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Conte tem um DNA que se encaixa no Chelsea, mas seus poréns deixam dúvidas pertinentes

O Chelsea nem precisou fazer muito mistério quanto ao anúncio. Como muito se especulou ao longo dos últimos meses, o clube londrino confirmou nesta segunda a chegada do técnico Antonio Conte a partir da próxima temporada. O italiano permanecerá no comando da Azzurra até o término da Eurocopa, antes de se juntar ao elenco em Stamford Bridge. Um negócio que parece se encaixar ao perfil dos Blues, embora também gere algumas indagações.

O estilo de Conte no comando se assemelha bastante ao que o Chelsea pregou ao longo das últimas temporadas. O treinador se consagrou na Juventus montando uma equipe com grandes qualidades defensivas e eficiência para conquistar vitórias com poucas chances. Assim, quebrou recordes de invencibilidade e conquistou o tricampeonato na Serie A. Uma postura que, em partes, se aproxima mesmo dos métodos de José Mourinho. E isso sem precisar tornar os vestiários em um barril de pólvora com o trato dos jogadores.

Além disso, Conte resgata a velha relação do Chelsea com os italianos. Em campo, Gianfranco Zola foi o grande ídolo dos Blues nos anos anteriores à chegada de Roman Abramovich. E, no banco de reservas, vários treinadores do país passaram por Stamford Bridge. Gianluca Vialli foi o primeiro, conciliando no início também a função como jogador. Depois, vieram Claudio Ranieri, Carlo Ancelotti e Roberto Di Matteo. Sob as ordens de italianos, os londrinos conquistaram a Champions, a Recopa Europeia, a Supercopa Europeia, a Premier League, a Copa da Inglaterra e a Copa da Liga Inglesa. De certa forma, apenas José Mourinho conseguiu sucessos maiores do que estes.

Todavia, a chegada de Conte também permite questionamentos. Guus Hiddink voltou a Stamford Bridge como bombeiro, mas recebe elogios por seu trabalho. Conseguiu colocar ordem na equipe, passa longe do risco de rebaixamento na Premier League e (apesar do excesso de empates) acumula um desempenho digno – ainda mais para quem vinha tão mal. Talvez merecesse mais créditos, mas os Blues acharam melhor apostar em um novo trabalho. Além do mais, por seu estilo, Conte não é necessariamente alguém que promoverá uma renovação profunda, como muito se pedia. Não deve ter problemas para se adaptar, mas o longo prazo deixa um pouco mais de dúvidas.

O real efeito do trabalho de Conte, de qualquer forma, só se mostrará a partir da próxima temporada. E o grande obstáculo que se coloca surgiu um dia após o anúncio do Chelsea. Quando dirigia o Siena, na Serie B, o treinador teve o seu nome envolvido em caso de manipulação de resultados. Segundo o Ministério Público, ele sabia da combinação em jogo contra o AlbinoLeffe. Nesta terça, a promotoria italiana solicitou a prisão do técnico por seis meses, em cumprimento de pena que havia sofrido suspensão condicional. Em 2012, Conte já havia cumprido suspensão de quatro meses na Juventus.

O imbróglio judicial deverá se desenrolar por semanas e será decisivo para o início do trabalho de Conte no Chelsea. Afinal, para um time que mudou de direção nos últimos meses, a pré-temporada terá grande valor para arrumar a casa. Além disso, os Blues representam um momento importante na carreira do treinador. Se ele recolocou a Juventus no topo, não vem se saindo tão bem na Itália. Assumir um clube de ponta será a prova de fogo para as suas reais capacidades, ainda mais nos bastidores muitas vezes turbulentos de Stamford Bridge.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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