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A estreia de Guardiola no Manchester City em cinco pontos

Guardiola já havia realizado amistosos como técnico do Manchester City, mas disputou, neste sábado, seu primeiro jogo oficial e competitivo. O resultado foi aceitável: vitória suada por 2 a 1, sobre o Sunderland, no Etihad Stadium, com um gol contra nos minutos finais. A atuação, apenas razoável. Deu para ver algumas impressões digitais do espanhol na equipe, mas, naturalmente, ainda falta muito tempo para a engrenagem funcionar plenamente.

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Quais foram essas impressões digitais é o assunto deste texto. Separamos cinco aspectos que pudemos observar na estreia oficial de Guardiola no futebol inglês. Vale sempre deixar claro: nada disso é conclusão definitiva porque se baseia em apenas 90 dos 3.420 minutos de bola rolando dos quais o Manchester City participará até o final da Premier League, sem contar as copas e a Champions League. São apenas indícios do que Guardiola pensa para o seu Manchester City.

Posicionamentos

No papel, e no momento defensivo, o Manchester City posicionou-se em um 4-1-4-1, mas os times de Guardiola são sempre flutuantes. Houve várias alterações ao longo da partida, principalmente na saída de bola, uma das maiores preocupações do técnico espanhol, que odeia a troca de passes infrutífera e a chamada “saída em U”, em que a bola passa de pé em pé dos laterais para os zagueiros sem que a equipe avance.

Por isso, ele tenta buscar soluções e variações. Foi comum ver Kolarov avançando com a pelota nos pés, enquanto Clichy e Sagna fechavam o trio de zagueiros. Uma variação curiosa aconteceu no final do primeiro tempo: Fernandinho recuou para trás de Stones e Kolarov, e Clichy e Sagna afunilaram como se fossem a dupla de volantes do clube inglês.

Guardiola gosta do jogador que tenta o passe, rasteiro ou longo, que corta as linhas de defesa do adversário a partir da saída de bola. Gündogan deverá tentar fazer isso durante a temporada, mas, nesta primeira rodada, foi Fernandinho quem atuou entre as linhas de meio-campo e defesa. David Silva, que muitas vezes na carreira foi ponta, jogou de meia esquerda e recuou bastante para buscar a bola com o brasileiro. Ao seu lado, como o outro meia central, esteve De Bruyne, que também já brincou bastante pelos flancos do campo.

O ataque teve Agüero centralizado e pouco participativo. Teve escassas chances de finalizar. Sterling jogou deslocado na ponta direita para Nolito, que fez boa estreia, ocupar a ponta esquerda. No segundo tempo, Guardiola tirou o espanhol e colocou Navas para correr pela direita, devolvendo Sterling à sua posição preferida.

A “invenção”
Kolarov: zagueiro (Foto: AP)
Kolarov: zagueiro (Foto: AP)

Guardiola é conhecido por usar jogadores fora de suas posições de origem, o que muitos chamam de “invenções”, e no Manchester City não foi diferente. O lateral esquerdo ofensivo Kolarov foi usado de zagueiro ao lado de Stones. A ideia foi aprimorar o passe desde a linha defensiva, como fez, por exemplo, com Mascherano, Abidal e até Adriano na época de Barcelona. Nem sempre é possível ter um Boateng que, mesmo sendo zagueiro, tem um passe curto e longo de qualidade – e mesmo no Bayern de Munique, Xabi Alonso e Alaba chegaram a atuar como zagueiros. Resta saber se essa novidade se manterá quando Kompany voltar de lesão.

O goleiro
Willy Caballero, titular contra o Sunderland (Foto: AP)
Willy Caballero, titular contra o Sunderland (Foto: AP)

Como indicou nos amistosos de pré-temporada, Guardiola começou a Premier League com Willy Caballero como titular. Joe Hart ficou no banco de reservas e tem uma missão difícil pela frente para tentar recuperar seu espaço dentro do clube, já que a imprensa inglesa associa o City a Ter Stegen. Além de defender bem, como Caballero fez em um chute à queima-roupa de Defoe, a única boa chance do Sunderland no primeiro tempo, o argentino supera o inglês, na avaliação de Guardiola, com a bola nos pés. Tentou sempre sair jogando com passes curtos e médios e deu poucos chutões. Ter Stegen, caso realmente seja contratado, é ainda melhor nisso.

Posse de bola

Surpresa nenhuma, certo? Aprender a filosofia inteira de Guardiola demanda tempo, mas seus times sempre ficam com a bola mais tempo que o adversário, pelo posicionamento dentro de campo e pela orientação básica de trocar passes curtos e tentar abrir espaços. Os números comprovam isso:

Temporada passada:

– 55,2% de posse de bola
– Média de 539.2 passes por jogo
– 83% de acerto nos passes.

Contra o Sunderland:

– 76,9% de posse de bola
– 678 passes trocados.
– 85% de acerto nos passes

O que faltou

Faltou contundência ou, no português claro, um pouco de fome para ampliar o placar, principalmente nos primeiros 30 minutos, quando teve controle total da partida. A troca de passes foi boa e, com a linha avançada, o Manchester City ocupou bastante o campo de ataque. Mas Agüero não fez uma boa partida, os pontas buscaram cruzamentos infrutíferos e os meias não tentaram tantas infiltrações quanto seria necessário para o time da casa levar perigo. No geral, o City criou poucas chances e, apesar de muita posse de bola, finalizou 16 vezes, apenas quatro no alvo. Muito pouco.

Sem matar a partida, o Sunderland foi se sentindo mais confortável na partida e, quando acertou uma boa jogada, Defoe fez o que sabe fazer melhor e empatou, cara a cara com Caballero. Mais no abafa do que qualquer outra coisa, o City conseguiu a vitória em um gol contra de McNair, após jogada de Navas, que entrou no segundo tempo.

Foto de Bruno Bonsanti

Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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