A relação entre Nicolás Tagliafico e o seu clube, Ajax, está abalada. O jogador, de 29 anos, foi um jogador importante do clube de Amsterdã nos últimos anos, mas perdeu a posição e está insatisfeito que o clube não o permitiu sair. O jogador, formado no Banfield e que passou pro Murcia e Independiente antes de chegar à Holanda diz que a oportunidade de ir ao Barça era irrecusável e que sabe que nada irá mudar ficando onde está.
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Tagliafico tornou-se reserva nesta temporada, perdendo espaço no time de Erik Ten Hag. Foram apenas 15 jogos até aqui, sendo apenas seis deles como titular. Daley Blind, que na temporada anterior jogava mais como zagueiro, tem atuado como lateral esquerdo titular. Lisandro Martínez tem sido o titular no centro da defesa ao lado do jovem Jurrier Timber, de 20 anos, formado na base do clube.
Até por isso, existia a expectativa que Tagliafico pudesse mudar de clube. A frustração por não ter acontecido foi grande. O jogador estava com a seleção argentina e volta à Holanda para terminar a temporada pelo clube, mas deixou claro que ficou insatisfeito.
O lateral esquerdo foi perguntado sobre como foi esse período de 10 dias com a seleção, bem quando houve o fechamento da janela de transferências. “Foram um pouco longos devido à perspectiva e expectativas de mercado, mas curtos na seleção porque quando joguei o primeiro jogo e me deram cartão amarelo, me suspenderam do jogo contra a Colômbia e passou muito rápido. Mas a expectativa de esperar o último dia de mercado me deixou ansioso, no telefone, esperando uma ligação. Nesse sentido, foi longo”, afirmou o jogador em entrevista ao AS.
O jogador foi perguntado sobre as conversas com outros jogadores do elenco da seleção argentina que também viveram expectativa na janela, como Julian Álvarez, que acertou sua contratação pelo Manchester City, e Gio Lo Celso, que foi para o Villarreal.
“Sim, sim, falei com eles. Julian foi mencionado primeiro e depois com o que saiu na imprensa, com algumas coisas sendo verdade e outras mentiras, meus colegas me perguntaram o que estava acontecendo, o que havia. Lamentavelmente, não tinha uma resposta e tinha que esperar”, continuou.
“Com Lo Celso acontecia o mesmo e ele queria sair do clube, era uma decisão sua e no meu caso era igual, aquela incerteza de saber o que aconteceria, se eu teria que voltar para a Holanda ou ir para outro lugar, então no meu tempo livre eu ficava esperando o que iria acontecer”.
A perda de espaço no Ajax
“Desde que começou o torneio, depois da Copa América, tive lesões e a impossibilidade ser titular, perdi o lugar no time e também tive uma suspensão, então eu comecei atrás e a equipe começou a se consolidar de uma maneira que eu não estava, não era parte dos 11 titulares e comecei a treinar como sempre faço, mas comecei a me dar conta que o treinador não contava comigo, não me daria minutos e falei com ele”.
“Ele me disse que eu tinha começado machucado, que a equipe ia bem, que agora não podia mudar, que eu seguisse treinando… E foi o que eu fiz. Me custou muito no começo, era a primeira vez que passava por isso na minha carreira, estar fora, sempre estive jogando e olhando de dentro, mas depois assimilei e me concentrei em trabalhar e ajudar a equipe como posso e assim foi”.
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Em busca de tempo de jogo
“Em dezembro e janeiro acho que acrescentei alguns minutos em relação ao que vinha somando antes e na seleção acrescentei minutos, isso me ajudou. Eu sempre tento ver as coisas do lado positivo e treinei mais forte, treinei as debilidades que tinha, comecei a treinar mais na academia, a ter mais energia, a me cuidar muito, mas nessa situação, você quer jogar e se sentir parte, estar na equipe e minha ideia era ter mais minutos”, disse.
“Por isso que este mercado era ideal para buscar minutos, ainda que ninguém me garantisse minutos em janeiro, em outro clube, com equipes armadas, mas me daria a oportunidade de mudar de ares, começar do zero em outra equipe e o desejo de seguir crescendo continua, em um momento para sair, encontrar outra motivação, sinto que aqui, por mais que mantenha um bom nível e trabalhe, não posso competir pelo lugar no time”.
O jogador disse que se decepcionou com a postura do Ajax em não liberá-lo. “Por um lado, sim, estou no clube há quatro anos, joguei com a cabeça machucada, com óculos de proteção, estando 70%… Eu dizia que estava com o joelho inchado e me perguntavam se eu podia jogar e dizia que sim, que não estava 100%, mas claro, se precisa de mim, nunca vou dizer não, sempre dei tudo, cada vez que me pediram, eu joguei”.
“Também fora de campo, tive boas oportunidades e sempre me coloquei do lado dos interesses do clube. E neste momento que chega uma oportunidade irrecusável e não me deixam ir, noto que me decepcionam. Entendo que as situações não eram fáceis, que estamos em janeiro, mas ao final termina prejudicando a todos. Tanto a mim, porque não posso conseguir o que quero e ao clube, porque me retém”.
“Eles me entenderam, têm seus motivos, mas é uma lástima, sinto que essa oportunidade não se pode deixar passar e esta era uma oportunidade única, poder ir para um clube como o Barça. Para mim era uma oportunidade sonhada e não me ajudaram, ao fim e ao cabo. Tampouco houve claridade para desde o começo me dizer que não iam me ajudar”.
“Me decepciona porque tenho a sensação que me prejudicou meu profissionalismo. Eu treinei sempre bem, nunca dei problema, todo dia tive um bom comportamento, é a minha mentalidade e minha forma de ser e sempre vou ser dessa maneira. Mas às vezes me faz pensar se não é melhor buscar apenas os próprios interesses e ter uma atitude diferente em benefício próprio”.
“Sinto que chegou o momento que conheço tudo, conheço o clube, os companheiros, conheço o treinador e sei como as coisas vão seguir e não vejo futuro porque não há muita mudança, não há nada diferente e por isso pensava que se vou brigar pelo posto, prefiro disputar em outro lugar onde eu possa competir, aqui conheço tudo, sei como vão seguir as coisas, o treinador se decidiu por outro companheiro e tem seus preferidos, ele toma as decisões e eu treinei até morrer, não vejo mudança, por isso pensei que era o momento ideal para sair e o clube não me permitiu”.
“Agora estamos aqui, se fechou o mercado de transferências e qualquer um que me conhece sabe especialmente a conexão que tenho com a torcida, o afeto que me fazem sentir, o que entreguei aqui e minha personalidade, sabem que podem esperar se tenho oportunidade de ir a campo com tudo que temos até junho”.


