Por que Bournemouth de Rayan tem oportunidade para furar Big Six na Premier League
Equipe do sul da Inglaterra vê instabilidade em adversários enquanto mantém base de jogadores, incluindo brasileiro ex-Vasco
O placar final de Bournemouth x Manchester City, na estreia pela Premier League 2026/27, não contou a história do jogo. A virada do gigante do Big Six por 2 a 1 veio de virada pela qualidade técnica de Rayan Cherki, e o visitante no Etihad Stadium deu trabalho, competiu e executou seu plano quase à perfeição por pelo menos 70 minutos.
Foi uma primeira mostra de que os Cherries podem ter uma temporada interessante e até sonharem em se enfiar no meio dos maiores clubes da Inglaterra na luta por Champions League. Boas razões para isso existem.
Bournemouth mantém quase toda base de campanha histórica
A última temporada foi a melhor da história do Bournemouth no Campeonato Inglês. Pela primeira vez, a equipe do sul da Inglaterra ficou na sexta colocação, o que também lhe garantiu sua estreia na Liga Europa para 2026/27. Apenas quatro pontos a separaram de uma vaga na Champions League.
A razão para tal feito foi o trabalho de Andoni Iraola, que construiu desde 2023 um time muito intenso, vertical e que sabia exatamente o que fazer com a bola. Com Rayan, Eli Junior Kroupi, Evanilson e muitos outros, encontrou a forma ideal para vencer Arsenal, Liverpool e Tottenham na campanha de 2025/26.
Quando um time se destaca na Inglaterra, a tendência é um desmanche para o ano seguinte. Foi o que aconteceu no Vitality Stadium de 2024/25 para a temporada passada, quando perderam três defensores titulares (Dean Huijsen, Milos Kerkez e Ilya Zabarnyi). Mas, dessa vez, isso foi diferente para o Bournemouth.
❌Saíram Huijsen, Kerkez, Zabarnyi…
— Trivela (@trivela) April 12, 2026
E o Bournemouth emplacou sua maior sequência invicta na Premier League! Clube se reinventa com ida ao mercado e pode ter outro feito histórico🍒🏴https://t.co/7ZmdMkQia9
Além da saída de Iraola, confirmada antes do fim de 25/26, o Bournemouth só perdeu Marco Senesi, zagueiro titular, em fim de contrato, e Álex Jimenez.
O clube decidiu não negociar Kroupi, sonho do Barcelona mesmo com uma lesão no pé, Scott, especulado em quase todo o Big Six, e Rayan, que também seria um bom reforço aos gigantes.
Desde o começo de julho havia esse pensamento de não negociá-los, segundo a “BBC”, e eles resistiram aos assédios. É difícil duvidar que, daqui a um ano, esse trio possa ser negociado por um valor somado acima dos 200 milhões de euros, tamanha a valorização que podem ter.
Mantê-los foi uma forma de pensar grande dos Cherries, que apostaram em Marco Rose, ex-Borussia Dortmund, como substituto de Iraola. O técnico alemão, tendo trabalhado no grupo Red Bull (Leipzig e Salzburg), tem a intensidade e a verticalidade como base de seu jogo, com ideias próximas de seu antecessor.
“O Borussia Mönchengladbach de Marco Rose era um dos meus times favoritos”, assumiu Iraola, em abril deste ano, quando Rose já havia sido anunciado. “No futebol alemão, os atacantes pressionam como defensores, os zagueiros avançam e seguram a última linha. É um futebol muito completo e tático, por isso gostei do Gladbach de Rose, dava para ver que era bem trabalhado”, completou.
De quebra, a equipe foi certeira no mercado. Senesi foi substituído por António Silva, zagueiro de grande potencial que caiu de rendimento no Benfica. Por apenas 25 milhões de euros, é uma aposta interessante pela possibilidade de um novo ambiente trazer de volta os melhores momentos do jogador português. Juanlu Sánchez chega para a vaga deixada por Jiménez.
Os outros dois reforços vieram para compor o elenco: Álvaro Rodriguez, centroavante que marcou contra Real Madrid e Barça pela última temporada com o Elche, como reserva de Evanilson, e Michele Di Gregorio, emprestado pela Juventus para ser o goleiro quando Dorde Petrovic não estiver à disposição.
Instabilidade em concorrentes da Premier League abre caminho
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Com exceção do atual campeão Arsenal, que manteve a base de seu time e a reforçou, há razões para duvidar de todo o Big Six.
O Chelsea, sem competição europeia, tende a ser mais regular com Xabi Alonso, novo treinador. O Manchester United pode sofrer por lidar com a Champions League, mas mostrou competitividade com Michael Carrick.
Só que, para Manchester City, sem Pep Guardiola após dez anos, Liverpool, com dúvidas de profundidade de elenco e questões físicas, e Tottenham, que ainda não sabe se Roberto De Zerbi conseguirá transformá-los, a situação é de total incógnita.
Qualquer um deles pode decepcionar, como os Spurs fizeram no último ano, quando lutaram contra o rebaixamento, e abrir espaço para uma surpresa. Em outras temporadas, provavelmente os times que furariam os seis mais ricos da Inglaterra seriam dois times que acabaram desmanchados no mercado atual.
O Aston Villa, classificado para a Champions League em duas das últimas três temporadas, viu metade de seu time sair. O Newcastle perdeu sua esperança de gols, Anthony Gordon, a espinha dorsal de seu meio-campo, Bruno Guimarães e Sandro Tonali, e o técnico Eddie Howe, responsável por classificar o time à maior competição da Europa também em duas oportunidades recentemente.
As dúvidas na dupla que sonhava em aumentar o Big Six são ainda maiores do que em City, Tottenham e Liverpool.
A continuidade no Bournemouth casa com um momento instável em boa parte das forças da Premier League. Dá para os Cherries sonharem em pelo menos manter o desempenho do último ano e, por que não, superá-lo.
Em menor escala, por terem menos qualidade do que a equipe do sul da Inglaterra, Brighton e Brentford, respectivamente oitavo e nono colocados da última Premier League, podem ter esperança de algo maior nesta temporada. Os dois também tiveram poucas perdas e mantiveram seus treinadores e estrearam com grandes vitórias.
Para recuperar a derrota na primeira rodada, o Bournemouth recebe o Everton neste sábado (29), em casa.