Holanda

Vice-campeão do mundo, Eljero Elia volta ao seu primeiro clube e jogará pelo ADO Den Haag na segundona

Com passagens importantes por Hamburgo e Feyenoord, o ponta de 34 anos voltou à sua primeira casa

Eljero Elia possui no currículo 30 partidas pela seleção da Holanda, seis delas na Copa do Mundo de 2010. O ponta era um nome frequente saindo do banco e entrou no segundo tempo da final perdida contra a Espanha. Aos 34 anos, sem contribuir muito à Oranje além do Mundial da África do Sul, o veterano segue na ativa pela Eredivisie. E depois de alguns meses sem clube ele vai retornar para a sua primeira casa, ao assinar contrato com o ADO Den Haag, time que o lançou para o futebol e que atualmente milita na segunda divisão.

Elia passou os últimos meses treinando no ADO Den Haag, mas o clube não vinha em situação financeira favorável e preferiu esperar a chegada de novos investidores para fazer a oferta. “Desde o momento em que cheguei ao campo de treinamentos, tenho uma sensação familiar de estar de volta ao clube. Venho trabalhando na minha preparação física há dois meses e agora espero poder acrescentar algo nas competições. Inicialmente, claro, ajudando com minhas qualidades, mas também com minha experiência”, assinalou o veterano.

Elia chegou a ter uma rápida passagem pelo Ajax na base (dispensado ao lado de Jeremain Lens e Nordin Amrabat), mas o grosso de sua formação aconteceu no ADO Den Haag e por lá também se profissionalizou. O ponta chegou a disputar duas temporadas completas pelo clube e surgia como uma boa promessa quando foi contratado pelo Twente em 2007, aos 20 anos. O novato viveria um momento importante sob as ordens de Steve McClaren, embora tenha saído antes da conquista da Eredivisie em 2009/10. Antes do início daquela temporada, o habilidoso atacante assinou com o Hamburgo.

Elia ganhou sua primeira convocação já no Hamburgo e conquistou a confiança do técnico Bert van Marwijk neste momento. Passou a frequentar os jogos da Holanda e esteve presente na Copa de 2010, como um reserva que entrou em seis dos sete compromissos da equipe na África do Sul – exceção feita às quartas de final contra o Brasil. O jogador também fez seu nome na Bundesliga, o que atraiu a atenção da Juventus em 2011/12. Embora presente no elenco que reconquistou a Serie A, ele disputou só quatro partidas na campanha e não foi aproveitado por Antonio Conte.

Neste momento, a carreira de Elia parecia entrar em declínio, aos 25 anos. O ponta voltou à Bundesliga através do Werder Bremen, mas não fez nada muito digno pelos antigos rivais. Também teria uma estadia breve na Premier League com o Southampton. Seu prestígio seria recobrado apenas com a volta para a Eredivisie, no Feyenoord. Em Roterdã, o ponta voltou a desfrutar seus melhores momentos e até ganhou novas convocações à seleção depois de três anos.  Comandado por Gio van Bronckhorst e ao lado de Dirk Kuyt, seus ex-companheiros em 2010, o ponta seria um dos destaques na conquista da liga em 2016/17, quando o Feyenoord encerrou um jejum de 18 anos sem o troféu nacional.

O destaque permitiu a Elia assinar um contrato polpudo e ele fez as malas para o Istambul Basaksehir. Foram três temporadas na Süper Lig, compondo o grupo de medalhões que liderou o clube protegido pelo presidente Recep Tayyip Erdogan a conquistar o campeonato nacional. Com a missão cumprida e um papel de coadjuvante no elenco, o veterano retornou à Holanda em 2020/21, para defender o Utrecht. Seria um reserva de luxo, até sua despedida ao final da temporada. Depois de quatro meses sem contrato, ressurge no ADO Den Haag.

Apesar do rebaixamento recente, o ADO Den Haag não faz boa campanha na segunda divisão e ocupa o sétimo lugar, embora siga na briga pelo acesso. O elenco atual inclui outras figurinhas carimbadas, em especial Daryl Janmaat e Ricardo Kishna. Também vale o destaque a Cain Seedorf, filho de Clarence Seedorf, que busca seu espaço como lateral direito aos 21 anos.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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