Holanda

Van Persie encerrou a carreira como merecia: com uma grandiosa despedida do Feyenoord, seu clube do coração

Robin van Persie nutriu o sonho de diferentes torcidas ao longo de sua carreira profissional. Seu ápice aconteceu na Premier League, entre a ascensão no Arsenal e a consagração no Manchester United. Também descobriu o que era o fanatismo do Fenerbahçe e estrelou campanhas memoráveis da Holanda, com menção especial à Copa do Mundo de 2014. Todavia, nenhum clube conheceu melhor o centroavante que o Feyenoord. Foi lá que o adolescente desabrochou, participando da conquista da Copa da Uefa em 2002. E é lá que, aos 35 anos, o ídolo eterniza seus últimos grandes momentos. O título da Copa da Holanda, em 2018, abrilhantou o retorno do artilheiro. Para, neste domingo, ele se despedir do futebol com os calorosos aplausos no Estádio De Kuip.

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Os problemas físicos impediram Van Persie de ter uma reputação ainda maior. Custaram meses primordiais em sua juventude em Londres e também atravancaram a fase mais madura de sua carreira. Até por isso, o holandês deu o seu basta relativamente cedo, aos 35 anos. Mas não sem antes se marcar como um dos melhores centroavantes de sua geração. Não sem antes retornar para casa e registrar as últimas glórias com o Feyenoord. RVP anotou 24 gols em 42 jogos desde que voltou a Roterdã, em janeiro de 2018. Dentre estes tentos, o que arrematou a decisão da Copa da Holanda na temporada passada. E também os dois que ampliaram o show na histórica goleada por 6 a 2 sobre o Ajax, em janeiro.

A torcida do Feyenoord soube da aposentadoria meses atrás e, por isso, preparou o melhor para se despedir de Van Persie neste domingo. A ocasião nem foi das mais reluzentes, com a vitória do ADO Den Haag por 2 a 0, em uma temporada na qual o clube esteve distante de competir com seus principais rivais pelo título. Ainda assim, o tropeço não diminuiu a beleza da festa. Antes, durante e depois da partida, o camisa 32 recebeu aplausos e homenagens. Virou bandeirão nas arquibancadas e até mesmo emblema especial no centro da camisa. Já a cena mais marcante aconteceu nos acréscimos, quando todos os jogadores fizeram uma guarda de honra para celebrar o veterano em sua substituição. Seu último ato como profissional.

Apesar da oferta para seguir trabalhando no Feyenoord, o ídolo se afastará do futebol durante os próximos meses. “Sim, vou parar por um ano e estou ansioso por ter essa liberdade, que nunca tive. Sou muito grato pelo que recebi do futebol e morei fora do país por 14 anos. Isso é maravilhoso, mas também é bom ter tranquilidade e organizar sua própria vida. Eu me acostumei a sempre me preparar ao próximo jogo, e isso não acontecerá mais. Senti um frio na barriga quando pensei nisso na semana passada”, declarou Van Persie, após a partida. O centroavante ainda agradeceu a presença de Marco van Basten, seu ídolo e seu antigo técnico, presente nas tribunas para o adeus.

Enquanto Van Persie disputava a partida final da carreira, o Feyenoord também se despediu do técnico Giovanni van Bronckhorst. Foi o último jogo em casa do comandante, responsável por encerrar o jejum na Eredivisie em 2017 e ganhador da Copa da Holanda em duas ocasiões, 2016 e 2018. O treinador, que não renovou o seu contrato, é mais uma cria da casa: formado nas categorias de base, começou e encerrou sua trajetória como atleta no clube. Por isso mesmo, o carinho compartilhado ao lado de RVP tinha sua enorme razão.

Van Persie se despede após 18 anos atuando como profissional. Superou a marca dos 300 gols e chegou aos 50 apenas com a seleção holandesa, recordista em tentos com a camisa da Oranje. Fica na memória pela qualidade técnica refinada, pelo faro de gols e pela capacidade de anotar pinturas. Sem dúvidas, marcou sua época. E também conquistou o coração de grandes torcidas, como o De Kuip não deixa mentir. A gratidão por lá durará para sempre.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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