Holanda

Van Ginkel encerrou calvário de 983 dias sem jogar: “A questão não era futebol: era se eu conseguiria andar novamente”

O PSV perdeu do AZ Alkmaar, em 13 de janeiro deste ano, pela 16ª rodada do Campeonato Holandês. A sua segunda derrota pela Eredivise o deixou um pouco para trás do Ajax. Mas não foi um jogo de grandes consequências. Exceto para Marco van Ginkel. Para ele, foi o jogo mais importante da sua carreira, embora tenha atuado apenas três minutos. Porque, depois de 983 dias afastado do futebol e correndo o risco de sequer voltar a andar, ele estava de volta aos gramados.

Van Ginkel ainda tinha 26 anos, ao fim da temporada 2017/18, quando deitou à mesa de cirurgia para reparar os ligamentos cruzados do joelho. Uma operação séria, mas relativamente comum no futebol e da qual a maioria dos jogadores costuma se recuperar sem grandes problemas. No entanto, ele contraiu uma infecção, o que, segundo os médicos lhe disseram, acontece com uma a cada 200 pessoas que passam por esse procedimento. Precisou de mais cirurgias e meses tomando antibióticos para se recuperar.

“Não era 100%, com certeza. Acho que era 50-50 se minha carreira sobreviveria”, afirmou, em entrevista ao Goal.com. “Especialmente após a primeira semana de infecção. Eles não sabiam o que a infecção estava fazendo dentro da articulação. Depois de três meses, eu reagi bem, mas seria difícil, muito difícil voltar ao nível mais alto novamente, voltar a jogar por PSV, Chelsea ou qualquer coisa assim. Naquele momento, era mais se eu poderia voltar a andar. O futebol não era uma questão”.

Segundo Van Ginkel, a infecção chegou seis semanas depois da operação e “matou o seu joelho”. Danificou o joelho e o ligamento, o que o levou a ser operado novamente. “Explicaram para mim que essas coisas podem acontecer às vezes, mas em uma a cada 200 pessoas após a cirurgia. É muito improvável, mas às vezes você pega uma infecção. Eu fui um deles e foi muito ruim. Uma infecção normal exige apenas alguns antibióticos e você fica bem, mas a minha foi muito ruim, então eu tomei antibióticos por três meses”, disse.

“Eles tiveram que limpar meu joelho mais três vezes com cirurgias. Foram momentos muito difíceis. Emocional e mentalmente, foi muito difícil. Mas eu sou uma pessoa muito positiva. Acho que todos que me conhecem diriam isso e me manteve vivo, com certeza. Mas eu não posso negar que foram dias difíceis”, completou.

Formado pelo Vitesse, Van Ginkel foi um daqueles jovens que o Chelsea contrata e nunca dá uma oportunidade. Ele chegou a Stamford Bridge em 2013 e tem apenas quatro jogos pelo time principal. Saiu em empréstimos para Milan, Stoke City e PSV. A grande tragédia é que a temporada anterior à cirurgia havia sido de afirmação para ele, com 14 gols em 28 rodadas da Eredivisie. Ele teve seu contrato com o Chelsea estendido até o fim desta temporada, antes de ser novamente emprestado ao PSV.

“Eu trabalhei duro para voltar e demorou muito tempo”, afirmou à ESPN após o jogo contra o AZ Alkmaar. “Estar de volta agora parece uma recompensa. Contra o Ajax, eu estava lá (ficou no banco de reservas), experimentei o clima e tudo do estádio. Quando chegar em casa, colocarei tudo em perspectiva. É muita coisa. No fim, eu trabalhei duro e estou orgulhoso por ter voltado. Quase mil dias? Eu acabei de ouvir isso. No fim, eu parei de contar os dias. Isso não é muito importante. Estava apenas trabalhando na minha recuperação, esperando ser capaz de voltar a jogar futebol”.

Houve um período em que essa chance foi menor. Eu passei por muitas coisas emocionantes. No fim, estou aqui, em pé, então, um parabéns é apropriado, sim”, completou. E como é.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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