HolandaLiga das Nações

Van Dijk: “Mostramos nosso caráter, foi um prêmio ao bom trabalho que estamos fazendo”

Logo após o empate emocionante da Holanda contra a Alemanha, que valeu uma vaga na fase final da Liga das Nações, um curioso bilhete passou a circular nas redes sociais. Mostrava o esquema tático adotado pela Oranje nos minutos finais, orientando Virgil van Dijk a se transformar em centroavante. Ao lado de Luuk de Jong, o zagueiro passou a dominar a área alemã. E se tornou justamente o herói da classificação, fuzilando Manuel Neuer aos 45 do segundo tempo. Não bastasse a fase esplendorosa atrás, sobretudo com o Liverpool, o capitão holandês ainda brilha na frente. Momento suficiente para referendá-lo entre os melhores zagueiros do mundo, justificando o alto investimento dos Reds na temporada passada.

Depois do jogo, Van Dijk falou com a imprensa holandesa. E não escondeu sua satisfação pela noite que certamente marcará sua carreira na seleção: “Foi um prêmio ao bom trabalho que estamos fazendo. Mostramos nosso caráter e podemos agora nos preparar a ótimas competições. A nossa estratégia funcionou bem. Junto com Luuk, tentei fazer a guerra acontecer e, no fim, a bola caiu bem na minha frente. Estou realmente aproveitando o momento”

Obviamente, nem tudo se saiu perfeitamente à Holanda, e o capitão manteve uma análise crítica: “Tivemos muita posse de bola, mas não conseguíamos botar pressão. E estávamos sempre um passo atrás nos contra-ataques da Alemanha. Eles têm um bom time, obviamente, jogaram bem entre as linhas e com atacantes que se movimentaram bastante. Tivemos problemas em lidar com isso, é algo que precisamos aprender”.

Van Dijk, como outros no futebol, ralou além dos gramados para se destacar tanto. Nascido na cidade de Breda, filho de um holandês e de uma surinamesa, o atacante passou boa parte da adolescência defendendo o WDS, clube amador mais antigo da cidade, enquanto dava duro lavando pratos e outras louças em um restaurante. O primeiro passo rumo ao profissionalismo só aconteceu em 2009, aos 17 anos, quando se juntou à base do Willem II. Depois, deslanchou no Groningen e foi descoberto pelo Celtic, em ótima passagem por Glasgow até crescer ainda mais com o Southampton. Dez anos depois, ídolo do Liverpool, poderá ser o capitão a conduzir a Holanda ao título continental.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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