Arsenal x Chelsea: 3 coisas para se observar no primeiro teste de fogo de Xabi Alonso nos Blues
Chelsea chega ao clássico londrino com dúvidas no meio-campo, defesa sob pressão e ataque em alta
O início de Xabi Alonso no Chelsea não poderia ter sido mais convincente em termos de resultados. Três jogos, três vitórias e uma equipe que já apresenta algumas das ideias que o espanhol pretende implementar: venceu Fulham por 3 a 2 e Brighton por 4 a 3 pela Premier League, além de superar o Luton Town por 2 a 0 na Copa da Liga. O problema é que o nível de dificuldade agora sobe consideravelmente.
O duelo com o Arsenal, neste domingo (6), no Emirates, será o primeiro grande teste para medir até onde esse começo promissor pode levar. Mais do que a possibilidade de manter os 100% de aproveitamento, a partida colocará diante de Alonso algumas questões que apareceram mesmo nas vitórias anteriores.
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O meio-campo perdeu Enzo Fernández, a defesa ainda concede espaços e o ataque, grande ponto positivo até aqui, encontrará justamente a unidade mais confiável dos Gunners.
Por isso, o clássico londrino oferece três pontos de observação importantes para entender em que estágio realmente está o Chelsea de Alonso.
Como o Chelsea vai se virar sem Enzo no meio-campo?
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O confronto com o Arsenal será o primeiro jogo do Chelsea depois da saída de Enzo Fernández para o Manchester City. O argentino deixou Londres no último dia da janela, e os Blues tentaram até as horas finais encontrar uma reposição: chegou a avançar por Lamine Camara, do Monaco, mas a negociação desmoronou. O resultado foi uma janela excepcional em diversos aspectos, mas encerrada com uma lacuna justamente no setor que perdeu seu principal jogador.
A situação ganha contornos ainda mais delicados porque Moisés Caicedo, hoje a principal referência do meio-campo, enfrenta problemas físicos. O equatoriano já precisou deixar o campo contra o Brighton, aumentando a incerteza sobre sua disponibilidade para o clássico. Quando estiver em condições, Caicedo oferece capacidade de recuperação, imposição física e qualidade para sustentar o time, mas a questão central permanece: quem divide essas responsabilidades com ele?
Valentín Barco é uma alternativa de talento, mas existe uma diferença importante entre identificar potencial e entregar a um jogador uma responsabilidade maior em uma partida desse tamanho. Roméo Lavia também possui características para atuar por dentro, embora sua passagem pelo Chelsea tenha sido prejudicada por problemas físicos que dificultaram uma sequência consistente.
Jordan Henderson seria a opção mais experiente, mas também está lesionado e ainda não estreou. Aos 36 anos, seria difícil tratá-lo como solução permanente para um problema estrutural.
Xabi Alonso ainda pode recorrer a Reece James, que vem sendo utilizado por dentro apesar da origem como lateral-direito, ou a Malo Gusto. São alternativas que ampliam as possibilidades do treinador, mas também ajudam a dimensionar o problema. O Chelsea não ficou sem jogadores capazes de ocupar o meio-campo; ficou sem o jogador que havia planejado contratar especificamente para preencher o espaço deixado por Enzo.
E as duas primeiras rodadas da Premier League já mostraram que esse pode ser um ponto sensível. Mesmo nas vitórias, os Blues concederam espaços entre os setores e teve dificuldades para proteger a defesa quando perdeu a bola. Contra um Arsenal que chega embalado e ainda não sofreu gols na competição, qualquer desorganização pelo centro do campo pode custar muito mais caro.
A defesa precisa mostrar que pode sustentar o novo sistema
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O segundo grande ponto de observação está justamente atrás. O Chelsea sofreu cinco gols nos dois primeiros jogos de Premier League, número que contrasta diretamente com a situação do adversário. O Arsenal venceu Coventry por 3 a 0 e Aston Villa por 1 a 0 e chega ao clássico sem ter sido vazado na competição.
Parte dessa oscilação pode ser compreendida pelo momento do trabalho. Xabi Alonso está introduzindo o 3-4-2-1 que marcou sua passagem pelo Bayer Leverkusen, e uma mudança estrutural desse tamanho não costuma produzir uma defesa perfeitamente coordenada de imediato. A linha de três ainda precisa ajustar distâncias, as alas precisam decidir quando avançar e recuar, e os jogadores do meio precisam oferecer a proteção necessária para que os zagueiros não fiquem expostos.
O problema é que o Arsenal representa exatamente o tipo de adversário capaz de transformar essas pequenas falhas em problemas grandes. O time de Mikel Arteta tem mostrado solidez sem a bola e capacidade para controlar diferentes momentos das partidas. Para o Chelsea, portanto, não será suficiente repetir a capacidade de reação demonstrada contra Fulham e Brighton. Será necessário reduzir a quantidade de situações em que a defesa fica exposta.
Esse talvez seja o primeiro momento em que Alonso precisará provar que o novo sistema não é apenas capaz de produzir um Chelsea mais agressivo, mas também uma equipe suficientemente equilibrada para enfrentar um candidato ao título. As três vitórias iniciais dão confiança ao treinador, mas o Emirates será um ambiente bem menos permissivo para erros de posicionamento.
O ataque vai conseguir funcionar diante da melhor defesa?
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Se o meio-campo e a defesa representam as principais dúvidas, o ataque é, até aqui, a grande certeza do Chelsea. Cole Palmer, Morgan Rogers e João Pedro rapidamente encontraram sintonia no novo sistema. Os três marcaram na estreia contra o Fulham, e a combinação continuou funcionando diante do Brighton.
A dinâmica é especialmente interessante porque não depende apenas de jogadas individuais. Palmer tem liberdade para circular, Rogers oferece condução e capacidade de atacar espaços, enquanto João Pedro dá profundidade e movimentação por dentro. Os três conseguem trocar posições e acelerar as transições, criando um ataque dinâmico e imprevisível.
Também por isso, o Arsenal será um teste diferente. O Chelsea ainda não enfrentou, neste início de temporada, uma defesa que tenha demonstrado o mesmo nível de consistência dos Gunners. O desafio será descobrir se Palmer, Rogers e João Pedro conseguem manter a mesma fluidez quando encontrarem uma equipe que concede pouco espaço e está preparada para controlar melhor as zonas centrais.
É exatamente aí que o primeiro grande desafio de Xabi Alonso se torna tão interessante. Os Blues chegam ao clássico com ótimos resultados e um ataque que empolga, mas ainda carregam dúvidas importantes no equilíbrio da equipe. O duelo contra o rival pode mostrar se essas questões são apenas efeitos naturais de um trabalho recém-iniciado ou sinais de problemas que acompanharão a equipe nos próximos meses.