Inglaterra

Bilhões da venda do Chelsea podem ser usados para ajudar ucranianos vítimas da guerra

Grupos ucranianos de direitos humanos enviam carta ao primeiro-ministro do Reino Unido solicitando ajuda na liberação dos 2,5 milhões de libras gerados pela venda do Chelsea

Uma coligação de grupos ucranianos de direitos humanos enviou uma carta a Rishi Sunak, primeiro-ministro do Reino Unido. A comunidade pede ao político para “acabar com o impasse” no que diz respeito a utilização de fundos provenientes da venda do Chelsea. O intuito é fazer com que esse dinheiro seja utilizado na ajuda humanitária às vítimas da guerra no país.

Quase dois anos depois de Roman Abramovich ter recebido sanções impostas pelo Reino Unido, os 2,5 milhões de libras gerados pela venda do Chelsea permanecem congelados em uma conta bancária do Reino Unido, apesar do compromisso do magnata russo de utilizar os lucros para fins humanitários. No último mês de janeiro, a comissão de assuntos europeus da Câmara dos Lordes (câmara alta do parlamento do Reino Unido) se posicionou sobre o tema, afirmando que era “incompreensível” que tal montante permanecesse intocado.

Nesta quinta-feira (22), 58 organizações, incluindo a coligação ucraniana de direitos humanos “Ucrânia 5h”, resolveram agir. Os grupos assinaram uma carta da ONG Redress solicitando ação de Rishi Sunak. O desejo é que tal problemática seja resolvida o mais rápido possível.

“Nós, abaixo assinados, incluindo vítimas e sobreviventes da guerra na Ucrânia, apelamos a vocês para agirem para resolver o impasse de dois anos sobre os rendimentos da venda do Chelsea FC por £ 2,5 bilhões”, diz o começo da carta.

No documento, as organizações ainda argumentam que os fundos deveriam ser direcionados “para as necessidades urgentes das vítimas e dos sobreviventes, garantindo que alguns dos fundos sejam reaproveitados como reparação para os sobreviventes”.

Abramovich x Governo do Reino Unido

O governo do Reino Unido admitiu que tem um desacordo com Abramovich sobre como e onde os fundos deveriam ser utilizados. O poder público britânico insiste que o dinheiro só poder ser gasto dentro das fronteiras da Ucrânia. Já o magnata russo reivindica os termos originais da licença que se comprometeu no momento da venda do Chelsea – o texto da licença não é de domínio público, por razões de proteção de dados. Ao fechar o acordo, ele não fez essa especificação – de que somente as vítimas que estiveram dentro do território ucraniano fossem agraciadas com a ajuda. O ex-dono dos Blues frisou que o montante seria destinado para “fins exclusivamente humanitários, apoiando todas as vítimas do conflito na Ucrânia e das suas consequências”.

Esta linguagem é consistente com os desejos de Abramovich expressos numa declaração dada no dia 2 de março de 2022, na qual declarou a sua vontade de vender o Chelsea e usar o dinheiro “em benefício de todas as vítimas da guerra na Ucrânia”. É significativamente diferente, no entanto, dos termos atualmente insistidos pelo governo que, como citado, quer que o fundo apoie “fins exclusivamente humanitários na Ucrânia”, frase utilizada pelo Departamento de Cultura, Meios de Comunicação Social e Desporto.

Confira outros trechos da carta endereçada ao primeiro-ministro britânico

A carta ‘sugere' Sunak ir além deste impasse e encontrar outros mecanismos para desbloquear o dinheiro congelado.

“Considerando que existem fundos substanciais em questão, o seu governo deve considerar diferentes vias para reaproveitar os fundos, que podem ser complementares e maximizar o impacto (…) Pedimos que os lucros da venda do Chelsea FC sejam divididos entre fins humanitários, reconstrução e reparações para vítimas de violações dos direitos humanos. 2,5 mil milhões de libras têm o poder de transformar as vidas de muitas vítimas do conflito, permitindo-lhes seguir em frente com as suas vidas.”

A coligação ainda pede para que o primeiro-ministro trabalhe juntamente com o governo ucraniano e a sociedade civil, com intuito de “orientar na reorientação dos fundos e estabelecer um grupo de trabalho entre o seu governo, a sociedade civil e os sobreviventes para garantir que os fundos sejam distribuídos de forma eficaz e oportuna”.

Foto de Guilherme Calvano

Guilherme Calvano

Apaixonado por futebol, uniu o amor pelo esporte mais popular do mundo ao jornalismo. Carioca da gema e grande entusiasta da Premier League, cobriu o Flamengo no Coluna do Fla e o Chelsea no Blues of Stamford. Na música, vai de Post Malone a Armandinho. Eclético assim como na área técnica. Afinal, Guardiola e Mourinho são suas referências.
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