Holanda

Um novo bombeiro

Desde que deixou o Real Betis, em 2000, Guus Hiddink passou a direcionar sua carreira num sentido diferente. Ao invés de ser técnico para “grandes times”, passou a chegar a clubes e seleções para fazer a chamada “construção de mentalidade”: isto é, mudar uma maneira de jogar, tentar solucionar problemas. Fez isso nas seleções de Coreia do Sul, Austrália e Rússia, no PSV, no Chelsea.

Pois Dick Advocaat é outro técnico holandês que começa a viver isso, em sua carreira. Começou com a passagem pelo Zenit, quando deu rumo aos investimentos que o clube de São Petersburgo queria e precisava fazer – o que resultou em títulos russos, em participações na Liga dos Campeões e, acima de tudo, no título da Copa Uefa, em 2007/08.

A qualidade de seu trabalho na equipe russa atraiu a atenção da KBVB, que não se importou em estender as negociações para ter o técnico nativo de Haia comandando a seleção da Bélgica, após os fracassos de René Vandereycken e Franky Vercauteren na condução dos Diabos Vermelhos. Só que, ao começar os trabalhos à frente do time, a produção de Advocaat à frente do Zenit caiu. Até que a demissão se tornasse inevitável.

Desde então, Advocaat vinha comandando a seleção belga com mão de ferro. O espírito abalado das últimas rodadas das Eliminatórias para a Copa de 2010 foi enterrado por um treinador exigente (a ponto de não hesitar em repreender as “estrelas”, como Fellaini e Kompany), que entrou fazendo mudanças profundas e reanimando um grupo que precisava disso. Daí as atuações alentadoras da Bélgica, nos últimos amistosos de 2009.

Mas Advocaat é uma parte da história. A outra é o AZ. Que, diante da derrota de virada para o Vitesse, na 16ª rodada da Eredivisie, preferiu tomar a decisão mais drástica possível: demitiu Ronald Koeman. É certo que o ex-capitão da Oranje, realmente, nunca aparentou ter o time na mão, como se vê, pela conotação das palavras do capitão Stijn Schaars (“Achamos difícil reagir ao estilo de comando dele. Talvez não tenhamos sido maduros o bastante como grupo, devemos todos olhar no espelho. Mas precisamos de um homem forte à nossa frente.”)

Mesmo assim, a demissão não era algo imaginado em Alkmaar. Mas acontecera. Era necessário procurar pelo homem forte que Schaars pedia. E, após rápidas negociações, que mal levaram cinco dias, o AZ surpreendia novamente, ao anunciar que Advocaat assumiria o time, até o final da temporada. Claro, com uma pequena compensação à federação belga, mesmo que esta tivesse dado o sinal verde ao “Pequeno General”: € 150 mil.

E o técnico se apresentou dizendo o que se esperava: que pretendia levar os Alkmaarders às competições europeias, na próxima temporada – o bicampeonato holandês é tarefa das mais duras, já que o time está a 19 pontos do líder Twente. Além disso, Advocaat declarou que já sentia saudades do trabalho do dia-a-dia, em um clube.

Pois bem. Agora, além da seleção da Bélgica, Advocaat tem de reestruturar e reanimar o abatido AZ. E ele não tem tanto tempo – seu trabalho começa nesta rodada, com um desafio difícil, contra o vice-líder PSV. Mas, se ele conseguir impor rapidamente em Alkmaar o respeito que já impõe na Bélgica, terá sido uma boa aposta.

Só Bolat salvou

De certa forma, o Standard Liège deveu a sua chegada à fase de grupos da Liga dos Campeões a Sinan Bolat. Afinal de contas, o goleiro turco, criado na Bélgica, de apenas 21 anos de idade, foi decisivo na última rodada da Jupiler League passada. Ao defender um pênalti de Bryan Ruiz, contra o Gent, fora de casa, na última rodada regular, Bolat garantiu a vitória do Standard por 1 a 0 – que garantiu a necessidade dos jogos-desempate contra o Anderlecht, onde os Rouches partiram para o bicampeonato.

E, na última rodada da fase de grupos da LC, o time de Laszlo Bölöni tinha todas as condições para, no mínimo, assegurar um lugar na Liga Europa. Porém, os jogadores sentiram a pressão. Não conseguiram se impor diante do AZ, mesmo contando com o apoio ininterrupto da torcida. Sofreram o gol de Jeremain Lens numa jogada de contra-ataque. E a pressão pareceu tornar-se demasiada.

Parecia que a aposta arriscada da equipe de Liège sairia totalmente errada: afinal, além de perder lugar na Liga Europa, o Standard teria de voltar a uma Jupiler League onde está apenas procurando manter-se entre os seis primeiros, que ficam para o play-off de disputa do título. Até que, aos 49 minutos do segundo tempo, surgiu uma falta na direita. Bolat só olhou para o banco de reservas, recebeu a autorização e partiu correndo para a área. Benjamin Nicaise cobrou. E do resto, já se sabe.

A aposta do Standard continua valendo – agora, para a Liga Europa. Porque Bolat, mais uma vez, salvou na última hora. Agora, também como “artilheiro”.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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