Inglaterra

Andy Carroll passou os últimos quatro meses desempregado e ganhará uma nova chance no Reading

Aos 32 anos, Andy Carroll volta à Championship uma década depois de liderar o acesso do Newcastle

Aos 32 anos, Andy Carroll passa longe de cumprir todas as expectativas que gerou no início da carreira. O centroavante nunca compensou os €41 milhões pagos pelo Liverpool, quando se tornou o substituto de Fernando Torres, e construiu uma carreira não mais que mediana por West Ham e Newcastle. O inglês só marcou um gol nas três últimas edições da Premier League e, sem renovar seu contrato em St. James’ Park, procurava um clube para seguir na ativa. Nesta segunda, após quatro meses desempregado, o veterano assinou um contrato para defender o Reading na Championship. O vínculo foi estabelecido apenas até o meio de janeiro, com possibilidade de renovação.

Há um mês, Carroll ficou em evidência após uma entrevista ao site The Athletic. O centroavante comentou as dificuldades em lidar com a falta de perspectivas na carreira, em especial nas conversas com os filhos: “As crianças ainda pensam que vou jogar pelo Manchester City ou pelo Barcelona, o que todos sabemos que não acontecerá. Mas elas ainda me motivam para buscar um novo clube e é isso que quero fazer. Desejo jogar diante da minha família e ganhar jogos. Minha motivação e minha paixão não desapareceram nem um pouco. Tenho sorte de ser pago por trabalhar em um hobby, na verdade. Se não estivesse fazendo isso para viver, estaria jogando com meus amigos. Isso é tudo que eu sei”.

Esta será a terceira experiência de Carroll na Championship. O atacante teve uma rápida passagem pelo Preston North End no início da carreira, sem grande impacto. Já em 2009/10, após o rebaixamento do Newcastle, o prata da casa foi o principal responsável por garantir o acesso imediato dos Magpies – com 17 gols e 12 assistências. Até por isso, seu preço se inflacionaria ao sair para o Liverpool meses depois, após um ótimo primeiro turno na Premier League 2010/11. Contudo, o centroavante nunca faria o sucesso que muitos apostavam.

Em sua passagem pelo Liverpool, Carroll marcou seis gols em uma temporada e meia na Premier League. Teria sucesso relativo no West Ham, como um jogador importante dentro do elenco, mas sofreu muitas lesões e nunca chegou aos dois dígitos de gols no Campeonato Inglês. Já o retorno ao Newcastle nas duas últimas temporadas foi bem tímido, com raras aparições em campo e só um gol marcado. Os Magpies ainda prometeram negociar sua renovação, mas, numa atitude de desdém repetida na gestão de Mike Ashley, ninguém da diretoria sequer deu uma satisfação. Era difícil imaginar que o veterano encontrasse espaço em outro clube da primeira divisão.

“Depois do último jogo contra o Fulham, eu pensava em esperar o que aconteceria. E, então, nada aconteceu. Depois que desci do ônibus, nunca mais vi ninguém. Meu contrato acabou e foi isso. Nunca voltei. Meu armário está cheio das minhas coisas. O roupeiro me ligou outro dia para ir buscar”, comentou Carroll. “Recebi ligações da Turquia e de outros cantos da Europa, não sei onde vou parar. O ideal seria ficar por perto, por causa da minha família, mas, se não der, ficaria feliz em viajar”.

O Reading faz uma campanha morna na Championship e ocupa o 16° lugar, embora a diferença para a zona de playoffs seja de apenas quatro pontos. O elenco conta com alguns jogadores renomados – a exemplo de Rafael Cabral, Danny Drinkwater, Alen Halilovic e Junior Hoilett. Carroll se juntou ao clube num momento em que o ataque sofre com uma série de problemas de lesão, o que pode alçá-lo até mesmo como titular. É se empenhar para convencer a diretoria a oferecer outro contrato em janeiro.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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