Adiós muchacho?

O Tottenham está perto do limite. Com dois pontos em oito rodadas, os Spurs vão se isolando na lanterna e passando mais tempo que o aceitável na zona de rebaixamento. Por isso, ainda que o time tenha condições técnicas de sair dessa situação assim que entrar em boa fase, o ambiente em White Hart Lane está próximo do insustentável, ainda mais depois de perder para o Stoke City neste domingo.
Em números, a situação é crítica. Ramos tem como principal arma o fato de ter conduzido o Tottenham ao título da Copa da Liga inglesa na temporada passada, quebrando um longo tabu sem vitórias contra o Arsenal no caminho. No entanto, os Spurs já disputaram 20 partidas de Campeonato Inglês desde a vitória sobre o Chelsea na final da Copa da Liga. E venceu apenas três desses encontros.
Ainda que seja verdade que o trabalho do técnico Juande Ramos decepciona, é também um fato que o clube tem sido vítima de seguidos azares. Na partida contra o Stoke (que ganhou ares de confronto direto contra o rebaixamento), Corluka foi levado ao hospital inconsciente após se chocar com Gomes. Além disso, Bale foi expulso com 17 minutos de jogo, deixando o time londrino mais vulnerável.
Nem Ramos tem convicção em dizer que comandará a recuperação do clube. O treinador admitiu que não sabe até quando David Levy, presidente do Tottenham, continuará dando chances a ele. Os jogadores e Martin Jol, ex-treinador do clube, se prontificaram a dar entrevistas dando apoio ao espanhol, sinal inequívoco de que há uma corrente contra seu nome em White Hart Lane.
A lógica leva a conclusão de que a troca de comando é iminente. No entanto, a diretoria dos Spurs apostou muito alto ao tirar Ramos do Sevilla. De acordo com parte da imprensa inglesa, o espanhol seria, na época de sua contratação, o técnico de salário mais alto da Europa. Nem Alex Ferguson, Arsène Wenger ou Rafa Benítez ganhariam tanto, ainda que tenham currículo muito mais extenso.
Assim, demiti-lo pode ser uma questão mais complicada do que parece. Não apenas por multa contratual, mas também por ser uma aposta da diretoria. Trocar o técnico seria assumir um erro que passou um ano custando caro. O Tottenham pode se basear nisso para dar mais uma chance a Ramos. Mas já seria algo fora do esperado.
Cheiro de filme velho
Chelsea e Liverpool apenas três pontos à frente do Hull City, que está deixando Arsenal e Manchester United para trás. O Aston Villa também está bem colocado e a tabela do Campeonato Inglês fica com uma interessante conformação em que não parece haver pelotões muito definidos. Mas isso é só a aparência superficial. No fundo, já está claro que a Premier League, mais uma vez, terá o quarteto de sempre brigando pelas quatro primeiras posições, com os Gunners sendo os únicos suscetíveis a surpresas na classificação para a Liga dos Campeões.
Isso fica evidente ao se avaliar a campanha do Manchester United, o grande que está em pior colocação na tabela. Os Red Devils tiveram um tropeço para um time médio (Newcastle), esbarraram em dois confrontos diretos (Chelsea e Liverpool) e só. De resto, o time segue vencendo os pequenos com facilidade e só não está no pelotão da frente porque tem um jogo a menos.
Chelsea e Liverpool caminham em ritmo semelhante. Ambos tropeçaram duas vezes cada em oito rodadas, mas um dos empates dos Blues foi em confronto com outro grande. O Arsenal ainda desperta alguma desconfiança por causa de resultados como a derrota em casa para o Hull City e empate com o Sunderland. De qualquer modo, é inegável que os Gunners têm menos orçamento, experiência e expectativa de resultados que seus concorrentes.
Para reforçar a sensação de que só ocorrerá surpresas se algum fato novo surgir, o desempenho dos times médios decepciona. O Aston Villa de Martin O’Neill tem realmente uma campanha consistente e aparece como potencial pedra no sapato. Os demais já indicaram desde o início que não têm tanta força quanto se imaginava. Everton, Tottenham e Newcastle estão, no momento, mais preocupados com o rebaixamento do que com a Copa Uefa. O Portsmouth parece empacado no meio da tabela.
No entanto, o exemplo mais claro é o Manchester City. O time médio que recebeu mais investimento nesta temporada já perdeu em casa para Chelsea e Liverpool. Ainda que sejam resultados aceitáveis, um time que pretende se colocar como quinta força tem obrigação de se impor em casa.
O futebol inglês passa por um interessante – ainda que às vezes com motivações suspeitas – processo de crescimento de suas equipes médias. Com isso, a Premier League voltaria a ser um torneio com forças mais ou menos equilibradas. Infelizmente, não será nesta temporada que isso ocorrerá.



