Inglaterra

Balanço brasileiro na Premier League

Responda rápido: quais foram os dois países de fora das Ilhas Britânicas que tiveram mais representantes no último Campeonato Inglês? O primeiro colocado, disparado, é a França. E em segundo, quem veio? O Brasil, que teve 14 jogadores na Premier League.

Historicamente, o número de jogadores brasileiros na Inglaterra sempre foi pequeno. Limitações à liberação do visto de trabalho e diferenças no estilo de jogo, entre outros fatores, faziam com que clube ingleses preferissem buscar reforços em outros países. Até 2007, apenas 21 brasileiros haviam jogado na Premier League, total que subiu para 31 neste ano.

Deve-se notar, porém, que a grande maioria dos brasileiros foi reserva de seus times nesta temporada – por isso a sensação de que o Brasil tem menos representantes que, por exemplo, a Costa do Marfim (na verdade, foram 14 brasileiros e sete marfinenses).

Abaixo, você encontra um pequeno balanço da temporada de cada um dos brasileiros na Premier League, avaliando como cada um se saiu em 2007/8:

Anderson (Manchester United)
Como um jogador jovem e recém-chegado à Inglaterra, era mesmo de se esperar que Anderson não fosse titular nesta temporada. Mas, quando entrou, o brasileiro saiu-se bem, e acabou atuando em 37 partidas – número alto, para um time cheio de estrelas como o United. O jogador, inclusive, entrou em campo no último minuto da final da Liga dos Campeões e converteu o sexto pênalti do Manchester. Ao longo da temporada, Anderson foi bastante elogiado por Alex Ferguson e parece ter um futuro promissor na equipe.

Alex (Chelsea)
Após três boas temporadas no PSV, Alex foi trazido para o Chelsea – clube que o havia comprado junto ao Santos. O brasileiro até que jogou bem, funcionando como ‘terceira opção’ na zaga, revezando-se, principalmente, com Ricardo Carvalho. Apesar de alguns erros, pode-se dizer que fez uma boa temporada.

Belletti (Chelsea)
Belletti passou a temporada brigando pela titularidade na lateral-direita, talvez a posição mais fraca do Chelsea – tanto que Essien, que na verdade é volante, acabou a temporada como titular da lateral. Embora não tenha sido brilhante, Belletti teve papel relevante na temporada, disputando 38 jogos – inclusive a final da Liga dos Campeões, quando, a exemplo de Anderson, entrou no último minuto e converteu um dos pênaltis.

Denílson (Arsenal)
O maior sinal de que o trabalho de Denílson está sendo aprovado foi a renovação de seu contrato com o Arsenal, em setembro. O brasileiro segue como reserva da equipe, mas apareceu mais vezes que na temporada anterior (23 jogos, contra 19) e geralmente jogou bem.

Gilberto Silva (Arsenal)
No Arsenal desde 2002, é o brasileiro que está há mais tempo na Inglaterra. No entanto, a temporada esteve longe de ser boa para o volante: perdeu o posto de titular para Flamini e chegou a ter alguns desentendimentos com o técnico Arsène Wenger. Nos últimos meses, Gilberto Silva começou a mostrar um futebol um pouco mais consistente e, com a ida de Flamini para o Milan, tem a chance de voltar a ser titular – isso se não deixar o Arsenal.

Fábio Aurélio (Liverpool)
A exemplo de Belletti, Fábio Aurélio brigou pela titularidade numa das posições mais fracas de seu time, a lateral-esquerda. Com apresentações razoáveis, não comprometeu, mas também não se firmou. Na primeira partida da semifinal da Liga dos Campeões, contra o Liverpool, contundiu-se aos 17 minutos do segundo tempo. Isso ficou marcado porque em seu lugar entrou Riise, que marcou o gol contra que acabou sendo decisivo para a eliminação dos Reds.

Lucas (Liverpool)
Teve temporada parecida com a de Anderson. Recém-chegado e atuando numa das posições mais fortes de seu time, o brasileiro foi sendo inserido aos poucos na equipe. Na maioria das 31 partidas que jogou, mostrou um futebol muito seguro e maduro, deixando ótima impressão na torcida. Tem futuro promissor nos Reds.

Elano (Manchester City)
Com 10 gols marcados em 36 jogos disputados, foi um dos principais nomes na temporada do Manchester City. Assim como o resto do time, começou o campeonato muito bem, mas depois foi caindo gradualmente de produção.

Geovanni (Manchester City)
Começou muito bem, fazendo dois gols em seus três primeiros jogos – incluindo o da vitória no clássico contra o Manchester United. Mas depois perdeu espaço na equipe e terminou a temporada tendo disputado só quatro partidas como titular.

Gilberto (Tottenham)

Contratado em 31 de janeiro, só estreou em 6 de março, devido a uma contusão. E foi mal no primeiro jogo: cometeu um erro que deu um gol ao PSV, que acabou eliminando o Tottenham da Copa Uefa. Depois, só apareceu em mais seis partidas.

Caçapa (Newcastle)
Fez uma temporada de altos e baixos, alternando partidas boas e outras ruins. Disputou ao todo 22 jogos, mas perdeu espaço em fevereiro, pouco depois da chegada do técnico Kevin Keegan. Uma contusão sofrida no começo de março também atrapalhou o brasileiro, que só jogou uma partida nos últimos três meses da temporada.

Afonso Alves (Middlesbrough)
A maior contratação da história do Middlesbrough (€ 16 milhões) teve desempenho irregular nas 14 partidas que disputou. Nas oito primeiras, não fez nenhum gol, mas, em seguida, fez dois contra o Manchester United. No último jogo da temporada, contra o outro time de Manchester, o City, fez mais três. Afonso mostrou que pode ser muito útil ao Boro – só precisa encontrar regularidade.

Fábio Rochemback (Middlesbrough)
Até foi titular do Boro, com 33 partidas disputadas, mas não chegou a convencer. Na última rodada, marcou um golaço contra o Manchester City, no que também foi seu último jogo pelo Middlesbrough – foi dispensado pela equipe ao final da temporada.

Rafael (Birmingham)
O menos conhecido dos 14 brasileiros da Premier League na verdade pertence ao Lille, mas passou a temporada emprestado ao Birmingham. Disputou ao todo 15 partidas até o fim de janeiro, sem se destacar muito, e depois não jogou mais.

Amistosos da Inglaterra

A temporada do futebol inglês encerrou-se definitivamente com dois amistosos na última semana, contra Estados Unidos e Trinidad e Tobago. Para comparar, dá para dizer que o significado esportivo desses jogos é equivalente ao das duas partidas que a Seleção Brasileira disputa nos EUA.

Para não dizer que os amistosos foram uma perda de tempo total, dá para considerar que, já que a Inglaterra está de técnico novo, jogos sem pressão como esses até servem para fazer um ou outro teste.

Dentro do que se pode esperar de dois amistosos de fim de temporada, os resultados até que foram bons. Primeiro, a Inglaterra ganhou fácil, por 2 a 0, dos Estados Unidos, em Wembley. A seleção norte-americana decepcionou e tornou fácil o trabalho dos ingleses. O nome mais comentado do jogo foi o de John Terry. Após perder o pênalti decisivo na final da LC, o zagueiro foi o capitão da seleção e marcou o primeiro gol do amistoso.

A segunda partida, disputada em Trinidad e Tobago, teve ainda menos importância esportiva. Segundo a imprensa inglesa, foi, acima de tudo, um exercício de relações públicas para agradar Jack Warner, manda-chuva da Concacaf. Dentro de campo, o time misto inglês matou as chances dos trinitários com dois gols nos primeiros 16 minutos. Pouco depois do intervalo, Defoe marcou seu segundo gol no dia, fechando o placar em 3 a 0.

Nas duas partidas, deixou boa impressão o ‘profissionalismo’ do time inglês, que fez o suficiente para impor sua superioridade sobre adversários bastante limitados. Em fim de temporada e sem nenhuma motivação adicional, não daria para pedir muito mais do que isso.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

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