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Boris Johnson, primeiro-ministro britânico, diz que fará tudo que puder para impedir a Superliga Europeia

Primeiro-Ministro do Reino Unido, acredita que esta não é uma boa notícia aos torcedores e tentará impedir a Superliga; dos 12 clubes fundadores da Superliga, seis são ingleses

As reações à criação da Superliga Europeia estão fortes e uma delas veio do governo britânico. Como dissemos neste domingo, a Superliga cindiu o futebol europeu. Seis clubes da Inglaterra estão entre os 12 fundadores: Manchester United, Liverpool, Chelsea, Manchester City, Arsenal e Tottenham. A ruptura é grande e o primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, falou contra e disse que o governo britânico fará tudo que for possível para impedir que a ideia da Superliga vá adiante.

Funcionários do Departamento de Digital, Cultura, Mídia e Esporte estão analisando com urgência possíveis opções para prevenir o esquema e buscando ideias mais amplas para reformar a governança do futebol inglês. Ainda não está claro o que o primeiro-ministro, e o governo como um todo, possam fazer para impedir as mudanças, mas estre as opções estão regras de competitividade, ou mesmo impor estruturas de propriedades de clubes com maior envolvimento dos torcedores. O governo sustenta que há a possibilidade da legislação impedir que a Superliga aconteça. Segundo um porta-voz de Boris Johnson, “não é possível descartar nada no momento”.

“Nós estamos considerando uma série de opções. Não posso esclarecer todos os detalhes neste momento. Iremos defini-los no devido tempo, uma vez que tenhamos considerado todas as opções possíveis”, afirmou o porta-voz de Boris Johnson. O secretário de cultura, Oliver Dowden, dará uma declaração ainda nesta segunda para falar sobre esta questão.

O primeiro-ministro deu declarações fortes em uma visita a Gloucestershire. “Eu não gosto de como essas propostas parecem, e nós seremos consultados sobre o que podemos fazer”, disse Boris Johnson. “Nós veremos tudo que podemos fazer com as autoridades do futebol para garantir que isso não irá adiante da maneira que está sendo atualmente proposta. Eu não acho que isso é uma notícia boa para os torcedores, eu não acho que é uma boa notícia para o futebol neste país”.

“Esses clubes não são apenas grandes marcas globais – é claro que são marcas globais -, eles também são clubes que se originaram historicamente dos seus bairros, das suas cidades, das suas comunidades locais. Eles deveriam ter ma ligação com esses torcedores, com essa base de torcedores na sua comunidade. Então, é muito, muito importante que isso continue a acontecer”, continuou o primeiro-ministro britânico.

O deputado Julian Knight, do Partido Conservador, foi duro na sua avaliação sobre o caso. “O que é necessário é uma revisão do futebol liderada por fãs com força real e aqui temos mais evidências para fortalecer o caso. O futebol precisa ser reiniciado, mas não é assim que se faz. Os interesses dos clubes comunitários devem ser colocados no centro de todos os planos futuros”, disse o congressista.

O Partido Trabalhista pediu que os Ministros usam o anúncio do plano da Superliga como ímpeto para lidar com as questões de governança mais amplas no futebol inglês. Parlamentares Conservadores já pediam que isso fosse feito. Logo depois do anúncio sobre a Superliga, Boris Johnson já tinha tuitado que o plano seria “muito prejudicial para o futebol e apoiamos que as autoridades do futebol tomem ações”.  

“Por muito tempo, os maiores torcedores que construíram o futebol neste país foram tratados como algo secundário. Nós vimos comunidades perderem seus clubes, donos estrangeiros tomarem bens e riqueza, a negligência com o futebol feminino e os fãs serem deixados de fora com os preços altos”, afirmou Alison McGovern, membro do parlamento inglês, trabalhista, e que é a Ministra do Esporte da oposição (algo que é comum por lá).

“Isso agora deve mudar. O governo deve continuar com a revisão liderada por torcedores que prometeu. Deve haver um regulador independente estabelecido. E tudo isso deve se concentrar em ações há muito esperadas para garantir que os torcedores nunca mais possam ser separados de seus clubes”, continuou McGovern.

O líder dos trabalhistas, Keir Starmer, disse que a ideia da Superliga com os clubes com participação garantida “fere todas as coisas que tornam o futebol excelente. Isso diminuiu a competição. Levanta a ponte levadiça”.

As críticas vêm dos dois lados políticos. Helen Grant, do Partido Conservador, propôs uma lei por um regulador independente do futebol na Inglaterra, com poderes para revisar as finanças e redistribuir receita. Em comunicado neste segunda-feira, Grant disse que o plano dos clubes “só reforça a necessidade” de um observador externo. “É preciso urgentemente um regulador para defender os interesses do futebol mais amplo em nosso país e colocar a governança do futebol em bases mais justas e sustentáveis”.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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