Holanda

Tudo como dantes, no quartel de Abrantes

Havia medo. Muito embora o final da temporada 2010/11 fosse algo para se orgulhar (o vice-campeonato holandês, o título da Copa da Holanda, uma campanha digna na Liga Europa), o Twente estava com alguns sérios temores. Com a saída inesperada de Michel Preud'homme, mais a de Theo Janssen, esta já prevista, a equipe de Enschede corria o risco de perder a estabilidade em que navega há algum tempo.

Pior foi ver o Grolsch Veste, espécie de símbolo da reconstrução que levou o clube a ser um dos mais organizados da Holanda, ser atingido por um duro golpe. No caso, a queda de parte da cobertura, que matou duas pessoas e feriu 15. Isso fazia com que as previsões fossem sombrias: na pior das hipóteses, a equipe só poderia voltar a jogar em casa em 2012. Não que baixasse a moral do time irremediavelmente, mas era um golpe na autoestima.

Temporada iniciada e quatro rodadas da Eredivisie depois, os primeiros sinais são de que nada acabou. Ao contrário: continua bem, obrigado. Porque os Tukkers são o único time somente com vitórias para mostrar em sua curta campanha. Mais: já voltou a jogar no Grolsch Veste, que, mesmo ainda em reformas, pode receber partidas. E, mesmo que tenha sido superado pelo Benfica nos play-offs da Liga dos Campeões, teve a sorte de ver o sorteio da fase de grupos da Liga Europa resultar numa chave acessível, em que passar à segunda fase é bem possível.

Óbvio, muitas partes têm sua parcela no prosseguimento da solidez do Twente. Só que a primeira a merecer menção é Co Adriaanse. O treinador mostrou atitudes absolutamente adequadas desde que chegou a Enschede. Trabalhando calmamente e sem tomar atitudes intempestivas apenas para mostrar serviço, manteve o clima tranquilo no elenco. E não perdeu chances de mostrar animação. Em que pesem alguns exageros (como o de dizer que o Twente tem um conjunto ideal para “que se aproxime da forma de jogar do Barcelona”), Adriaanse tem sido fundamental para manter a vontade em seus comandados.

Além disso, o time tem justificado o bom começo na Eredivisie, com alguns bons jogos. Fato destacado pelas duas últimas vitórias: mesmo contra VVV e Heerenveen, dois times de início claudicante, goleadas por 4 a 1 (contra os Venlonaren) e 5 a 1 (contra os frísios) são fatores consideráveis a favor.

No final da janela de transferências, porém, surgiu um daqueles fatores a colocar a estabilidade em perigo. Há duas temporadas sendo um dos grandes jogadores do time rubro (foi um dos principais atletas na campanha do título em 2009/10), Bryan Ruiz vinha sendo cogitado em alguns clubes. Até que o Fulham começou a assediá-lo mais seriamente, nos últimos dias da janela. O costarriquenho ainda disse que preferia ir para um clube com chances de chegar à Liga dos Campeões, mas € 12 milhões é uma oferta apetitosa demais para um clube que, apesar do crescimento sustentável, não está nadando em dinheiro. E Ruiz reforçou justamente os Cottagers, adversários na fase de grupos da Liga Europa.

Só que o contra-ataque do Twente não foi menos bem sucedido. Demorou mais, é verdade: há pelo menos dois meses havia sondagens do clube por Leroy Fer. Só que o Feyenoord insistia em segurar o promissor meio-campista. Que justificou as intenções do Stadionclub em mantê-lo: se a equipe de Ronald Koeman mostra um início razoável (é a quinta colocada na Eredivisie, com oito pontos), Fer é dos grandes responsáveis por isso. Inclusive, já marcou dois gols pelo time de Roterdã. Só que, também na quarta-feira que fechou a janela, finalmente o Twente o levou. Aposta válida para tentar ocupar o lugar que era de Janssen.

E, bem ou mal, Adriaanse já vinha testando alternativas para substituir Ruiz pelos lados do ataque. Tanto com novatos (como Steven Berghuis, que vai recebendo cada vez mais chances entre os titulares), como com gente do próprio elenco, como Nacer Chadli e Emir Bajrami – este, autor de um belíssimo gol na goleada sobre o Heerenveen. Além disso, reforços como Tim Cornelisse e Willem Janssen também estão com rendimentos satisfatórios.

Vale sempre frisar: é começo de temporada, e as coisas ainda estão meio enevoadas. Mas o Twente está tendo sucesso na sua tentativa de mostrar que está tudo como dantes… bem, você já sabe.

Para provar o valor

Temperaturas altas em Baku – 30 graus. Um gramado quase impraticável no estádio Tofik Bakhramov. Mas, afinal, a Bélgica está lá, para fazer sua única partida neste giro das eliminatórias da Euro 2012, contra o Azerbaijão. E é uma chance valiosa para os Diabos Vermelhos justificarem um pensamento real: o de que têm, sim senhor, chances de jogarem em Polônia/Ucrânia.

Já com o time que vai a campo escolhido (salvo acidente, jogam Mignolet; Alderweireld, Kompany, Vertonghen e Lombaerts; Simons, Fellaini, Witsel e Hazard; Lukaku e Mertens), a Bélgica, de fato, tem grandes oportunidades neste jogo. Primeiramente, porque o Azerbaijão é capaz de algumas surpresas no grupo – em Baku, já venceu a Turquia nas eliminatórias.

E, segundo, porque vários jogadores da base de Georges Leekens mudaram de status nesta janela de transferências. O principal deles, claro, é Lukaku, que finalmente chegou ao Chelsea, sob altas expectativas. Mas há Witsel, que teve ótimo começo no Benfica. E, principalmente, Dries Mertens, que, pouco a pouco, vira o destaque do PSV.
Todos eles querem virar protagonistas. E têm ótima chance para provarem seu valor nesta sexta, em Baku.

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