Futebol inglês

‘Jogou fantasticamente’: Aston Villa ainda não venceu, mas reforço já convenceu Unai Emery

Recém-contratado se destaca, ganha elogios do treinador e mostra evolução rápida na Inglaterra

O Aston Villa ainda busca sua primeira vitória na Premier League, mas já encontrou um motivo para olhar com otimismo para o início da temporada. Depois de duas derrotas nas rodadas iniciais, contra Brighton e Arsenal, a equipe somou seu primeiro ponto neste sábado (5), ao empatar com o Hull City, e teve novamente Zion Suzuki como um dos destaques.

O goleiro, contratado junto ao Parma para esta temporada, fez apenas sua segunda partida pelo clube, mas já deixou uma impressão bastante positiva em Unai Emery. Diante do Hull, Suzuki terminou o jogo sem sofrer gols e voltou a mostrar uma das características que mais chamaram atenção em sua estreia contra o Arsenal: a segurança para participar da construção desde trás.

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O japonês tem demonstrado capacidade para encontrar companheiros em diferentes zonas do campo e oferecer ao Villa uma saída que combina segurança e alcance. Nesta terceira rodada, foram 33 passes certos em 37 tentativas, além de oito lançamentos longos precisos.

Os números ajudam a explicar por que sua participação com os pés tem sido tão valorizada por Emery. Em uma equipe que busca controlar os momentos da partida e encontrar espaços a partir da circulação, ter um goleiro confortável com a bola amplia as possibilidades na saída.

Além da contribuição com os pés, Suzuki, que agora ocupa o lugar deixado por Dibu Martínez transferido ao Chelsea, mostrou que também pode responder quando exigido debaixo das traves: foram quatro defesas durante o jogo. Para Emery, porém, o mais importante parece ser a combinação entre essas duas valências: a capacidade de defender e, ao mesmo tempo, participar ativamente da construção.

Suzuki ganha espaço na avaliação de Unai Emery

Suzuki em ação pelo Aston Villa
Suzuki em ação pelo Aston Villa (Foto: Every Second Media / IMAGO)

Questionado depois do empate sobre a adaptação do goleiro ao Aston Villa e à Premier League, Emery deixou claro que o processo tem sido bastante satisfatório. O treinador destacou a atuação de Suzuki contra o Arsenal e apontou uma evolução já na segunda oportunidade.

— Muito bom. Na semana passada ele jogou sua primeira partida e jogou fantasticamente. Sofremos um gol, mas ele jogou muito bem. Hoje, ele deu mais um passo em frente, mantendo o gol intacto. Dominou a posse de bola, contribuindo para a construção das jogadas e nos ajudando a ter paciência.

A leitura de Emery ajuda a dimensionar o que o Villa encontrou no novo reforço. Suzuki não está sendo avaliado somente pelas defesas e atuação de baixo das traves. Sua capacidade de atuar como primeiro construtor, alternando passes curtos e bolas mais longas, encaixa-se na ideia de uma equipe que precisa ter alternativas para sair da pressão e avançar pelo campo.

— Além disso, em algumas ocasiões, ele fez ótimos lançamentos longos para nossos atacantes e pontas. Ele também dominou quando precisávamos de ações defensivas, com cruzamentos e bolas paradas — completou.

O que explica o início irregular do Aston Villa?

Unai Emery orienta seus jogadores durante jogo do Aston Villa
Unai Emery orienta seus jogadores durante jogo do Aston Villa (Foto: jdp / IMAGO)

O bom começo individual de Suzuki acontece em um momento no qual o Aston Villa ainda tenta encontrar seu melhor funcionamento coletivo. Em três rodadas, foram duas derrotas, contra Brighton e Arsenal, e agora o empate com o Hull City. O único ponto conquistado até aqui coloca ainda mais peso sobre a necessidade de evolução nas próximas partidas.

Parte desse cenário pode ser relacionada à profunda reformulação realizada pelo clube durante a janela. O Villa incorporou novos jogadores, mas também perdeu peças importantes. Johan Manzambi, Nicolas Jackson, João Gomes, Zion Suzuki, Matteo Ruggeri, Leon Goretzka, Alejandro Garnacho, Aaron Wan-Bissaka e Modou Kéba Cissé chegaram para compor um plantel bastante diferente daquele que encerrou a temporada anterior.

Por outro lado, Morgan Rogers foi para o Chelsea, Ezri Konsa se transferiu para o Arsenal, Youri Tielemans rumou para o Manchester United, enquanto Donyell Malen se juntou à Roma. Enzo Barrenchea deixou o clube de Birmingham para defender o Benfica e Lucas Digne foi para o PSG.

É uma mudança extensa, capaz de exigir tempo para que novas peças entendam os movimentos dos companheiros e para que o time encontre suas referências. Nesse contexto, a rápida adaptação de Suzuki ganha ainda mais relevância. Enquanto o coletivo ainda procura respostas, o goleiro já apresenta sinais de que pode ser uma peça confiável.

Depois de apenas duas partidas, ainda seria cedo para transformar boas atuações em uma conclusão definitiva. Mas Suzuki já mostrou atributos que Emery claramente aprecia: qualidade com a bola, precisão nos lançamentos, participação na construção e segurança quando precisa defender. O Aston Villa ainda não venceu na Premier League, mas pelo menos uma das novas peças já parece ter convencido seu treinador.

Foto de Guilherme Calvano

Guilherme CalvanoRedator

Jornalista pela UNESA, nascido e criado no Rio de Janeiro. Cobriu o Flamengo no Coluna do Fla e o Chelsea no Blues of Stamford. Na Trivela, é redator e escreve sobre futebol brasileiro e internacional.

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