InglaterraPremier League

Um terço dos clubes da Premier League são de americanos

Shahid Khan é o mais novo dono do Fulham. O empresário é dono também do Jacksonville Jaguars, time da NFL. É mais um americano que entra no futebol inglês, um dos mais dominados por milionários do exterior. São seis americanos donos de clubes da Premier League. Praticamente um terço da primeira divisão inglesa é dominada por americanas. E pouco está se falando sobre quais as consequências de tantos donos estrangeiros, tantos bilionários entrando no futebol. O que isso significa?

Bom, a rivor, Khan é paquistanês, mas foi para os Estados Unidos aos 16 anos e fez a sua vida – e fortuna – no país. Como tem nacionalidade americana, é assim considerado. No blog Talking Sport, do jornal Guardian, David Conn citou essa “invasão” americana dizendo que, até agora, esses bilionários não justificaram por que resolveram apostar em tradicionais clubes ingleses.

“Futebol, amado ao redor do mundo, está, aqui na terra onde começou há 150 anos, vendendo alguns dos seus mais históricos clubes a bilionários dos Estados Unidos, praticamente o único país que nunca foi fascinado pelo jogo”, diz o texto. “Assim que eles chegaram para comprar o Manchester United, Liverpool, Arsenal, Aston Villa, Sunderland e agora o Fulham, esses bilionários astutos e calcuustas raramente explicaram de forma convincente o que está impulsionando a aquisição gradual do nosso futebol pelos Estados Unidos”.

É claro que a motivação não é esportiva. Transformar o futebol em um negócio bilionário fez com que a atenção de diversos empresários ao redor do mundo se voltasse ao “jogo bonito”, como a Fifa gosta de chamar o futebol. A Inglaterra se tornou um paraíso para quem imagina ganhar dinheiro com futebol, já que a sua liga se tornou a mais famosa e lucrativa do mundo, seja em acordos de TV, seja pela visibilidade que permite enormes ganhos comerciais.

O texto de Conn no Guardian ainda alerta para o longo prazo. “Isso está se tornando um grupo crítico, seis clubes de 20, aquisições nunca planejadas, mal explicadas. Ao mesmo tempo que mais pessoas do futebol estão lamentando o desequilíbrio entre os times como investimentos globais e a fraqueza da seleção inglesa, representando um esporte ainda organizado país por país.As implicações a longo prazo de aquisições financeiras estrangeiras, predominantemente dos Estados Unidos, não estão sendo consideradas; os clubes estão sendo vendidos, um por um. A Premier League verá esse nnegócio como outro aperto de mão de aprovação, um sinal de sucesso. Mas nenhum outro país europeu está vendendo seus clubes de futebol assim. A Alemanha, que trouxe dois clubes para a final da Liga dos Campeões e jogou em Wembley para honrar o nascimento do jogo na Inglaterra há 150 anos, zomba e diz que nunca permitiria isso”.

O futebol precisa parar para refletir quais as implicações de ter bilionários no controle de clubes e como isso funciona. O esporte é um negócio e isso é irreversível. Mas a forma como essas aquisições de clubes estão sendo feitas merece uma reflexão maior. Sabemos por que alguns lavadores de dinheiro querem entrar no futebol. Resta saber se nada será feito ou se iremos analisar melhor as consequências desse tipo de negócio desregulado no futebol a longo prazo.

Mostrar mais

Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo