Por que a Arábia Saudita ‘esquece’ Newcastle e fortalece rivais da Premier League no mercado
Venda de Núñez ao Al-Hilal fortalece projeto saudita, mas também pode abrir caminho para rivais do Newcastle se reforçarem
Ao fechar a contratação de Darwin Núñez junto ao Liverpool por um valor inicial 46 milhões de libras (R$ 336 milhões), o Al-Hilal dá mais um passo na missão de transformar a liga da Arábia Saudita em um destino de elite para jogadores de ponta. E o país, que tem parceria com o Newcastle, volta a “ajudar” os rivais da Premier League.
O Fundo de Investimento Público (PIF) da Arábia Saudita, responsável pelo controle do Al-Hilal e de outros três gigantes do país (Al-Nassr, Al-Ahli e Al-Ittihad), também é proprietário do Newcastle desde 2021. E, embora a chegada de Núñez represente um salto de qualidade para o clube de Riade, ela também injeta dinheiro no caixa do Liverpool, o que pode fortalecer um concorrente direto dos Magpies.
Efeito dominó da Arábia Saudita na Premier League
A quantia recebida pelos Reds abre espaço para novas investidas no ataque. Um nome que agrada é o sueco Alexander Isak, justamente a estrela do Newcastle. Uma proposta de 110 milhões de libras já havia sido recusada, mas o reforço financeiro dos ingleses, ironicamente bancado por outro clube do PIF, pode aumentar a pressão.

Essa não é a primeira vez que o PIF injeta recursos em adversários diretos do Newcastle. Desde 2023, o quarteto de gigantes sauditas já gastaram mais de 500 milhões de libras (R$ 3,6 bilhões) com jogadores da Premier League, beneficiando clubes como Chelsea, Aston Villa e Manchester City. Alguns negócios ajudaram rivais a equilibrar as contas e evitar problemas com as regras de sustentabilidade financeira da liga.
O maior beneficiado pelas contratações sauditas no futebol inglês até o momento é o Aston Villa. Curiosamente, os Magpies são os penúltimos em termos de valor arrecadado com vendas à Arábia Saudita, a frente apenas do Manchester United.
Clubes que mais lucraram com vendas ao futebol saudita (em libras):
- Aston Villa – 115 milhões;
- Liverpool – 86 milhões;
- Chelsea – 81 milhões;
- Manchester City – 75 milhões;
- Fulham – 50 milhões;
- Wolverhampton – 47 milhões;
- Brentford – 40 milhões;
- Newcastle- 19 milhões;
- Manchester United – 6 milhões
Newcastle em segundo plano
Apesar de ser dono do Newcastle, o PIF parece ter como prioridade o crescimento interno da Saudi Pro League e a preparação para sediar a Copa do Mundo de 2034.
“O foco da estratégia de desenvolvimento nacional da Arábia Saudita […] é muito na Arábia Saudita e nos clubes sauditas”, explicou Simon Chadwick, professor de esporte e economia geopolítica, ao “The Athletic”.
Na prática, isso significa que clubes como o Al-Hilal, que já gastou 490 milhões de libras desde que passou ao controle do fundo, recebem mais atenção e investimento que os ingleses. O Newcastle, limitado pelo PSR e sem grandes vendas, vê rivais aproveitarem um fluxo de caixa que, no papel, poderia estar a seu favor.



