Inglaterra

Braço direito de Abramovich e uma das mulheres mais poderosas do futebol, Marina Granovskaia também deixa o Chelsea

A diretora conduziu o dia a dia do Chelsea nos últimos dez anos, sem nunca sair dos bastidores e com uma reputação fabulosa

De assistente pessoal de Roman Abramovich a uma diretora de futebol considerada por muitos como a melhor do futebol europeu, entre homens ou mulheres, Marina Granovskaia ganhou a reputação de ser uma rígida negociadora e conduziu o dia a dia do Chelsea durante quase uma década, mas a história da sua meteórica ascensão terminou nesta quarta-feira, quando o clube anunciou sua saída.

Era esperado, mera questão de tempo. A semana é de reformulação na diretoria do Chelsea, que também trocou o presidente Bruce Buck por Todd Boehly, o rosto ao público do consórcio que comprou o clube do oeste de Londres de Abramovich. Boehly também será o diretor de futebol interino por enquanto. Granovskaia prometeu ficar disponível até o fim da janela de transferências para ajudar a guiar o novato pelos meandros das negociações do futebol.

O Chelsea anunciou a formação do seu novo conselho. Além de Boehly, que o presidirá, o órgão será composto pelos co-fundadores da Clearlake Capital, empresa de investimentos que ajudou a financiar o negócio, Behdad Eghbali e José E. Feliciano, o outro dono do Los Angeles Dodgers, Mark Walter, o bilionário suíço, Hansjörg Wyss, o bilionário britânico do ramo imobiliário, Jonathan Goldstein, a executiva de Relações Públicas, Barbara Charone, o jornalista e parlamentar conservador, Daniel Finkelstein, e James Pade, diretor da Clearlake.

Abramovich foi forçado a se livrar do brinquedo que adquiriu em 2003 por causa da sua proximidade com Vladimir Putin, que iniciou uma invasão à Ucrânia no fim de fevereiro. E também seria natural que a nova administração se livrasse das pessoas mais próximas de Abramovich e poucas são tanto quanto Granovskaia, que se tornou efetivamente a representante do bilionário russo dentro do clube e trabalha com ele desde os tempos de Sibneft, a companhia de petróleo que Abramovich comprou em leilão por US$ 250 milhões em 1995 e devolveu ao Estado russo dez anos depois por US$ 13 bilhões.

Àquela altura, Abramovich já havia comprado o Chelsea e levado Granovskaia consigo, uma russa-canadense que se formou na Universidade de Moscou em 1997 e imediatamente começou a trabalhar na empresa do bilionário. Ela começou repetindo seu papel de assistente pessoal, reservando restaurantes, ajeitando a agenda, mas rapidamente ganhou uma importância muito maior.

Um perfil sobre ela na The Athletic conta que o provável divisor de águas foi em 2009. Didier Drogba havia tido problemas com Luiz Felipe Scolari e não melhorara com o interino Guus Hiddink. Um dos maiores artilheiros do futebol moderno marcou apenas cinco gols pela Premier League naquela temporada e as negociações por um novo contrato estavam em andamento.

De acordo com a reportagem, Granovskaia ganhava cada vez mais confiança de Abramovich para discutir assuntos de futebol e não apenas sugeriu que o Chelsea deveria renovar com Drogba, como bancou apostando a sua própria reputação. O marfinense recebeu um novo vínculo de três anos e na temporada seguinte foi o artilheiro do Campeonato Inglês, com 29 gols, sob o comando de Carlo Ancelotti. Pouco depois, o herói do primeiro título da Champions League.

Granovskaia se tornou a representante oficial de Abramovich em 2010 e foi admitida no conselho do clube três anos depois. Ela foi creditada por negociar um acordo de longo prazo com a Nike que rende £ 60 milhões por temporada, eleita a melhor diretora do futebol europeu em 2021 durante o prêmio Golden Boy, promovido pelo jornal italiano Tuttosport para celebrar jogadores jovens, e foi listada em quinto lugar entre as mulheres mais poderosas do esporte mundial pela Forbes em 2018.

O balanço é positivo desses últimos anos em que colocou mais a mão na massa. Há erros, nenhum maior do que Romelu Lukaku, contratado por cerca de £ 100 milhões e prestes a ser emprestado de volta à Internazionale por alguns trocados, mas ela também arrancou valor parecido do Real Madrid para vender Eden Hazard no último ano de seu contrato e tentou aplicar uma abordagem mais racional a um clube que ficou famoso por pagar praticamente o que os outros pediam nos primeiros anos de Abramovich.

Uma das poucas mulheres em posições de poder no futebol mundial, ganhou o apelido de “Dama de Ferro”, no Reino Unido associado à ex-primeira-ministra Margaret Thatcher, por conduzir negociações duras, mas empresários e executivos dizem que também se trata de uma pessoa inteligente, gentil e afável e – raridade no esporte – é conhecida por cumprir com sua palavra.

O público geral depende de relatos secundários para saber mais sobre Granovskaia porque ela nunca deu uma entrevista sequer à imprensa. Cultivou uma personalidade reservada, aparecendo apenas em fotos de anúncio de contratação ou renovação, aquela pessoa que senta ao lado do jogador quando ele está fingindo assinar o contrato. Mas todos esses relatos deixam uma coisa bem clara: será difícil substituí-la.

Foto de Bruno Bonsanti

Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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