Alerta vermelho nos Gunners

As derrotas do Arsenal normalmente têm a mesma explicação: o adversário marcou de forma asfixiante, com muita força física, e não permitiu que os ‘Gunners’ mostrassem o habitual jogo de passes rápidos e valorização da posse de bola. No último sábado, na derrota por 1 a 0 para o Fulham em Craven Cottage, nem as desculpas de sempre serviram. O time de Arsène Wenger foi batido de forma incontestável, tornando difícil não questionar as possibilidades da equipe de brigar pelo título da Premier League.
É claro que ausências como as de Fàbregas e Rosicky sempre se fazem sentir. Mas o restante do time que começou jogando era o melhor que Wenger tinha à disposição, e não foi nada impressionante. O Fulham foi o melhor time em campo por 70 minutos, até se cansar, e o Arsenal não merecia nem mesmo voltar para casa com um empate.
O gol do norueguês Hangeland – um dos melhores zagueiros do futebol inglês – aos 21 minutos do primeiro tempo expôs um antigo problema do Arsenal nas bolas paradas. Para agravar a situação, não foi nem um caso de jogada aérea, quando muitas vezes o mérito do ataque se faz mais evidente. O cruzamento de Bullard após escanteio curto veio por baixo, e o capitão Gallas se deixou antecipar por Hangeland com assombrosa facilidade.
O setor mais decepcionante dos Gunners foi o meio-campo, sobretudo na faixa central, com Denílson, que abusou dos erros de passes, e Eboué, bom na marcação, mas nulo na construção do jogo. A dificuldade dos dois em manter a bola fez com que Nasri e principalmente Walcott fossem menos acionados do que poderiam.
Nos vinte minutos finais, quando poderia ter se aproveitado do desgaste físico do Fulham, o Arsenal foi um time sem organização. Os jogadores davam preferência a tentativas individuais em detrimento de jogadas coletivas, e o resultado foi um fim de jogo tranqüilo para o bom goleiro Schwarzer, que praticamente não foi incomodado.
Os méritos do Fulham também têm de ser observados. A boa atuação diante do Arsenal mostra que a derrota na estréia contra o Hull pode ter sido um acidente. Roy Hodgson fez um bom trabalho no mercado, e dois dos reforços para a temporada estiveram entre os melhores da partida: o lateral-direito Pantsil e o meia Gera.
De qualquer forma, o Arsenal precisa se preocupar. Wenger insiste na idéia de que não precisa de reforços caros para montar um time, mas este ano é diferente dos demais. O elenco foi muito desfalcado em relação à temporada passada, com saídas de titulares importantes, como Flamini e Hleb, e de reservas confiáveis, como Gilberto Silva e Senderos. Tudo indica que o cheque do francês continuará no bolso – e o Arsenal assistirá de fora à briga pelo título.
Chuva de críticas
A atuação da seleção inglesa no empate por 2 a 2 com a República Tcheca deixou a impressão de que as mudanças prometidas por Fabio Capello ainda estão distantes. Depois de Capello dizer que a Inglaterra tinha capacidade para jogar como a campeã européia Espanha, foi impossível não se decepcionar com o que se viu em Wembley. Se não fosse o gol de Joe Cole nos acréscimos, os tchecos teriam saído de campo com uma merecida vitória.
As duas principais promessas do treinador italiano – de que os jogadores mostrariam mais senso coletivo pela seleção e repetiriam as atuações que têm em seus clubes – passaram longe. Gerrard, escalado na esquerda do meio-campo, foi um desastre, e não por sua culpa. O velho dilema de fazer o jogador do Liverpool coexistir em campo com Lampard persiste.
A pressão sobre o English Team é ainda maior depois da brilhante participação da Grã-Bretanha nos Jogos Olímpicos. No público, ficou a sensação de que os atletas olímpicos, ao contrário dos jogadores da seleção, competem com orgulho pelo país.
Nesta semana, Capello convoca a equipe para os primeiros jogos das eliminatórias da Copa do Mundo. A estréia no grupo 6 contra Andorra deve ser tranqüila, mas no dia 10 de setembro há o primeiro grande teste, já decisivo pra as pretensões da equipe: a visita à Croácia, algoz nas eliminatórias da Eurocopa. Somente um bom resultado em Zagreb acalmará os críticos.



