Holanda

Uma volta cautelosa

Já fazia tempo. Desde a temporada 2006/07, quando o PSV alcançou as quartas de final na Liga dos Campeões, enquanto o AZ chegou à mesma fase na Copa Uefa. Enfim, nesta semana, a Holanda voltou a ter dois times entre os oito melhores de uma competição europeia. É certo que o torneio é a Liga Europa, comumente vista como um título menor. Ainda assim, continua sendo um feito.

E é um feito porque indica algo pouco crível, nos últimos tempos: o fato de que o futebol holandês de clubes conseguiu, enfim, uma leve evolução. Nada para se achar que uma equipe do país já tem cacife para voltar a exercer o domínio no Velho Continente. Muito longe disso. Mas, para um país que já não tinha mais nenhum representante nas oitavas de final de Liga dos Campeões e Liga Europa, na última temporada, não deixa de ser um alento.

E um alento justo. Porque PSV e Twente merecem ocupar o lugar aonde estão. Por caminhos diferentes, conseguiram dar um passo a mais nas boas temporadas que fazem. Enquanto os Tukkers encaminharam bem a classificação contra o Zenit já no jogo de ida, os Eindhovenaren tiveram de esperar o jogo de volta, para, enfim, poderem provar sua superioridade inquestionável em relação ao Rangers.

Mas nem por isso as vagas nas quartas de final da Liga Europa vieram sem solavancos. No caso do Twente, novamente a incapacidade de jogar com uma vantagem se fez sentir pesadamente. Em São Petersburgo, a equipe até começou melhor, mas sofreu 2 a 0 rapidamente. Só então, conseguiu se recompor e atuar com mais calma e segurança para se classificar.

O orgulho foi grande, e tinha toda razão de sê-lo: afinal, o time de Enschede alcançava as quartas de final de um torneio europeu pela primeira vez desde a temporada 1977/78, quando eliminou o Vejle, da Dinamarca, na Copa Uefa. Entretanto, a nova instabilidade por que passou a equipe mereceu a atenção de Michel Preud'homme: “Nosso objetivo era marcar um gol. Não fizemos isso, e o Zenit ficou com 2 a 0, no intervalo. Temos o mau hábito de tornar as coisas difíceis para nós mesmos.”

Já o PSV fez exatamente o inverso. Começou o jogo de volta contra os Rangers aproveitando o excessivo – e até incompreensível – defensivismo do time de Walter Smith. Assim como no jogo de ida, criou mais chances. A diferença é que, rapidamente, conseguiu transformar uma delas em gol, com Jeremain Lens. E passou todo o primeiro tempo tranquilo, sem ser ameaçado.

Mas tudo mudou no segundo tempo. Os Gers passaram a maior parte do tempo pressionando seriamente o gol – contando com fatores como a atuação mediana do jovem Abel Tamata, que substituía Manolev. E até foram prejudicados, como no lance em que, após cabeçada no travessão, a bola foi chutada, e Atiba Hutchinson a tirou de cima da linha, aparentemente com a mão.

Felizmente, para o PSV, o cenário não ficou dramático: a equipe voltou a ter o controle da partida, e até teve boas chances, como numa falta em que Dzsudzsák mandou a bola na trave, já no final do jogo. E garantiu a vaga nas quartas com toda a justiça. Entretanto, assim como o Twente, correu riscos. Mesmo que o adversário fosse uma equipe que já poderia ter sido vencida na ida, como o Rangers.

E, se as duas equipes holandesas classificadas correram riscos, o Ajax é a maior mostra de como o futebol do país ainda precisa melhorar para voltar a rivalizar de fato com Rússia e Ucrânia, por exemplo. Se, na Holanda, a equipe ainda continua relativamente firme na disputa do título, foi fácil e vergonhosamente superada pelo Spartak Moscou, nas oitavas de final.

O ruim não foi a derrota; afinal de contas, era um duelo equilibrado, no qual ambos tinham boas chances, a princípio. A surpresa (péssima) foi os Ajacieden terem se deixado superar de tal maneira no jogo de volta. Se, na ida, tiveram o azar de verem Dykan ter uma ótima atuação no gol e de Alex ter acertado belo chute, em Moscou não houve desculpas: desde o início, a defesa foi presa fácil para o Spartak. De mais a mais, perder sem fazer gols no placar agregado depõe contra uma equipe que pode fazer bem mais.

Twente e PSV, por sua vez, ainda precisam esperar o sorteio. É muito cedo para dizer se poderão seguir em frente na Liga Europa. Ainda assim, já mostraram por que são os dois melhores times da Holanda, hoje em dia. Mais do que isso: mostraram que as boas equipes holandesas tiveram uma evolução. Pequena, mas uma evolução. Que merece ser comemorada.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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