Holanda

Será que a fila anda?

Falar em futebol holandês, pelo menos em termos domésticos, virou sinônimo de Trio de Ferro. Nada mais compreensível. Afinal de contas, PSV, Ajax e Feyenoord alternam o título de campeão da Eredivisie desde a temporada 1980/81, quando o AZ ficou com o troféu. Entretanto, tal cenário corre grande risco de mudar, nesta temporada 2008/09. Afinal, após seis rodadas, dos cinco primeiros colocados na Liga Holandesa, só o PSV pode ser chamado de “grande” sem medo de errar. E, ainda assim, os Boeren ficam no quinto lugar. Por enquanto, quem vai fazendo a festa são NAC, AZ, NEC, Groningen, Heerenveen e Twente. O Ajax até consegue manter-se entre os dez primeiros colocados, mas sofre com a falta de regularidade em seu desempenho. E o Feyenoord, mais e mais, fica perigosamente para trás na tabela.

Basicamente, o bom desempenho de times menores neste princípio de Eredivisie deve-se à ausência de problemas com mudanças no elenco. Evidentemente, as equipes menos conhecidas acabam, vez por outra, cedendo um jogador que se destaca no campeonato para os três grandes (que por sua vez, caso este jogador continue tendo bom desempenho, não terão forças para segurá-lo frente a mercados maiores na Europa). Mas, tendo grupos menos vulneráveis às transferências, tais times acabam conseguindo maior entrosamento e, mesmo quando passam por fases ruins, têm chances consideráveis de recuperação.

Nesse quadro, um caso exemplar é o do AZ. Os Alkmaarders começaram a temporada de modo péssimo, com duas derrotas. Os mais desesperados começavam a pedir a cabeça de Louis van Gaal. Mas os alvirrubros tinham uma espinha dorsal relativamente segura, entre os onze jogadores: do time que encerrou a Eredivisie 2007/08, somente o experiente zagueiro Barry Opdam saiu. E as quatro rodadas seguintes provaram que o AZ não está morto para sonhar com o título que esteve perto de vir em 2006/07: o time subiu rumo ao terceiro lugar da tabela, com quatro triunfos em série, com destaque para a vitória por 1 a 0 sobre o campeão PSV e o 6 a 0 em cima do Sparta Rotterdam. Um símbolo dessa reação está em Mounir El Hamdaoui. O atacante holandês de ascendência marroquina viu seu desempenho subir bastante também nos últimos quatro jogos: marcou em todos eles, incluindo três nos 5 a 2 contra o Willem II e os dois da vitória na última partida, contra o De Graafschap. E nem os oito gols marcados mostram por completo a utilidade de El Hamdaoui no sistema de Van Gaal, ajudando bastante na armação, já que a marcação no meio-campo é garantida por Demy de Zeeuw e Stijn Schaars – este, de volta após contusão.

Só que El Hamdaoui não é o artilheiro da Eredivisie. Tal papel está, por enquanto, nas mãos de Matthew Amoah, com nove gols. O ganês é uma das figuras responsáveis pela ponta que o NAC ocupa atualmente. Os Bredase, além de manter a espinha dorsal que já contava com Zwaanswijk, Penders, Lurling, Kolkka e o próprio Amoah, souberam aproveitar bem a janela de transferências para conseguir reforços úteis ao técnico Robert Maaskant. Além de assegurar a permanência em definitivo de Csaba Fehér, Maaskant soube buscar de modo inteligente jogadores pouco aproveitados em outros times, como Van der Leegte, encostado no PSV, ou Reuser, que estava discreto no RKC Waalwijk. O goleiro Jelle ten Rouwelaar consegue preencher bem a ausência causada pela aposentadoria de Zoetebier. E os jovens reforços – caso do volante Kwakman – vão, por enquanto, sendo gratas surpresas. O equilíbrio do time foi premiado na última rodada, com a vitória categórica, em casa, sobre o PSV. É certo que o gol contra de Simons foi um golpe de sorte e que Amoah só assegurou a vitória a três minutos do fim do jogo, mas o NAC em nenhum momento perdeu a superioridade frente ao time de Eindhoven. E está merecendo o primeiro lugar.

Primeiro lugar que, antes, estava nas mãos do Groningen. Os alviverdes talvez sejam o time mais discreto dentre os ponteiros da Eredivisie. Além de terem perdido alguns titulares, como Kruiswijk, Fledderus, Matavz e Nijland, o time contratou pouco – apenas cinco atletas chegaram ao Euroborg Stadium. Mas aí moram os méritos do treinador Ron Jans. Desde 2002 no time, Jans mostra-se um bom descobridor de talentos. Vale lembrar que Robben iniciou a carreira profissional no Groningen e que vários jogadores que vão para a Holanda dão seus primeiros passos no país com a camisa do clube, como Bruno Silva e Suarez, hoje no Ajax. E o próprio Groningen é mais um celeiro de revelações: lá surgiram, só como exemplo, os irmãos Koeman, Ronald e Erwin. E as contratações do time, geralmente feitas dentro do mercado holandês, são cirúrgicas, como provam os bons desempenhos do atacante Powel (vindo do De Graafschap, no ano passado) e do lateral De Roover (vindo do Sparta Rotterdam). Esse quadro, aliado ao bom início de temporada, dá esperanças de que finalmente os jogadores revelados possam reverter em títulos para o clube, não só em dinheiro vindo de transferências.

E ainda há Heerenveen  (perdeu Zuiverloon e Sulejmani, mas manteve Pranjic, além de trazer Bonaventure Kalou e Elyonoussi), Twente (que começa a se recuperar das perdas de Engelaar e do técnico Fred Rutten) e NEC (que conseguiu repôr as perdas no time, além de só ter sofrido uma derrota na Eredivisie). Enfim, os pequenos aproveitam a irregularidade dos grandes para diminuir o abismo existente na Eredivisie. Resta ver se a Holanda conhecerá a expressão “cavalos paraguaios” ou se o Trio de Ferro enferrujará nesta temporada.

O Standard agradece

Era para ter sido fácil. Afinal, o adversário do Standard Liège era o Mons, com apenas 8 pontos na Jupiler League. Mas os Rouches sofreram inexplicavelmente além do normal para superar o time de Thierry Pister. Jogavam em casa, venciam por 1 a 0 e tinham um jogador a mais, com a expulsão do francês Hatchi, aos 23 do segundo tempo. Aí, a sete minutos do fim, o time de Laszlo Bölöni permitiu o empate dos Dragons, com Jarju. O empate, que seria desastroso para o líder do campeonato, só não aconteceu porque um penal salvador foi convertido por Witsel, já nos acréscimos da partida (48 do 2º).

Mas o decorrer da oitava rodada da Liga Belga trouxe regalos que permitiram ao Standard colocar três pontos de vantagem na ponta. Afinal, se o Excelsior Mouscron cumpriu seu papel e venceu sem dificuldades o lanterna Roulers, o então vice Anderlecht fez um “favor” ao atual campeão nacional. Com um desempenho inqualificável no último domingo, sucumbiu fragorosamente contra o Zulte-Waregem. Os 4 a 1 sofridos permitiram, além de um respiro ao Standard, que o Brugge também chegasse na briga pela ponta, com a vitória no clássico Brugeois (3 a 1 contra o Cercle Brugge), alcançando os dezessete pontos e a vice-liderança. Se o Standard agradece, os Blauw-en-Zwart não ficaram menos gratos. E, com um jogo a menos, o Club pode muito bem alcançar a liderança. Depende do Standard não dar mais o mole que correu o risco de dar na última rodada.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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