Berba sem moderação
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Diga o que disser Alex Ferguson, e nunca tenha dúvidas de que ele vai dizer o que lhe interessa que seja propagado, Dmitar Berbatov salvou o United de uma enrascada no clássico contra o Liverpool. Depois de estar vencendo por 2 a 0 o limitado rival, os Red Devils permitiram o empate, e se mostraram dispostos a entregar a virada. Até que Berba, que já havia marcado os dois primeiros – o segundo, antológico –, livrou a equipe do vexame.
Três gols em um jogo, seis em cinco jogos. Números que, até aqui, o búlgaro não tivera no United. Não tivera, na verdade, na carreira.
O ano em que apareceu para o futebol mundial foi 2004/5, quando marcou 20 gols em 32 partidas pelo Bayer Leverkusen na Bundesliga. No ano seguinte foram 21 gols em 34 jogos. Em 2006/7chegou ao Tottenham, onde a média de gols diminuiu, mas seu jogo incorporou outro papel, o de “assistente”: em 43 jogos marcou 23 gols, mas deu ainda 15 passes para gols.
Os números na temporada seguinte, ainda pelos Spurs, e na subsequente, já no United, não mudm muito: mias de 20 gols, mais de 10 assistências. O búlgaro, em 2009/10, estava pronto para mudar de status quando CR deixou o United. Com mais minutos em campo, e com um time que poderia ajudá-lo mais, era o momento de “estourar”. O que não aconteceu. Berbatov não só marcou pouco, 12 gols na Premier League e nenhum na LC, como perdeu espaço no time.
No início da temporada atual, já não era mais vergonhoso tratá-lo como “flop”, contratação cara que não deu certo. Eis que o Búlgaro ressurge com força e gols. E deixa no ar a pergunta: será neste ano?
Berbatov jogou as cinco primeiras partidas do United neste ano. Só não marcou no empate com o Fulham, no qual deu uma assistência – a única até aqui. É justo, em sua defesa, lembrar que o ano passado foi de transição para o United como um todo – assim como deve continuar sendo nesse. A temporada “fora da curva”, portanto, tem explicação.
Talvez o búlgaro não seja o craque de classe mundial necessário para carregar um time de primeira linha nas costas. Seus números e seu futebol, entretanto, não deixam dúvidas de sua qualidade. O United já tem seu craque em Rooney, e precisa te em Berba seu “respiro”, o jogador que decidirá quando o craque não funcionar.
São poucos jogos, é verdade, mas, até aqui, Berbatov compareceu. O jogo contra o Liverpool era importante por diversos fatores: a rivalidade, a posição na tabela, o fato de a partida ser em casa. Mas, principalmente, por Rooney não estar sendo Rooney. Berba marcou três gols, todos de seu time, de todos os jeitos possíveis e em todas as situações possíveis e necessárias.
Uma atuação que mesmo Rooney não teve muitas. Ainda que não vá ser assim sempre, e não vai, se for regular sempre, como tem sido, e assim algumas vezes, Berbatov poderá fazer a diferença para o United neste ano, dando um pouco de fôlego para o time se assentar, e deixar florescer seus chicharitos.
Tá fácil
Está fácil para o Chelsea ganhar a liga, certo? O time goleia todo mundo implacavelmente, e está sobrando. Certo? Bem, mais ou menos. Embora se mostre muito superior a seus adversários, o que os rivais não têm conseguido mostrar, é bom dar uma olhada na tabela.
Dos cinco adversários que o Chelsea enfrentou até aqui, quatro estnao entre os quatro mais cotados da liga para cair: West Brom, Wigan, West Ham e Blackpool. O quinto é o Stoke, feroz em casa, mas não, como foi o caso, em Stamford Bridge.
O Arsenal, por outro lado, embora tenha deixado pontos em Sunderland, empatou com o Liverpool em Liverpool, e venceu Blackpool, Blackburn e Bolton – isso, o Chelsea joga com todos os que terminam em W, enquanto os Gunners enfrentam os terminados em B.
O United, por sua vez, teve pela frente Liverpool, Everton e Fulham, três prováveis ocupantes da parte de cima da tabela, além de West Ham e Newcastle, time hoje fraco, mas com camisa.
Vale observar ainda que, ao contrário do que disse o comentarista da partida com o Blackpool, o Chelsea tem um primeiro time excelente, mas um elenco curto. É o único inglês que teve que preencher as 25 vagas de seu elenco com jovens desconhecidos como Borini, Bruma e Van Aanholt. Pode não mudar nada, se as estrelas se mantiverem em forma, mas pode ser a diferença se elas se machucarem.
O Chelsea continua favorito ao título inglês, além de forte concorrente ao europeu. Mas perspectiva sempre é bom quando analisamos futebol.