Inglaterra

‘É brasileiro, mas não joga como um’: Andrey Santos ganha vida nova no Chelsea

Volante brasileiro assume função central no meio-campo, dá estabilidade à equipe e aparece como solução para um setor que buscava identidade

A chegada de Liam Rosenior ao comando do Chelsea trouxe mudanças rápidas e uma delas passa diretamente por Andrey Santos. Aos 21 anos, o volante brasileiro deixou de ser opção circunstancial para se tornar um dos pilares do novo desenho tático da equipe.

Nos primeiros compromissos sob o novo treinador, Andrey esteve presente em quase todas as partidas e foi titular nos jogos mais exigentes do período, incluindo confrontos diante de Arsenal na Premier League e Napoli na Champions League. O recado é claro: Rosenior confia no brasileiro para sustentar o jogo desde trás.

Essa confiança não é recente. Ainda na temporada passada, quando trabalhavam juntos no Strasbourg, o técnico inglês já destacava a maturidade incomum do meio-campista. “Ele joga como se fosse muito mais velho”, disse à época, em uma comparação com Dunga que reforçava a leitura de jogo e a inteligência tática de Andrey.

O papel silencioso de Andrey para organizar o Chelsea

Diferentemente de outras fases da temporada, o Chelsea passou a ter um volante claramente definido como referência posicional. Andrey Santos é o jogador mais recuado do meio-campo, responsável por iniciar a construção, oferecer linha de passe aos zagueiros e controlar o ritmo da posse.

Essa escolha altera todo o funcionamento da equipe. Com o brasileiro fixo à frente da defesa, Moisés Caicedo deixa de atuar como único que sustenta o setor e ganha liberdade para pressionar mais alto, disputar duelos e até aparecer no ataque. Enzo Fernández, por consequência, também encontra maior proteção para atuar mais próximo da área adversária.

Andrey comemora gol do Chelsea
Andrey comemora gol do Chelsea (Foto: Imago)

Rosenior explicou a lógica após uma das vitórias recentes: “Ter o Andrey nessa posição nos permite reorganizar o meio-campo e manter os outros jogadores onde eles rendem melhor.”

A leitura de espaços, o controle emocional e a capacidade de jogar sob pressão tornam Andrey um ponto de equilíbrio em um time que, até pouco tempo, oscilava entre excesso de riscos e falta de fluidez.

Juventude, riscos e margem para crescer

Assumir tamanho protagonismo tão cedo, porém, cobra seu preço. Em partidas de maior intensidade, especialmente quando ficou sem Caicedo ao lado, o brasileiro sofreu com pressões agressivas e com erros pontuais na saída de bola. São situações naturais para alguém que passou a ocupar uma das zonas mais sensíveis do campo.

Ainda assim, o saldo é positivo. Andrey entrega mais consistência defensiva do que alternativas improvisadas e oferece qualidade técnica superior para a progressão do jogo. Sua segurança com a bola nos pés, característica que já mostrava no Vasco, ajuda o Chelsea a sair jogando sem recorrer constantemente ao jogo direto. E rendeu elogios da imprensa inglesa:

Santos é confiante e geralmente se sente confortável recebendo a bola sob pressão em seu próprio terço defensivo. Quando surgiu no Vasco da Gama, não era raro vê-lo saindo com a bola dominada de dentro da área em tiros de meta curtos“, disse o “The Athletic”, em sua análise sobre o brasileiro.

É possível que sua nova função limite suas chegadas à área, algo que rendeu bons números ofensivos na França. Mas seu potencial em bolas paradas segue presente, e o clube entende que essa ameaça pode ser explorada sem comprometer sua disciplina posicional.

Com a recuperação de jogadores importantes, a concorrência aumentará. Ainda assim, pela primeira vez desde que chegou à Inglaterra, Andrey Santos não disputa apenas minutos, mas também o destaque.

No Chelsea de Rosenior, ele deixou de ser promessa em observação para se tornar fundamento do time. E isso, para um volante de 21 anos, diz muito sobre o caminho que começa a se desenhar.

Foto de Guilherme Ramos

Guilherme RamosRedator

Jornalista pela UNESP. Vencedor do prêmio ACEESP de melhor matéria escrita de 2025. Escreveu um livro sobre tática no futebol e, na Trivela, escreve sobre futebol nacional, internacional e de seleções.

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