Arsenal com fôlego insuficiente

As desconfianças em torno da liderança do Arsenal vinham desde o início da temporada. Cotados inclusive para perder um posto entre os quatro primeiros, os Gunners surpreendiam com um futebol igualmente prático e vistoso que, colocado à prova em vários momentos, respondeu de maneira positiva e convincente. Não existiam dúvidas de que Arsène Wenger havia amadurecido seus garotos e, sob o ritmo de Césc Fàbregas, brigaria até o fim pelo título inglês.
Diante do Middlesbrough no último sábado, mesmo atuando em casa e com o elenco vindo de seis dias de descanso, o Arsenal provou de algumas situações difíceis e acabou perdendo dois pontos preciosos para o 13º colocado. É verdade que nos últimos minutos a pressão foi intensificada e os Gunners podiam até ter vencido, mas há semanas atrás, porém, dificilmente o jogo se desenrolaria de modo tão apertado.
A primeira explicação para o caso do Arsenal, naturalmente, é o desgaste físico. Já no início da temporada, Wenger entrou com seu time claramente acima dos demais nesse quesito e, a despeito da juventude de seu elenco, vem assistindo à uma razoável queda de fôlego. Ao contrário dos outros rivais, os Gunners se doaram muito na Liga dos Campeões, em razão do que significa ter um Milan pela frente. Isso tem um peso que não pode ser desprezado.
Ao contrário do Manchester United, que possui um elenco mais equilibrado e cheio de jogadores maduros para decidir – como Rooney, Ronaldo e Tevez, o Arsenal vem mostrando que depende absurdamente de Adebayor e Fàbregas. Por mais que jogadores como Hleb, Eboué, Rosicky e Walcott venham colaborando bastante, é a dupla que assumiu o protagonismo e levou os Gunners, surpreendentemente, para o topo da classificação.
Ultrapassado há algumas rodadas por Cristiano Ronaldo, o togolês Adebayor não vem balançando as redes e deixa de oferecer seu poder de decisão para o Arsenal. Como muitas vezes atua como único atacante de área, fica ainda mais difícil para o time vencer os jogos. Nas últimas cinco rodadas, foi só um gol do camisa 25. Coincidência ou não, os Gunners só venceram um. Voltando ainda mais e pegando as outras cinco rodadas anteriores, da 21ª até a 25ª, foram sete gols de Adebayor e 13 pontos ganhos em 15 possíveis.
Já com relação ao espanhol Fàbregas, é natural que ele não defina todos os jogos, pois sua função prioritária não passa por aí. Ainda assim, o garoto segue atuando em bom nível e oferece participações importantes, como já foi na Liga dos Campeões diante do Milan. Há um certo desgaste físico e uma marcação muito acirrada sobre ele.
A tabela, também, é complicadíssima para os Gunners. Em oito jogos restantes pela Premier League, há Manchester United, Chelsea, Liverpool e Everton – todos entre os cinco primeiros. Diante dos Blues e dos Red Devils, aliás, o duelo se dará fora de casa, o que complica ainda mais.
É mais que evidente que o trabalho de Wenger já é bastante frutífero e tem tudo para evoluir para a próxima temporada. Por tudo o que já fez em 2007/08, aliás, o Arsenal não pode, de modo algum, ser descartado da briga pelo título, assim como Fàbregas e Adebayor merecem muitas reverências. Mas, nesse momento do campeonato, em uma projeção hipotética, Manchester United e até o Chelsea têm mais possibilidades.
City volta a vencer
Sensação do início de temporada, claramente o Manchester City degringolou na Premier League. Em um fenômeno razoavelmente parecido com o Portsmouth na época passada, os Blues, que estiveram entre os primeiros lugares durante todo o primeiro turno, hoje estão apenas em oitavo.
A vitória contra o relaxado Tottenham no domingo, no City of Manchester Stadium, trouxe alguma perspectiva. Antes arma contra os adversários, o estádio virou significado momentâneo de decepção – desde 15 de dezembro o time de Sven-Göran Eriksson não somava três pontos em seus domínios. O desenho na tabela de classificação, todavia, não apresenta muitas possibilidades nas rodadas finais. Uma distância de oito pontos lhe separa da Copa da Uefa.
O Manchester City, como várias equipes médias da Premier League, errou ao não priorizar as copas nacionais. Ao identificar que a vaga na Liga dos Campeões era um objetivo muito difícil, e como a FA Cup e a Carling Cup dão uma vaga cada para a Copa da Uefa, melhor seria ter deixado o Campeonato Inglês em segundo plano, já que só os cinco primeiros ganham vagas européias.
A sensação é que a equipe atuou em seu limite técnico e mental no início da temporada. Com pouquíssimas boas opções de elenco, Eriksson não conseguiu extrair o melhor futebol de seus jogadores durante várias rodadas consecutivas. O fenômeno, obviamente, é de certa forma natural. Elano, principal jogador do City ao longo de seus melhores momentos na temporada, personifica a teoria. Seria difícil crer que o jogador, ainda que muito bom, pudesse manter tal nível em suas exibições.
Principal carência da equipe, o setor de ataque foi reforçado em ótimo nível na janela de inverno. Neri Castillo, Felipe Caicedo e principalmente Benjani Mwaruwari foram opções justificáveis, mas só o zimbabuano conseguiu ir às redes. E só uma vez. Assim, uma das poucas possibilidades de oxigenação no elenco do City não surtiu resultados.
É nítido que a próxima temporada pode levar o Manchester City para saltos ainda maiores. Contudo, o altíssimo nível da Premier League, especialmente entre os clubes médios, pode fazer com que o City colecione boas campanhas, mas não alcance maiores objetivos, como vem acontecendo com o Blackburn, por exemplo, nos anos recentes.
Investimento justificado
A fortuna paga pelo Liverpool por Fernando Torres parecia um pouco exagerada no início da temporada. Por mais que “Niño” fosse classificado como um atacante virtuoso, jovem, e de margem de progressão na carreira, não parecia o tipo de investimento que garante 20 gols por temporada. O espanhol, desejo de Rafa Benítez, vem se mostrando uma excelente aquisição dos Reds.
Com o atacante solidificado em Anfield Road, o Liverpool ganha uma referência que não tinha desde que Michael Owen deixou o clube. Depender somente de Gerrard, ainda que ele raramente deixe o time na mão, é algo delicado. Torres tem dividido as responsabilidades e, especialmente nessa reta final de temporada, vai definindo jogos a favor dos Reds.
O próprio Gerrard, aliás, vem se rendendo ao momento de Fernando Torres. Ao contrário de líderes que normalmente preferem monopolizar o próprio clube, o capitão dos Reds não hesita em destacar a importância do espanhol. Segundo ele, com jogadores como Torres, o Liverpool pode vencer qualquer adversário. A forma dos Reds e do maior reforço da temporada vêm dando razões para Steven Gerrard.



