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A muito estranha carreira de Afonso Alves chegou ao fim

Afonso Alves, 34 anos, nasceu em Belo Horizonte e começou a jogar bola profissionalmente no Atlético Mineiro, mas é à Holanda que deve grande parte da sua conta bancária. Em 2006, aos 25 anos, deixou o Malmö, da Suécia, pelo qual tinha uma boa média de gols, próxima a um a cada duas partidas, para assinar com o Heerenveen e alcançar um sucesso sem precedentes na sua carreira, que chegou ao fim, nesta segunda-feira.

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As duas temporadas de Afonso Alves na Holanda foram mágicas. Ele tinha o toque de midas nos pés, e qualquer chute terminava em gols. Foi artilheiro do Campeonato Holandês na sua primeira temporada com 34 tentos, mais que Ronaldo e Romário conseguiram nas suas passagens pelo país. O sucesso do jogador não passou despercebido no Brasil e lhe valeu suas primeiras convocações para a seleção brasileira do técnico Dunga.

Foi chamado para a Copa América de 2007, na qual entrou em campo três vezes, para alguns amistosos e para a partida das Eliminatórias da Copa do Mundo contra a Colômbia. Jogou oito partidas com a camisa pentacampeã do mundo e marcou um único gol, contra o México, em amistoso de setembro daquele ano.

Não foi um sucesso na seleção e se tornou um dos jogadores mais citados quando o crítico queria falar mal das listas de Dunga. A despedida dele foi em 14 de outubro, quatro dias depois de fazer sete gols no mesmo jogo pelo Heerenveen, no atropelamento por 9 a 0 sobre o Heracles. Fez mais quatro gols na Holanda, mas, em janeiro, acabou contratado pelo Middlesbrough, da Inglaterra, como o jogador mais caro da história do clube.

O Boro pagou € 17 milhões por Afonso Alves e se arrepende um pouco de ter batido seu recorde com o brasileiro. O atacante nem começou tão mal no primeiro semestre de 2007, com seis gols em 11 jogos de Premier League. Três deles foram marcados na goleada por 8 a 1 sobre o Manchester City, o que o torna um dos oito sul-americanos a conseguirem anotar uma tripleta na liga inglesa. Mas na temporada seguinte, sua única completa na Inglaterra, fez apenas quatro gols em 31 jogos.

Não à toa, Afonso Alves é considerado um grande fracasso em Middlesbrough, a ponto de virar piada. O Gazette local está cobrindo sua aposentadoria, de maneira um pouco jocosa, como se fosse o adeus de um super ídolo. Montou até um quiz para o torcedor descobrir o quão bem conhece a carreira do brasileiro. Antes de pesquisar para esse post, acertei três de cinco.

Ele foi para o Catar, onde passou por três clubes diferentes, e caiu pouco a pouco no esquecimento. O melhor momento na região foi em 2010, emprestado ao Al Rayyan e sob o comando de Paulo Autuori, quando fez sete gols em sete partidas pela liga e mais nove na AFC Cup.

Deixou o Al Gharafa ano passado, pelo qual jogou muito pouco, e enquanto tratava de uma lesão no joelho, procurou outro clube para defender. Disse ao jornal Extra que preferia atuar no exterior e tinha algumas coisas bem encaminhadas nos Emirados Arábes. Nenhuma se concretizou. Ele voltou ao Heerenveen para fazer um teste durante uma semana e ponderou voltar a defender o clube holandês. Mas seu plano não funcionou. “Ele tem 34 anos e não tem jogado há algum tempo. É incrivelmente difícil voltar ao alto nível”, afirmou o diretor-técnico do clube Hans Vonk ao Voetbal International. “Temos que respeitar sua decisão. Nós víamos que ele ainda tinha o toque, mas era difícil dizer como estava fisicamente”.

Afonso Alves preferiu parar por aqui e anunciou, na sua conta no Instagram, que colocou ao fim sua muito estranha carreira, com uma transferência milionária para a Inglaterra, seleção brasileira, esquecimento no Catar e momentos de brilhantismo como os grandes craques, mas também pisadas na bola como os atletas mais grossos que conhecemos.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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