Inglaterra

Antiga promessa do United admite que roubava chuteiras de Ferdinand e Rooney para comprar comida

Em 2011, o Manchester United ganhou a Copa da Inglaterra da garotada. Tinha Paul Pogba e Jesse Lingard, mas o destaque da final, vitória por 4 a 2 sobre o Sheffield United, foi Ravel Morrison. Influências ruins, problemas pessoais e comportamentais, como chegar atrasado aos treinos, prejudicaram o seu grande talento. Em uma entrevista ao podcast de Rio Ferdinand, contou como costumava roubar as chuteiras do zagueiro e de Wayne Rooney para comprar comida para a sua família, o que o levou uma vez a ser expulso do vestiário.

Morrison acabou de terminar a sua mais recente tentativa de se firmar em algum lugar desde que deixou o Manchester United, em 2012, sem ter feito nenhum jogo pela Premier League – jogou três vezes em copas. Saiu para o West Ham, pelo qual jogou apenas 24 vezes. Passou por Birmingham, Atlas, do México, Queens Park Rangers, Lazio, Cardiff e Östersunds, sem nunca participar de mais do que 30 partidas por cada um deles.

Fez parte do elenco do Sheffield United para a temporada 2019/20. Jogou apenas 12 minutos na Premier League contra o Leicester no primeiro semestre antes de ser emprestado para o Middlesbrough, no qual também foi pouco utilizado. Passou os últimos meses no ADO Den Haag, vice-lanterna do Campeonato Holandês, mas acabou dispensado porque “não conseguiu dar o que estávamos procurando”, segundo a diretoria do clube.

Quando era mais jovem, tinha potencial sobrando. Segundo Ferdinand disse uma vez, Alex Ferguson achava que Morrison era o melhor garoto de 14 anos que ele já havia visto. “Eu pagaria para vê-lo treinar, jogar uma partida, então, nem se fala”, elogiou o ex-zagueiro do United que conduziu um bate-papo muito franco com Morrison em seu podcast.

“Lembra quando eu fui expulso do vestiário por roubar suas chuteiras?”, perguntou Morrison a Ferdinand. “Obviamente, eu recebia uma salário de estudante, era jovem. Dava para vender cada par de chuteiras por £ 250. Você pegava dois pares, £ 500, ia para casa e comprava comida chinesa ou alguma coisa assim para sua família. Vocês costumavam receber 30 pares de chuteiras. Eu não queria fazer nenhum mal, mas quando eu vi as suas entregas, ou as do Rooney, vocês recebiam 20-30 pares de chuteira por vez. Eu pensava que um par para colocar alguma comida na mesa não seria um grande problema”.

Morrison afirmou que um dos seus arrependimentos foi não ter ficado mais tempo no West Ham, alegando que houve desentendimentos com o então treinador Sam Allardyce na negociação de um contrato. Segundo ele, seu próximo passo deve ser na Championship, sua preferência para ficar mais perto de casa, mas também disse que há interesse de um clube do Campeonato Espanhol.

Ferdinand trocou mensagens com dois antigos treinadores de Morrison antes do programa. Chris Wilder, o último que o comandou na Premier League, e Alex Ferguson. “Rio, minha primeira e última impressão de Ravel como um garoto jovem é que ele sempre teve tempo e espaço, sempre disponível para receber a bola, tão incomum para um garoto daquela idade. Dê meus cumprimentos a ele, por favor”, escreveu Ferguson.

“Outra coisa sobre Ravel que eu sempre valorizei, porque nenhum outro jovem jogador que estreou fez isso. Depois do seu primeiro jogo pelo time principal, na manhã seguinte, ele entrou em meu escritório e me deu uma carta, me agradecendo pela sua estreia. Eu fiquei pasmo, Rio. O garoto tinha um coração bom, ele apenas foi vencido pelo seu ambiente”, completou.

A mensagem emocionou Morrison que, quase chorando, segundo Ferdinand, respondeu: “Quando fiz minha estreia, as palavras não podem escrever o sentimento, estrear pelo Manchester United. Ouvir isso me emociona, sabe o que eu quero dizer? Se eu pudesse voltar no tempo, eu mudaria 90% da minha vida”.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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