções táticas, compondo o meio-campo quando trocava de posição com Joe Cole.

É preciso colocar a atuação do Chelsea em perspectiva, especialmente se considerarmos que o Portsmouth se propôs a fechar os espaços e sair nos contra-ataques, mas não fez nem uma coisa, nem outra. De qualquer forma, é impossível não destacar o resultado, já que Arsenal e Liverpool obtiveram vitórias magras e o campeão Manchester United tropeçou ao empatar em casa com o Newcastle.

Os problemas se acumularam para Alex Ferguson antes da estréia. Ele já não contava com Cristiano Ronaldo, que se recupera da cirurgia no joelho, e ainda teve de abrir mão de Anderson, que disputa a Olimpíada pelo Brasil, e Carlitos Tevez, que viajou à Argentina por motivo de luto familiar. Para piorar, Carrick saiu machucado no primeiro tempo (tornozelo, três semanas de baixa) e Giggs no segundo.

Os brasileiros Rodrigo Possebon e Rafael da Silva entraram na etapa final – o que prova a escassez de opções. A primeira rodada do campeonato não era exatamente a melhor ocasião para eles ganharem experiência. O mesmo discurso vale para a presença de Frazier Campbell no ataque, o que justifica o desespero dos ‘Red Devils’ em acabar rapidamente com a novela da contratação de Berbatov.

Tudo isso serve como atenuante para o resultado diante do Newcastle, mas os atuais campeões sabem que terão de se recuperar já na próxima rodada, na visita ao Portsmouth. O time não joga no fim de semana seguinte pela Premier League, por causa da Supercopa Européia, e após retornar terá um compromisso difícil fora de casa contra o Liverpool. Sinais de que o time pode ter de correr atrás na tabela desde o início.

Abismo

O Tottenham é a resposta quase unânime à pergunta “Quem tem mais chances de roubar uma vaga dos quatro grandes na Liga dos Campeões?”, mas o começo de temporada não foi nada animador. Perder para o Middlesbrough, ainda que fora de casa, depõe contra as pretensões dos Spurs.

Harry Redknapp, técnico do Portsmouth, comentou assim o resultado: “Não dá para se infiltrar entre os quatro primeiros. Este ano, ninguém vai. O Tottenham tem um bom elenco e não consegue nem vencer o Middlesbrough, então já podemos esquecer deles”.

Talvez a melhor opção para o Tottenham seja vender Berbatov – que, insatisfeito, começou no banco e só entrou aos 20 do segundo tempo – e usar o dinheiro para buscar um novo atacante para fazer companhia a Darren Bent. O búlgaro, criticado pelos torcedores, se tornou mais problema do que solução para Juande Ramos.
 

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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