Uma fase perigosa

Três derrotas nas últimas três partidas pela Eredivisie – sendo que, em todas elas, a equipe foi francamente inferior à equipe vencedora. Estendendo-se a sequência à Liga dos Campeões, a má fase cresce ainda mais: cinco jogos sem sair do gramado com a vitória. Houve a relativa folga da vitória sobre o Jong Ajax, equipe B dos Godenzonen, pela Copa da Holanda, mas mesmo ela não trouxe grandes animações, pelas dificuldades obtidas. Afinal, somente na prorrogação vieram os dois gols da vitória.
Tudo isso significa que o AZ está com a temporada irremediavelmente comprometida? Não, e poucas coisas podem ser mais erradas do que isso. Os Alkmaarders têm alguma qualidade, e a base que conquistou o título holandês está quase intacta. Sem contar que a temporada ainda está no começo – mesmo para um campeonato que começou no fim de julho, como o Holandês.
Entretanto, é inegável que os alvirrubros estão numa fase muito perigosa, que pode, de fato, arruinar o bom trabalho, caso prossiga por mais algum tempo. Para começo de conversa, o modo como a equipe tem se comportado na Eredivisie tem algo de inaceitável. Por mais que zebras e tropeços sejam coisas mais comuns do que se pensa no futebol, permitir derrotas para o ADO Den Haag, por exemplo, é abusar um pouco do direito de perder pontos. Pior ainda quando a derrota vem em casa, como foi o caso contra o NEC.
Contra o Utrecht, na oitava rodada, novamente o AZ foi tímido. Mesmo que os Utregs estejam em ascensão, e que a torcida no De Galgenwaard faça sempre jus à fama de uma das mais fanáticas da Holanda – para o bem e para o mal -, o time de Ronald Koeman tinha a obrigação de impor respeito. Não conseguiu, foi presa fácil para a boa atuação de Dries Mertens, e chegou apenas em ocasiões esporádicas ao gol de Michel Vorm. Diga-se de passagem, esteve até mais próximo de tomar o segundo. O 1 a 0 sofrido ficou barato.
Ainda assim, como já dito, a Eredivisie ainda está no começo. Porém, a fase de grupos da Liga dos Campeões já vai para sua terceira partida – e nela também, o AZ dá sopa excessiva para o azar. Bem, talvez nem seja o caso de dizer azar, mas sim de reconhecer que o time é mais fraco do que se supunha, e leva desvantagem em relação ao Olympiacos na briga pela vice-liderança do grupo, ao contrário de alguns palpites que colocavam a equipe junto do Arsenal como as classificadas do grupo H para as oitavas de final (supondo, evidentemente, que os Gunners nadem de braçada, o que realmente deve acontecer).
Se há um toque de azar na campanha que o AZ faz na LC, ele é encontrado, vá lá, nos dois gols dos adversários, que saíram tardiamente nas partidas. Já eram 34 minutos do segundo tempo quando Torosidis marcou o único gol da vitória do Olympiacos, na estreia, em Atenas – para não falar do gol de Moussa Traore, aos 46 do 2º, que rendeu o empate salvador ao Standard Liège, em pleno DSB Stadion.
Mesmo assim, é injusto com as outras equipes supor que o AZ as superou largamente, e que os gols adversários surgiram de mero acaso. Até porque isso mostra uma das primeiras falhas: o fato da equipe não ter, por ora, competência suficiente para segurar resultados vantajosos. Sem os dois gols – ambos de cabeça, o que também revela insuficiência no jogo aéreo -, a equipe teria um empate e uma vitória. Estaria na frente para conseguir a segunda vaga do grupo.
No time propriamente dito, todos os setores têm alguma culpa em potencial. A começar por Ronald Koeman. Além do 4-4-2 com que escala o time mostrar os defeitos iniciais, o irmão de Erwin mostra, às vezes, um conformismo estranho e inadequado. Após o empate contra o Standard, ao invés de passar justa carraspana na falta de atenção da equipe, nos momentos finais, Koeman preferiu falar: “Acho que jogamos bem. Os acréscimos nos quebraram: uma bola alta, ele [Traore] subiu bem, e aconteceu. Não merecíamos, mas é o futebol.”
Com os jogadores, é necessário mostrar algo mais. Dembélé e El Hamdaoui fazem a sua parte no ataque, mas o meio-campo, principal pilar do time, tem estado abaixo do que pode fazer. Martens é tímido na armação, e a dupla Schaars-Mendes da Silva revela suas fragilidades na contenção. Talvez, fragilidades que mostrem o quanto a Eredivisie acabou fazendo com que os dois sejam “superestimados” – às vezes, até por este colunista.
Para piorar, o AZ é o integrante do grupo que tem a pior tarefa. Nas próximas duas partidas, enfrentará justamente o favorito destacado Arsenal. E, mesmo que o jogo inicial seja no DSB, pensar numa vitória é algo bastante arriscado – para nem citar a hipótese de triunfo no Emirates, no quarto jogo, o que seria uma surpresa daquelas. Caso perca as duas partidas, até uma ida para a Liga Europa ficaria a perigo. O tempo passa, e o AZ precisa começar a aproveitá-lo.



