‘Não é a reação de um capitão’: Ex-United critica Bruno Fernandes após decisão polêmica de Carrick
Escolha de deixar o português fora da equipe titular repercute após críticas feitas durante a semana e nova atuação decepcionante dos Red Devils
A derrota por 3 a 0 para o Bournemouth, neste domingo (25), em Old Trafford, deixou o Manchester United com problemas que vão muito além do resultado. A decisão de Michael Carrick de deixar Bruno Fernandes no banco de reservas, depois das críticas do português à abordagem tática da equipe, ressoaram na imprensa inglesa.
Enquanto Ashley Young cobrou uma postura diferente do capitão, Jamie Carragher analisou a intenção do treinador ao manter o camisa 8 entre os suplentes durante os 90 minutos.
O episódio expõe o ambiente de tensão nos Red Devils, que chegaram ao oitavo jogo consecutivo sem vitória. Pressionado pelos resultados e pela falta de consistência da equipe, Carrick tomou uma decisão que já havia provocado repercussão antes do apito inicial.
A goleada por 4 a 1 sofrida diante do Como, no meio da semana, havia colocado o treinador e Bruno no centro de uma discussão sobre as escolhas táticas do United. Contra o Bournemouth, a situação ganhou um novo capítulo, e o placar adverso aumentou o peso das decisões tomadas pelo comandante.
Ashley Young cobra reação de Bruno Fernandes após ida ao banco
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A crítica de Ashley Young teve como ponto de partida a chegada de Bruno Fernandes a Old Trafford para o duelo diante do Bournemouth. O português foi flagrado entrando no estádio com o capuz do agasalho levantado, imagem que chamou a atenção do ex-jogador do Manchester United durante a transmissão da “Sky Sports”.
Para Young, que também já exerceu a função de capitão dos Red Devils, a postura demonstrava insatisfação com a perda da vaga entre os titulares, mas não correspondia ao comportamento esperado de um líder da equipe.
— Ok, você foi dispensado como jogador. Isso acontece com os jogadores. Eu já passei por isso. Mas você quer ver uma reação. Ele está com o capuz para cima, está entrando, está dizendo aos torcedores que ainda está chateado. Mas essa não é a reação que você quer de um capitão do Manchester United — afirmou Young.
O ex-lateral defendeu que Bruno deveria transformar a frustração em motivação para recuperar seu espaço, em vez de deixar o descontentamento transparecer publicamente. Na avaliação de Young, o capitão precisava reconhecer a decisão do treinador e aproveitar uma eventual oportunidade em campo para demonstrar seu valor.
— Você quer vê-lo dizer: “Ok, certo, fui dispensado e sei o que fiz de errado. Quando tiver a oportunidade de entrar em campo, vou mostrar do que sou capaz de verdade. Meus comentários durante a semana foram feitos e dirigidos a Michael Carrick, mas não quero mostrar isso para todo mundo. O que eu disse já está lá fora. Agora preciso mostrar do que sou capaz, mostrar personalidade”. Ver isso (o capuz para cima) quando ele entra não é o que você quer ver.
Carragher destrincha intenção de Carrick ao deixar capitão no banco
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Se Young direcionou suas críticas à postura de Bruno, Jamie Carragher colocou em dúvida a condução do caso por parte de Carrick. O ex-zagueiro do Liverpool considerou que o treinador não pretendia utilizar o português durante a partida contra o Bournemouth e sugeriu que a decisão poderia ter sido uma forma de expô-lo diante da torcida.
— Acho que ele nunca teve a intenção de colocá-lo em campo. Acho que foi uma decisão deliberada deixá-lo no banco e quase tentar envergonhá-lo um pouco na frente dos torcedores. Acho que Carrick nunca teve qualquer intenção de colocá-lo em campo, de jeito nenhum. Essa substituição nunca ia acontecer — avaliou Carragher.
Antes do confronto, Carrick havia sido questionado sobre a ausência do capitão na escalação titular e respondeu que se tratava de uma “decisão puramente futebolística”. Depois do jogo, reforçou isso e negou qualquer desentendimento.
A justificativa não encerrou as especulações, sobretudo porque a escolha ocorreu poucos dias depois das críticas públicas de Bruno. O fato de o português não ter entrado em campo, mesmo com o United em desvantagem e sem conseguir reagir, ampliou os questionamentos sobre a decisão.
Aos olhos de Carragher, a permanência do meio-campista no banco não foi uma escolha técnica, mas uma decisão que poderia carregar um componente pessoal. O resultado também tornou mais difícil defender a decisão apenas pelo desempenho coletivo. Rayan abriu o placar para o Bournemouth, Marcus Tavernier ampliou ainda no primeiro tempo e Evanilson fechou a vitória por 3 a 0.
Mesmo diante das dificuldades da equipe, Bruno permaneceu entre os reservas até o apito final. A escolha não provocou a reação esperada em campo e deixou o treinador ainda mais pressionado.