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A primeira coletiva de Conte no Chelsea foi um espetáculo

A Itália foi um dos grandes destaques durante a Eurocopa. O futebol apresentado pela Azzurra foi muito mais do que o estereótipo dos times italianos, calcados pela defesa. O time foi eficiente, sim, mas foi perigoso no ataque, com uma marcação forte e uma boa forma de trabalhar a bola. Foi mais perigoso que os adversários e fez um jogo duríssimo com a campeã do mundo, Alemanha. Antonio Conte chega, portanto, com moral ao Chelsea. E chegou mostrando que o espetáculo que deu fora de campo na Eurocopa deve ser mantido na Premier League.

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Terry, capitão e importante

O técnico Antonio Conte mal chegou ao Chelsea e já agrada a torcida com uma boa notícia: o zagueiro John Terry foi mantido como capitão do time. Depois da novela da renovação do seu contrato na última temporada, o ídolo dos Blues ficou, disse aceitar um papel diferente no clube – leia-se ficar na reserva -, mas já viu o novo chefe dar moral para o jogador, de 35 anos.

“John Terry assinou contrato como jogador, não em um papel diferente”, disse Conte em sua primeira coletiva de imprensa como técnico do Chelsea. O italiano foi anunciado em abril, enquanto Guus Hiddink ainda estava como técnico interino após a saída de José Mourinho em dezembro. Conte comandou a Itália na Eurocopa, onde parou nas quartas de final, diante da Alemanha, e já assumiu os treinos no Chelsea.

“Ele é um jogador com grande personalidade e grande carismta. Eu gosto de falar com ele porque eu sei como ele se sente em relação ao clube, tem o espírito certo para jogar no clube, e para mim ele é um jogador importante, como outros jogadores”, disse o treinador italiano. “Quando um jogador merece jogar, comigo ele joga”, explicou ainda treinador.

“John Terry é o capitão do Chelsea quando ele joga. Ele é o capitão do Chelsea sempre. Ele é um grande jogador, com grande personalidade e carisma. Ele conhece o clube”, declarou o treinador.

Quando perguntado se ele tinha exercido um papel na permanência de Terry, Conte foi enfático. “Sim. Eu repito que Terry é um jogador importante para o clube. Todas as decisões nós tomamos junto com o clube. Eu estou muito feliz. Eu falei com ele diferentes vezes e para mim o mais importante foi quando ele assinou o contrato ele estava muito, muito feliz”, disse ainda Conte.

Vários candidatos ao título

Se no Brasil sempre ouvimos que há uns 10 candidatos ao título quando começa o campeonato (e que sabemos que não é verdade), Conte diz que na Inglaterra, seis ou sete times começam como candidatos ao título. “Eu acho que é a liga mais difícil do mundo porque há seis ou sete times que podem conquistar o título”, disse.

Pressão, para ele, não será um problema. “A pressão para mim não é importante porque eu nasci com pressão. É normal, porque quando você é um jogador ou técnico de um grande clube, como o Chelsea, você tem que jogar para vencer”, disse o novo técnico.

“Ganhar o título, lutar até o fim para competir com outros times para vencer o título, alcançar os objetivos. Eu sei que essa liga é muito, muito difícil porque há seis, sete times que podem vencer o título e, por esta razão, a situação, isso me empolga”, continuou.

Um alfaiate em Stamford Bridge

Conte é um grande autor de frases. Uma delas já foi dita nesta primeira coletiva de imprensa, de apresentação. “Quando eu estava na Itália, eu gostava de dizer que o técnico é como um alfaiate, você precisa fazer a melhor roupa para o time”, disse o treinador. “Três ou quatro na defesa, isso não é importante. O que é importante é o espírito certo do time e uma boa organização”, explicou. “É importante ter jogadores que estão prontos para brigar, jogar um bom futebol e transferir a nossa paixão e emoção aos torcedores”, afirmou ainda Conte.

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Conselho de um compatriota?

Conte é um treinador com 46 anos e uma boa experiência depois de dirigir Juventus e seleção italiana. Mesmo assim, ele pedirá conselhos a outro técnico que foi bem sucedido na Premier League. Um compatriota. Acho que você já sabe de quem estamos falando.

“No futuro, eu ligarei para Claudio Ranieri. Ele é um homem adorável e eu pedirei a ele alguns conselhos”, contou o técnico. “Eu sinto a responsabilidade de representar a Itália fora do país e nossos modos e costumes também”, disse ainda Conte.

Será que ele também levará o time para comer pizza? Alguns jogadores certamente gostariam disso.

Transformar uma faísca em um inferno

Como dissemos, Conte é um treinador cheio de boas frases. Eis mais uma da coletiva desta quinta-feira. “Eu me sinto muito emotivo. Hoje é a minha primeira coletiva de imprensa. É incrível. Eu estou muito orgulhoso e trabalhei muito para chegar até aqui”, afirmou.

“Eu espero que nós possamos surpreender as pessoas, que haja uma pequena faísca que possa se transformar em um inferno em chamas”, disse Conte. “Há uma mentalidade vencedora que alguns técnicos têm. Eu acredito que há vencedores no futebol e nem todo mundo tem isso”, declarou ainda o carismático treinador.

“Respirar grama”

Conte trocou um trabalho de prestígio, treinar a seleção italiana, pelo Chelsea. Não pareceu uma escolha difícil. Perguntado sobre isso, o italiano deixou bem claras suas razões com mais uma metáfora maravilhosa.

“Eu decidi deixar a seleção depois de nos classificarmos para a Eurocopa. Eu queria voltar a respirar grama… Dia após dia”, disse. “Eu tive uma grande oportunidade de falar com o Chelsea, um grande clube, e estou muito feliz de encontrar uma solução fantástica”.

Correr mais que o adversário

Na campanha da Itália durante a Eurocopa, uma característica que ficou marcante é que a Azzurra se matava em campo. Uma dedicação que a fazia correr mais que os adversários. É uma mentalidade que Conte quer levar ao Chelsea.

“Eu gosto de trabalhar e eu sei o caminho para vencer e levar o clube de volta a competir na Champions League e ganhar o título. Trabalhar, trabalhar, trabalhar. Eu encontrar a atitude certa para os jogadores e eu estou muito feliz por isso”, explicou.

“Se você quiser vencer, você precisa jogar um futebol bom e atrativo, mas também tem que ter uma boa condição física”, afirmou ainda Conte. “Se você correr mais que os outros, você tem mais probabilidade de vencer”.

Sofrimento no jogo

Um dos momentos mais divertidos da Eurocopa foram as reações de Conte. O chute na bola quando ela chegou perto do treinador, os gestos à beira do gramado, a comemoração maluca quando o juiz apitou o fim da vitória sobre a Espanha. Isso deve se manter.

“Eu sofro durante o jogo. Eu quero que meus jogadores e os torcedores vejam isso. Nós trabalhamos muito duro para chegar aos nossos objetivos”, explicou o treinador. “Eu tenho uma grande paixão por futebol, pelo meu time e pelo meu trabalho. Eu quero transferir para os meus jogadores e torcedores”, contou.

O que podemos esperar é que a temporada da Premier League seja muito divertida com Conte dando um show de reações à beira do gramado. Nada muito diferente do que os torcedores do Chelsea estavam acostumados com José Mourinho. Talvez com um pouco mais de paixão italiana.

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Foto de Felipe Lobo

Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!). Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009, onde ficou até 2023.

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